Papo de Domingo: Mãos na massa, a Copa vem aí

Estudante de Gastronomia de Santos foi selecionado para cozinhar na Arena Corinthians durante o Mundial

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27 ABR 201400h48

Fabrício Guerreiro tentou persistir na carreira de jornalista. Graduado em Jornalismo, ele buscou se especializar em Gastronomia para escrever sobre o assunto em mídias segmentadas. Duas coisas o fizeram mudar de rumo: não encontrou oportunidade na área de comunicação e se apaixonou pela cozinha.

Já com 10 anos provando sabores e elaborando pratos, Fabrício vai viver uma experiência única este ano. Ele foi um dos chefs selecionados para cozinhar nos camarotes da Fifa durante a Copa do Mundo, em São Paulo.

Vai trabalhar especificamente na Arena Corinthians, conhecido como Itaquerão, nos seis jogos que acontecerão no local, incluindo a abertura da Copa e a semifinal, na qual está confiante na presença do Brasil.

Foram 1.694 chefs brasileiros disputando as quatro vagas disponíveis para trabalhar nos camarotes do Itaquerão.

Com 30 anos, Fabrício já exerce a profissão de chef de cozinha há 10, baseado no curso técnico que fez quando ainda tinha o sonho de escrever sobre o assunto. Hoje, ele faz graduação em Gastronomia na Unimonte, em Santos, para se especializar na área.

De São Paulo, o chef mora há seis meses em Santos, onde já trabalhou em restaurantes como Taiyô e Kanoa. São-paulino, ele diz que na Copa vai dar Brasil. “Acredito que será um momento especial na minha carreira, pois se trata de um evento internacional de grande porte e proporções. Espero mostrar todo meu trabalho e criatividade”. Confira a entrevista:

Fabrício Guerreiro disputou a vaga com outros 1.693 chefs brasileiros. Apenas quatro foram selecionados (Foto: Luiz Torres/DL)

Diário do Litoral - Como você ficou sabendo da seleção de chefs para a Copa?
Fabrício Guerreiro - Foi divulgado em todas as redes sociais que haveria uma seleção, a princípio de currículos. Encaminhei meu currículo, que acabou sendo selecionado dentro de 1.694 chefs de cozinha.

DL - E como foi realizado o processo de seleção?
FG - A primeira etapa foi em São Paulo. Teve uma entrevista com o pessoal da Fifa. Posteriormente a isso houve uma segunda seleção para fazer a parte prática na minha especialidade, que é oriental. Eu acabei passando, são só quatro chefs do Brasil para a Arena Corinthians, o Itaquerão.

DL - Qual será o seu trabalho durante a Copa? 
FG - Vamos ser responsáveis por toda a área de camarote do Itaquerão. Nos quatro primeiros dias, a previsão é de 30 mil pessoas dia. Se o Brasil for para a semifinal, e eu espero que vá, porque vai ser lá, a previsão é de servirmos 45 mil pessoas nos camarotes. Eu acho que é um volume muito grande, uma experiência excepcional para mim. Levar o nome de Santos para a Copa vai ser muito legal.

DL - Quais foram as exigências da Fifa?
FG - A Fifa exigiu experiência, principalmente saber trabalhar 100% em equipe. Exigiu outras línguas também. O básico é o Inglês, mas eu também tenho o Espanhol.

DL - Qual será o maior desafio para você? 
FG - Cozinhar pra 30 mil pessoas me deixa assustado, no bom sentido, com um frio na barriga, porque é um volume muito grande. Em hotéis, restaurantes, a gente tem bastante volume, eu já cheguei a fazer 4 mil refeições em um dia, só que à la carte, com um espaçamento de tempo. Lá (durante a Copa), eu acredito que não vai ser assim. A previsão é trabalhar oito horas por dia, mas vai ser muito intenso.

DL - O trabalho é remunerado? 
FG - É remunerado. Mas eu não posso te informar o quanto a gente ganha, infelizmente. São regras da Fifa.

DL - Mas o salário é satisfatório?
FG - Sim, é satisfatório. Mas eu vou te ser bem sincero, eu não estou preocupado com o valor, eu estou preocupado em ter no meu currículo a Copa do Mundo, que é um evento internacional de grandes proporções, fazer parte da equipe inteira e poder agregar mais.

DL - A Fifa faz algum tipo de treinamento?
FG - Vai ter um treinamento a partir de 1º de junho. Ele consiste em boas práticas para a equipe inteira. O operacional da cozinha são mil pessoas. A minha equipe é de 100 pessoas, entre auxiliares e cozinheiro, eu coordeno esse pessoal.

Graduado em Jornalismo, ele buscou se especializar em Gastronomia para escrever sobre o assunto, mas se apaixonou pela cozinha (Foto: Luiz Torres/DL)

DL - Você já coordenou uma equipe tão grande?
FG - Não, mas eu não acho que vai haver muito problema. Problema, lógico, sempre há na cozinha. Eu ainda não conheço a equipe, vou fazer a interação agora no começo de junho, durante o treinamento.

DL - Na prática, o que o chef faz, diante de uma equipe de 100 pessoas?
FG - Propriamente dito, o chef coloca e não coloca a mão na massa. Eu não vou ficar cozinhando 100%. Existem outras tarefas como a finalização do prato, que eu faço junto com a equipe, decoração, sabor. Passa tudo pela minha mão.

DL - Já tem o cardápio? Algum prato que você encare como um desafio?
FG - Tem um cardápio, mas infelizmente eu também não posso divulgar. Foi um cardápio desenvolvido especificamente para o evento, feito com muito carinho, têm pratos que vão agradar todas as nacionalidades. Mas acredito que não vai ser difícil, porque é tudo que a gente já trabalha no dia a dia.

DL - Você anda treinando?
FG - Alguma coisa sim, mas muito pouco. O padrão a gente tem. A questão é mais dar o meu toque na Copa.

DL - E como você está se sentindo?
FG - Eu estou completamente extasiado. É uma coisa inusitada, não é uma coisa que eu estava prevendo. Estou gostando muito disso tudo e está me dando muito prazer. Para o meu currículo não tem igual.