Papo de Domingo: “Salvar vidas Foi uma experiência inesquecível”

Luiz Carlos Oliveira conta momentos dramáticos que viveu para tirar idosa e cadela do mar no meio do canal do Porto

Em tempos de visibilidade midiática, que o mais importante é registrar o fato para ter o que postar nas redes sociais, um prático de hábitos simples, residente no bairro Santa Cruz dos Navegantes, em Guarujá, teve a ousadia de inverter o processo e ouvir seu instinto.

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Luiz Carlos Oliveira foi o responsável pelo salvamento da idosa e sua cadela de estimação, após queda da balsa, no último domingo, dia 27. Uma semana depois do acidente, o Diário conseguiu uma entrevista com o verdadeiro herói, que recebeu moção de congratulações da Câmara de Guarujá, por intermédio do vereador Geraldo Soares Galvão.

Confira os principais pontos da conversa:

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Diário do Litoral – Você já tinha passado por experiência semelhante?
Luiz Carlos Oliveira –
Não. Me pegou até de surpresa. Eu nunca havia passado por essa experiência. Já presenciei outras ocorrências menores durante minha carreira profissional, mas nunca do jeito que foi, quando a pessoa estava sob perigo de morte dentro do canal do Porto de Santos.

Diário – Você falou em surpresa. Como foi?
Luiz –
Eu estava conduzindo a embarcação. Nela estava eu, mais dois práticos e uma estagiária. Quando nosso barco passou em frente a balsa, percebi o reflexo de um carro caindo. Rapidamente, notei que ele não afundou, ficou boiando. Mudei o rumo do barco com objetivo de chegar o mais próximo possível do carro.

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Diário – Você teve condições de ver a idosa?
Luiz –
Eu não sabia se era um homem ou mulher. Se fosse uma pessoa mais jovem, acredito que seria mais fácil. Foi quando vi que se tratava de uma idosa. Nós não havíamos percebido a cadela.

Diário – Foi difícil acalmá-la?
Luiz –
Ela estava muito assustada, mas não desesperada. Tinha um sotaque português muito forte que dificultava nossa comunicação. Ela só pedia que a salvasse. Eu encostei a lancha próximo da janela do carro, que estava aberta, e foi por ali que retiramos a idosa. A manobra teve que ser muito cuidadosa para não machucá-la e nem piorar a situação do carro. Ela sentiu-se mais segura e facilitou nossa ação. Mas só voltou ao estado emocional normal após a chegada de sua família.   

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Diário – E a cadelinha?
Luiz –
Nós não havíamos percebido sua presença. Era uma poodle, que até se mostrou tranquila. Quando tiramos a senhora do carro, a cadelinha pulou para o banco da frente e também foi tirado pela janela. Foi um alívio. Só pensamos em salvar as vidas. O carro era impossível de ser puxado pois nosso barco era pequeno.

Diário – Qual a sensação da equipe após o resgate?
Luiz –
De dever cumprido. Fiquei muito orgulhoso de poder salvar duas vidas. Se não tivéssemos passado pelo local naquele momento, a senhora e seu animal de estimação estariam mortos. Foi uma experiência inesquecível.