Parecer técnico compromete Projeto da Nova Ponta da Praia

Feito por técnicos de meio ambiente, habitação, urbanismo, acessibilidade e de engenharia, documento ampara ação.

Um parecer técnico do Centro de Apoio Operacional à Execução (CAEx), enviado ao Ministério Público de Santos, coloca em ‘xeque’ o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), apresentado pela Prefeitura de Santos, para a implantação do Centro de Atividades Turísticas (CAT) – que engloba um centro de convenções – e o novo Mercado de Peixe, equipamentos que integram o Projeto Nova Ponta da Praia, bancado pelo Grupo Mendes.

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O parecer – elaborado por técnicos de meio ambiente, habitação, urbanismo, acessibilidade e de engenharia – ampara a ação civil pública, movida pelo Ministério Público (MP), visando anular os termos de compromisso entre a Prefeitura e o Mendes. Uma liminar pedia à Justiça a suspensão das obras e reposição do viário, mas foi negada esta semana. A ação continua tramitando.

Um dos pontos apontados pelo estudo de mais de 60 páginas do CEEx é intrigante: o Termo de Referência e o EIV foram apresentados na mesma data, sendo que o primeiro baseia a elaboração do segundo. Além disso, o EIV não seguiu diversos itens apontados pelo Termo.

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Outro ponto apontado pelo órgão se dá em relação ao Centro de Convenções. “Não fica explícito qual o interesse público em receber esse tipo de empreendimento, em termos de demanda de eventos públicos, privados e de gestão pública. Nem mesmo o modelo de gestão que se pretende adotar no novo Centro”, escrevem os técnicos do CAEx.

Eles alertam ainda investimentos em projetos urbanos e melhorias que tendem a valorizar a própria área do empreendedor (Grupo Mendes), que ganhou como contrapartida a liberação de construção de edifícios em seus terrenos particulares atrás dos clubes. “Não se justificou a escolha da Ponta da Praia para a localização do empreendimento”.

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Os técnicos vão mais longe. Segundo eles, o EIV da Prefeitura apresenta de forma genérica os impactos causados na Ponta da Praia em relação ao fluxo de veículos, de pessoas, ruídos, carga e descarga de mercadorias e outros. “Faz-se necessário, portanto, o detalhamento de aspectos da operação dos dois equipamentos (Mercado e Centro de Convenções), que poderão gerar impactos positivos ou negativos à vizinhança”. Eles também revelam que não houve consulta ao Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU), prevista em lei.

O CAEx ainda salienta que o EIV não garante valorização imobiliária do entorno e incremento das atividades comerciais, bem como, a harmonia estética de terrenos degradados e geração de empregos. “Como os diagnósticos e o levantamento de impactos apresentados pelo EIV são insuficientes para tratar de temas como mobilidade, valorização de terra, mudanças de usos e ocupação de solo, as medidas de mitigação propostas pelo documento (EIV) também são insuficientes e não contemplam tais temáticas”.

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PROMOTORES

Segundo o MP, há ainda inúmeras supostas irregularidades envolvendo o processo que gerou o Projeto. Além de não responder aos questionamentos do inquérito aberto pelo MP, há problemas relacionados à outorga onerosa que geraram as obras; ausência do decurso de prazo para consulta pública e violação de artigos do Estatuto da Cidade e do Plano Diretor do Município.

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Os promotores também alegam ofensa aos princípios da transparência e controle social (consulta à população sobre a destinação das contrapartidas e na definição do plano urbanístico da Ponta da Praia); imprecisões e ofensa aos princípios da igualdade e livre concorrência e até indícios de violação ao princípio da impessoalidade, visando beneficiar grandes grupos econômicos, dentre eles o Mendes.

Presidente das duas comissões de vereadores responsáveis pela avaliação do Projeto, o vereador Sadao Nakai (PSDB) ainda tem inúmeras dúvidas. Uma delas é quantas vagas de carros serão suprimidas na orla; onde será o estacionamento de motos que hoje é em frente do Deck do Pescador; se haverá redução de pontos de ônibus e a quantidade de vagas para as canoas havaianas. A Prefeitura já anunciou que seriam eliminados cerca de 50 pontos de estacionamento, o que seria correspondente a 25% do total existente.

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O Programa Nova Ponta da Praia foi anunciado pela Prefeitura em 18 de janeiro, com investimentos de cerca de R$ 130 milhões da iniciativa privada.

Moradores e comerciantes já se manifestaram pela realização de um plebiscito para que a população decida se o projeto deve ser levado, ou não, adiante.

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PREFEITURA

Procurada pela Reportagem, a Prefeitura de Santos resumiu comunicando que não cabe ao Município qualquer posicionamento sobre os apontamentos do CAEx, porque os mesmos foram dirigidos ao MP, autor da ação.

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Informou ainda que todos os procedimentos e trâmites legais foram observados em todas as etapas do projeto, tanto para conclusão das intervenções no viário da Ponta da Praia, quanto para a entrega da nova escola pública no bairro do Jabaquara.