Nativo da Bacia Amazônica, o pirarucu tem se espalhado por rios de São Paulo / Shizhao/Wikimedia Commons
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O que deveria ser uma ornamentação exótica para o lago da Granja do Torto, em Brasília, transformou-se em um desafio biológico na residência de veraneio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acontece que cerca de 20 exemplares de pirarucu, presenteados pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tornaram-se o centro de uma "dor de cabeça" logística e ambiental.
Devido ao seu instinto predador voraz, os peixes passaram a atacar a fauna local, incluindo jabutis e aves que habitam as margens do espelho d’água. A situação ganhou contornos domésticos durante um jantar com deputados nesta quarta-feira (4).
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Relatos de parlamentares presentes indicam que os peixes, que podem atingir até três metros de comprimento, teriam atacado inclusive filhotes de patos cuidados pela primeira-dama, Janja da Silva.
Em tom de descontração, Lula chegou a comentar com os convidados que precisaria "cozinhar os peixes" antes que eles dizimassem os demais animais do local. Um biólogo foi designado para monitorar o lago e avaliar o impacto da permanência da espécie no ambiente.
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Apesar da brincadeira do presidente, o pirarucu, de fato, figurou como o prato principal do jantar oferecido aos líderes do Congresso, segundo o blog da Julia Duailibi. No entanto, para preservar os exemplares do Torto, o peixe servido aos parlamentares foi retirado de outro reservatório, possivelmente do Palácio da Alvorada.
O episódio pitoresco serviu como pano de fundo para a nova estratégia de aproximação do Palácio do Planalto com o Legislativo em ano eleitoral, unindo a pauta política ao inusitado cotidiano das residências oficiais.
Considerado um dos maiores peixes de água doce do mundo, o pirarucu (Arapaima gigas) é uma espécie fascinante, mas complexa de se manter fora de seu habitat natural.
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Uma de suas maiores curiosidades é a respiração aérea obrigatória: a espécie possui uma bexiga natatória modificada que funciona como um pulmão, o que a obriga a subir à superfície a cada 15 ou 20 minutos para buscar oxigênio.
Essa característica, aliada ao seu peso que pode chegar a 200 kg, torna a sua presença impossível de ser ignorada, especialmente em lagos menores onde ele domina a cadeia alimentar rapidamente.