Participação de PMs na Guarda Municipal será investigada

Em ofício encaminhado ao presidente do Sindguardas, capitão PM solicita informações sobre policiais que ministraram curso de formação de 150 novos guardas municipais

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12 MAR 201511h08

A denúncia de supostas irregularidades e equívocos na formação dos 150 novos guardas municipais, apontadas semana passada pelo presidente do Sindicato dos Guardas Municipais da Baixada Santista (Sindguardas), Sérgio Lúcio da Costa, tem novo desdobramento: a abertura de uma investigação preliminar por parte do Comando da Polícia Militar (PM). A denúncia foi publicada com exclusividade pelo Diário do Litoral.

Em ofício encaminhado ao Sindguardas no último dia 6 — um dia após a denúncia ser publicada — o capitão PM Marcelo Marques Azevedo, encarregado da investigação preliminar, quer saber detalhes sobre a participação de coronéis da PM no curso, para analisar se houve irregularidades cometidas pelos oficiais.

A atitude do comando da PM joga uma grande responsabilidade sobre a Câmara de Vereadores. Na sessão da próxima segunda-feira, os parlamentares santistas decidirão se aprovam, ou não, um requerimento do vereador Douglas Gonçalves (DEM), que solicita que o secretário de Segurança de Santos, coronel Sérgio Del Bel, ocupe a tribuna da Câmara e apresente a versão da Administração sobre todas as supostas irregularidades. 

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Na última segunda-feira, Del Bel se reuniu a portas fechadas com os membros que compõem a Comissão Especial de Vereadores (CEV) que apura a denúncia. “Quero que o público e a Imprensa de forma geral também tenham a oportunidade de ouvir a posição da Administração sobre a questão. Quero saber detalhes sobre a contratação da empresa que fez o curso”, afirma o vereador.  

O presidente do Sindguardas questiona a falta de prepara dos alunos baseando-se nos seguintes pontos: funcionários públicos dando aulas no lugar de instrutores da empresa contratada para dar o curso; não utilização da matriz curricular obrigatória de formação e capacitação de guardas municipais, imposta pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP); número insatisfatório de horas-aula; falta de matérias essenciais às atividades dos guardas, entre outros pontos, ratificados por um aluno em entrevista exclusiva ao DL, publicada no último domingo. 

Contraponto

Por seu lado, o secretário Del Bel defende que o curso foi satisfatório; que seguiu rigorosamente a matriz da SENASP; que não há um número de horas obrigatório a ser seguido (às 240 horas estavam dentro do previsto na grade curricular); que os alunos tiveram uma série de instruções na Arena Santos e em outras unidades da Prefeitura; e que os instrutores são qualificados. Também revelou que os funcionários públicos que receberam valores são capacitados e estavam fora do horário de serviço durante a participação no curso.