Para 68% dos brasileiros, 2021 será melhor do que 2020, aponta Datafolha

Quando a pergunta é voltada não apenas para si próprios, mas para os brasileiros em geral, esse índice cai para 58%

Desde a infância, o engenheiro agrônomo Fernando Lima, 44, tem um apelido: Bacana. Era uma alusão ao personagem da série Armação Ilimitada -maiores de 40, certamente, vão entender. O tempo tratou de ir provando que a alcunha lhe cabia. Como é um cara otimista, alegre e querido por todos, Bacana se tornou um nome natural para ele.

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Apesar dessas características, Bacana sabe reconhecer quando algo não vai nada bem. Foi assim no começo do ano, quando teve todos os sintomas da Covid-19, passou 14 dias isolado e outros tantos até o paladar e o olfato voltarem ao normal.

“Tive sintomas de Covid e, na época, não era tão simples fazer o PCR”, diz. Apesar do susto, Bacana termina este ano sem que mais ninguém da sua família tenha adoecido, empregado e ele próprio com saúde.

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Assim como 2 em cada 3 brasileiros, de acordo com pesquisa Datafolha, Bacana confia que 2021 será melhor do que o ano que terminou ontem. “Levando em consideração o atual cenário mundial, restrições e desafios em razão da pandemia e tendo em vista o início da vacinação, acredito que 2021 será melhor em nível mundial”, afirma. “Claro, isso lembrando que a pandemia não é o único problema que a humanidade enfrenta, mas seria um bom começo de ano.”

A pesquisa apontou que 68% afirmam que 2021 será melhor do que 2020. Quando a pergunta é voltada não apenas para si próprios, mas para os brasileiros em geral, esse índice cai para 58%.

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“Também acredito que com a superação do quadro restritivo imposto pela pandemia, há uma tendência de melhoria, mesmo que branda, na situação do povo brasileiro”, diz o engenheiro agrônomo. “Digo isso porque, pelo menos a rotina que existia, trabalho, escola e atividades econômicas, caminhariam para uma normalização.”

Foram entrevistados 2016 brasileiros adultos que possuem telefone celular em todas as regiões e estados do país. A pesquisa foi feita dessa forma para evitar o contato pessoal entre pesquisadores e respondentes devido à pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 191 mil brasileiros.

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A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A coleta de dados aconteceu entre os dias 08 e 10 de dezembro de 2020.

O otimismo em relação ao próximo ano se mostrou sensivelmente maior nas regiões Norte/Centro-Oeste (79%). No Nordeste esse índice foi de (70%). No Sul e Sudeste, 63% e 64%, respectivamente.

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Bem mais otimistas são também os apoiadores do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Entre os que avaliam que a gestão do presidente como boa ou ótima, 77% esperam um ano melhor do que este em 2021. Para os que dizem sempre confiar em Bolsonaro, 82%.

Bacana não se encaixa nos perfis acima. “Não, não acredito em nenhuma ação vinda do governo federal que possa demonstrar qualquer efetividade e que possam ser traduzidas em melhorias ao povo brasileiro”, afirma o engenheiro. “Não foi efetivo e não será.”

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O índice de confiança maior entre os apoiadores de Bolsonaro contrasta com o dos que avaliam a gestão como ruim ou péssima. Neste grupo 60% esperam 2021 melhor do que 2020. E entre os que afirmam nunca confiar em Bolsonaro, 59%.

A avaliação do desempenho da gestão Bolsonaro no combate à pandemia do novo coronavírus também impacta no índice de confiança do Brasileiro no futuro.

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No grupo dos que consideram que a atuação do presidente na atual crise sanitária é ótima ou boa, 78% são confiantes em um 2021 melhor do que 2020. Entre os que veem a atuação de Bolsonaro como ruim ou péssima, esse índice é de 58%, ou 20 pontos percentuais menor.

Renda é um fator que apresentou variações importantes, com diferenças fora da margem de erro. Entre os que ganham até dois salários mínimos 67% se mostraram otimistas. A confiança em um novo ano melhor do que este salta, porém, para 74% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos.

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No grupo dos que fizeram o pedido do auxílio emergencial oferecido pelo governo, 70% se disseram otimistas. Quando se separa quem fez e recebeu pelo menos uma das parcelas dos que fizeram mas não receberam nota-se diferença. No primeiro grupo, o índice de otimismo chega a 72%. No segundo, 65%. Entre os que não fizeram o pedido, 66%.

A forma como as pessoas estão enfrentando a pandemia e a idade também são variáveis importantes nessa equação do otimismo.

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Diante do risco de contágio do novo coronavírus e da necessidade de manter o isolamento social, há quem continue vivendo normalmente, quem esteja tomando cuidado mas ainda assim saia de casa, quem só saia de casa se for inevitável e quem esteja totalmente isolado.

Entre os que continuam vivendo de forma normal, apesar da pandemia e da quarentena, 75% dizem esperar um ano melhor do que este. Entre os que dizem se cuidar mas ainda assim continuam saindo de casa, 71% acreditam no mesmo. Para os que só saem de casa se não tiverem outra opção, 63%, e entre os que estão completamente isolados, 61%.

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A faixa etária mais otimista é a de 16 a 24 anos (73%). A menos é a dos maiores de 60 anos (57%). É o caso da mãe de Bacana, Maria Regina Lima, 70. Apesar de se considerar uma pessoa otimista, ela não acredita que 2021 possa ser melhor do que o ano se encerra agora. Nem para ela, nem para os brasileiros em geral.