Cotidiano

Pedágio dentro da cidade? Entenda o 'imposto do congestionamento' que avança na Câmara

A medida, que já passou pelo Senado, permite a cobrança de taxas para veículos que circularem em áreas centrais ou em horários de pico

Ana Clara Durazzo

Publicado em 18/03/2026 às 14:15

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O objetivo oficial é arrecadar recursos para baratear as passagens de ônibus e metrô, que já chegam a R$ 7,70 em algumas capitais / Nair Bueno/DL

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O bolso do motorista brasileiro pode sofrer um novo impacto em breve. Tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados o Novo Marco Legal do Transporte Público, um projeto de lei que autoriza prefeituras a criarem o chamado 'imposto do congestionamento'.

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A medida, que já passou pelo Senado, permite a cobrança de taxas para veículos que circularem em áreas centrais ou em horários de pico. O objetivo oficial é arrecadar recursos para baratear as passagens de ônibus e metrô, que já chegam a R$ 7,70 em algumas capitais.

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 Infográfico detalha o fluxo planejado pelo Novo Marco Legal: cobranças de motoristas financiando a redução das tarifas de ônibus e metrô.Infográfico detalha o fluxo planejado pelo Novo Marco Legal: cobranças de motoristas financiando a redução das tarifas de ônibus e metrô.

O que pode mudar na sua cidade?

Se aprovado, o projeto não cria o imposto automaticamente, mas dá 'carta branca' para que prefeitos implementem:

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  • Taxa de Congestionamento: Cobrança por circular em vias travadas ou centros históricos.

  • Taxas para Apps: Contribuições extras sobre viagens de Uber e 99.

  • Estacionamentos: Novas taxações sobre vagas públicas e privadas.

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  • Taxa de Poluição: Cobranças baseadas na emissão de ruídos e gases de veículos.

Por que a urgência?

 Cenário comum nas capitais: projeto de lei busca desestimular o uso do carro e investir no transporte coletivo como solução.Cenário comum nas capitais: projeto de lei busca desestimular o uso do carro e investir no transporte coletivo como solução

O sistema de transporte público no Brasil enfrenta uma crise financeira aguda. Com a queda no número de passageiros e o aumento do diesel, o Governo busca fontes alternativas de custeio para evitar o colapso do sistema e o aumento desenfreado das tarifas.

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A polêmica: Quem paga a conta?

Críticos do projeto alertam que a medida pode se tornar apenas mais um peso no orçamento do cidadão, sem garantia de que o ônibus ou o metrô realmente melhorem. Além disso, há o receio de que as taxas aplicadas aos aplicativos sejam repassadas integralmente ao valor das corridas para o passageiro final.

  • Situação atual: O projeto pode ser votado no plenário a qualquer momento. Se aprovado, caberá a cada município decidir se adota ou não as novas cobranças. 

Além da Tarifa: O que está em jogo com o Novo Marco Legal

1. Inspiração Global: o espelho de Londres e Nova York

A ideia de taxar o congestionamento não é inédita e se baseia no conceito de "pedágio urbano", aplicado com sucesso em metrópoles como Londres, Estocolmo e Singapura. Na capital britânica, a medida conseguiu reduzir o tráfego em cerca de 20% logo nos primeiros anos.

No entanto, o desafio brasileiro é distinto: enquanto essas cidades reinvestiram massivamente na pontualidade e no conforto dos trens e ônibus antes de cobrar do motorista, o projeto nacional corre o risco de inverter a lógica, tributando o cidadão para tentar salvar um sistema que já opera no limite da precariedade.

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2. O 'Efeito Dominó' no bolso do passageiro de App

Críticos alertam para o 'efeito dominó': novas taxas podem ser repassadas integralmente ao consumidor, sem garantia de melhoria no serviço públicoCríticos alertam para o 'efeito dominó': novas taxas podem ser repassadas integralmente ao consumidor, sem garantia de melhoria no serviço público

A maior preocupação de quem não possui carro próprio recai sobre as plataformas de transporte, como Uber e 99. Especialistas alertam que, caso as prefeituras decidam por contribuições extras sobre essas viagens, o custo será inevitavelmente repassado ao consumidor final.

Isso cria um paradoxo social: a taxa, que visa incentivar o transporte público, pode acabar encarecendo a única alternativa viável para quem vive em regiões onde o ônibus é escasso ou inseguro durante a noite, punindo justamente a parcela da população que depende da mobilidade compartilhada.

3. O Desafio da Transparência: Para onde irá o dinheiro?

Um dos pontos centrais da polêmica é a garantia de destino dos recursos. Críticos e órgãos de defesa do consumidor questionam se o montante arrecadado será, de fato, carimbado para o subsídio das passagens e melhoria da frota.

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Sem mecanismos rígidos de fiscalização e contas segregadas, o temor é que o 'imposto do congestionamento' se transforme em um dispositivo para fechar buracos no caixa geral das prefeituras, perdendo sua função ambiental e de mobilidade para se tornar uma ferramenta meramente arrecadatória.

4. O 'Custo Político' nas mãos dos prefeitos

Embora o Governo Federal e o Congresso articulem o Novo Marco Legal, a palavra final será local. O projeto funciona como uma 'caixa de ferramentas' jurídica: ele autoriza a cobrança, mas não a impõe. Isso transfere uma pressão imensa para as prefeituras, que precisarão equilibrar a necessidade de caixa para o transporte com o desgaste eleitoral de criar novos tributos.

Em anos de pleito municipal, a tendência é que o projeto enfrente resistência nas câmaras de vereadores, tornando a implementação um jogo de xadrez político entre a solvência do sistema e a popularidade nas urnas.

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