Papo de Domingo: ‘Há engenheiros assinando projetos’

Com uma experiência invejável, Edson Eloy de Souza assumiu a gerência regional do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), uma novidade para a Baixada e Vale do Ribeira. Neste ‘Papo de Domingo’, ele conta detalhes do órgão, a necessidade de se reparar e

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26 ABR 201503h05

A frase acima é do arquiteto e urbanista Edson Eloy de Souza, que se tornou o primeiro gerente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) da Baixada Santista e Vale do Ribeira, pioneiro na região. O órgão atenderá centenas de profissionais espalhados em 23 municípios. O CAU está funcionando provisoriamente à Rua Artur Porchat de Assis, 47, no Boqueirão (sede da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos). Neste Papo de Domingo, Souza dá mais detalhes do órgão, a necessidade de se reparar equívocos profissionais e a importância de se repensar o ambiente urbano.

Diário do Litoral – Qual o principal objetivo do CAU?
Edson Eloy de Souza -
Preservar o bom exercício profissional e do ensino, divulgar o papel do arquiteto e urbanista e participar das discussões das questões urbanas e arquitetônicas, por intermédio de conselhos municipais, fóruns sociais, palestras e cursos.

DL – Qual a estrutura regional do órgão?
Souza –
Além de mim na gerência, o CAU conta com um fiscal, um auxiliar administrativo e uma estrutura totalmente informatizada.

DL – Qual será o trabalho inicial?
Souza –
Visitar os prefeitos e instituições de ensino visando promover palestras e cursos. Paralelamente, vamos orientar, disciplinar e fiscalizar a profissão.

DL – E como fica o CREA?
Souza -
O CAU é composto só por arquitetos e é uma separação do antigo CREA, que agora é Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo. O CAU é uma autarquia federal e existe desde 2010 em outras regiões do País.  

‘Há engenheiros assinando projetos’(Foto: Luiz Torres/DL)

DL – Quantas regionais existem no Estado?
Souza –
Dez e atendem cerca de 50 mil arquitetos.

DL – Qual será o principal desafio da fiscalização?
Souza -
Embora todos os projetos de arquitetura tenham que, obrigatoriamente, ser assinados por um profissional de arquitetura, na prática, a história é diferente. Há engenheiros assinando projetos, pois na formação adquirem pequenas noções de arquitetura. Chegam a analisar projetos municipais ligados a urbanismo e, neste sentido, o CAU vai orientar os órgãos públicos e privados para tentar mudar essa situação.

DL – Com relação ao urbanismo. O CAU pode impedir equívocos?
Souza –
Muitos. A maioria dos gargalos urbanos, no fundo, ocorre por conta de problemas de projeto. Regras não foram obedecidas, prospecções foram mal elaboradas e essa discussão precisa ser realizada. Uma das incumbências do CAU é organizar o território nacional. São os arquitetos que fazem projetos urbanos. Erros em projetos causam transtornos urbanos e prejuízos aos cofres públicos.

DL – No caso do incêndio da Ultracargo. O senhor acredita em falhas em projetos viários e de segurança?
Souza –
É preciso conhecer o local. Mas adianto que o correto seria limitar a quantidade de tanques e ampliar o espaço entre eles. Neste caso, acredito que também houve conivência da fiscalização. Quando se fala em meio ambiente, espaço público e privado tem que se falar em arquitetura e urbanismo. É preciso planejamento. A entrada de Santos é um problema clássico de falta de planejamento.

DL – O CAU vai querer entrar nessa discussão?
Souza –
Vou tentar uma audiência com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa. Queremos participar das discussões dos planos diretores dos municípios que, embora já estejam aprovados, podem receber reparos. O zoneamento urbano, por exemplo, fere interesses conflitantes. Por isso, precisa muita atenção e o CAU é fundamental nesse caso.

DL – Quais outros trabalhos que precisam ser realizados?
Souza –
Por exemplo, existe uma norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que determina que todas as reformas de edificações sejam acompanhadas por um profissional habilitado, mas ninguém obedece. Isso ocorre por desconhecimento ou por malandragem mesmo. O fato é que as pessoas correm risco de morte em função do não cumprimento da norma. Vamos fiscalizar isso também.