Nós sempre achamos que o dia em que recebemos uma péssima notícia, como a da morte de meu professor Marcus Vinicius Batista, ocorrida anteontem (13), é a pior data possível. Mas a gente sempre percebe, às vezes tarde demais, que são os dias seguintes que realmente doem mais porque são os momentos em que tentamos lidar com o vazio que fica e a realização de que aquela pessoa tão querida não vai mais poder conversar conosco.
A última vez em que estive junto de meu professor Marcão foi em 2020 num rápido encontro no Gonzaga, próximo à Livraria Realejo, a mesma na qual estive pessoalmente para pegar minha cópia de ‘Quando os Mudos Conversam’ anos antes da mão de seu escritor, com direito a dedicatória e um longo abraço no Marcão, como todas as turmas que ele formou o chamavam.
A penúltima vez, foi após uma reunião de pauta da redação do Diário do Litoral. Meu professor, o ídolo que me ensinou tanto do jornalismo, que elogiou minhas entrevistas feitas no documentário ‘Os Invisíveis da Vila’ era meu colega de trabalho neste mesmo periódico para o qual sigo trabalhando. E se eu soubesse que aquela caminhada em que conversamos sobre a profissão ao longo de quase metade da extensão da Avenida Washington Luis, o famoso Canal 3, era a última vez que nos falaríamos? O que eu teria feito de diferente? Provavelmente nada.
Eu ainda teria confessado a ele, como fiz à época, que sentia (e ainda sinto) certa vergonha de meus textos, os quais nem se comparavam com os dele, às vezes publicados na página ao lado da qual era aberta pelo Marcão. A sensibilidade que ele tinha para escrever era inigualável, a capacidade para manipular e posicionar pensamentos era ímpar e a mensagem que deixava em suas matérias era clara e sofisticada.
Ele me disse à época que tudo isso era uma tolice imensa e que eu só dizia aquilo para ganhar confete do mestre em comunicação que deu nota 6 a meu primeiro texto apresentado numa aula da Unisanta que começava às 8h de um sábado e só terminava após a obrigatoriedade que todos tinham de almoçar ao meio-dia.
Mas eu dizia a verdade e ainda acredito completamente nisso: espero um dia ser 10% do jornalista que o Marcão foi. Porque o mundo era muito melhor com ele nele e a saudade que meu professor deixa infelizmente não pode ser sanada nem ao ler e reler suas centenas de colunas e crônicas. Meu professor era ‘o cara’ e é doloroso escrever para ele usando os verbos no passado, mas garanto a todos vocês que ele tornou muito melhor o futuro de muita gente. Obrigado professor.
