Na próxima terça-feira (25), às 10 horas, na sede da Progresso e Desenvolvimento de Santos (Prodesan), uma comissão de funcionários da autarquia e vereadores estarão reunidos com o secretário de Governo, Rogério Santos. Em pauta não apenas estará a preservação dos cerca de 1.100 trabalhadores dos 12 segmentos de serviços que compõem a empresa, mas principalmente o destino da Prodesan que, desde 1965 (quando foi criada) foi a principal responsável pelo planejamento urbano de Santos.
Na entrevista de hoje, Rogério Santos, que representará o Governo Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) no encontro que vai definir o futuro de homens, mulheres e máquinas, garante: “Funcionários da Prodesan não serão demitidos, mas remanejados para trabalhar em outros contratos com a empresa”. Confira:
Diário do Litoral – Qual o futuro da Prodesan?
Rogério Santos – É exatamente o que o governo tem traçado desde o primeiro mandato que é devolver a Prodesan à razão a qual ela foi criada, o progresso e desenvolvimento de Santos.
Diário – Defina melhor.
Rogério – Ao longo dos anos, a autarquia foi incluindo alguns serviços que eram importantes, como a gráfica, que se tornou deficitária e a melhor opção foi seu fechamento. Hoje, a Prodesan precisa dar lucro e não prejuízo. No momento que o País vive, com a velocidade das relações, a empresa tem que se atualizar, senão continuará deficitária.
Diário – É o caso da Usina de Asfalto?
Rogério – Ela foi aberta dois anos após a criação da Prodesan. Fornecia asfalto para Santos e outros municípios e empresas. No entanto, a partir de 1989, a usina começou a reduzir sua produção e aquisição. Hoje, a Prodesan é uma empresa de capital misto, que tem um potencial público e depende de regras ligadas ao poder público. Neste sentido, tem que fazer licitação que aumenta o valor na compra de insumos frente a qualquer outra empresa privada. Então, seus preços finais são menos competitivos.
Diário – Mas e os funcionários?
Rogério – São concursados e têm horários comerciais. Qualquer produção de fim de semana ou à noite, por conta de logística, leva ao pagamento de horas extras, contribuindo para o valor final da massa asfáltica ser maior do que o de mercado. O poder público não pode comprar, mesmo de uma empresa pública, algo cujo valor está acima do mercado.
Diário – É verdade que 62% dos contratos da Prodesan serão suspensos, o que pode inviabilizar a empresa?
Rogério – Eu desconheço a informação do Odair Gonzalez (ex-presidente) neste sentido. Há mais de quatro anos estamos trabalhando, por etapas, na reorganização da Prodesan e a ideia não é essa. A Prefeitura pode comprar da Prodesan sem a exigência da licitação desde que os contratos sejam compatíveis ao mercado. O contrato atual da limpeza tem que ser equilibrado para que possa ser mantido. Estamos fazendo isso com todos os contratos.
Diário – Há demandas para a Prodesan?
Rogério – Na última quarta-feira, tivemos uma reunião de trabalho e esclarecimento com mais de 100 funcionários, como vem ocorrendo em outros setores da Administração, que ficou registrada em ata e que ficou claro que não haverá demissões, mas remanejamento de funcionários para outros contratos que a empresa vai formalizar com o Município.
Diário – Então não haverá demissões?
Rogério – Qualquer empresa tem que trabalhar com funcionários eficientes. Temos que fazer contratos que sejam legalmente possíveis e valores de mercado. A importância de manter os empregos é prioridade de qualquer gestor. Então, repetidamente, enfatizei que nossa política é de não demissão. Portanto, os funcionários da usina serão utilizados em outros contratos.
Diário – A vereadora Telma de Souza disse que há interesse da Sabesb e de prefeituras regionais de comprar asfalto da usina.
Rogério – Desconheço essa informação. O contrato que a Prefeitura tem com a Prodesan é relacionado ao tapa-buraco. Os municípios são obrigados a fazer licitação e optar por preços competitivos. A Sabesp já nos procurou algumas vezes, mas nada foi firmado.
Diário – Não foi isso que os trabalhadores e nem os vereadores entenderam.
Rogério – Na quinta-feira, eu perguntei para a comissão se as sugestões dos trabalhadores foram entregues à presidência da Prodesan e ao Governo. Então, eu não entendo os motivos de toda essa manifestação. Está descartada a demissão em massa como estão propagando e isso foi exaustivamente garantido. Essa manifestação tem cunho político.
Diário – Cunho político por parte de quem, dos vereadores?
Rogério – Não sei. Não estou dizendo que por parte deles. Se a maior preocupação deles (funcionários) é o desemprego, eu afirmei, por diversas vezes, que não vai ocorrer. A preocupação da Prefeitura é com a gestão pública. Essa conturbação e clima de instabilidade não têm razão de existir.
Diário – Os funcionários e vereadores desejam ver as planilhas da empresa. Há algum problema?
Rogério – Não vejo problema algum.
Diário – Qual seria a volta da Prodesan a sua essência?
Rogério – Pensar a cidade, principalmente na questão do planejamento urbano. Hoje, fornece serviços de tecnologia, fiscalização, engenharia e manutenção, importantes para o Município e que serão mantidos, mas dentro de uma estrutura eficiente. O que não tem mais condições de se sustentar é a usina, cujos funcionários serão reaproveitados em outros setores públicos. A Prodesan tem um corpo técnico muito qualificado.
Diário – Qual o valor da dívida da Prodesan?
Rogério – A Prodesan deve basicamente R$ 70 milhões à Prefeitura e cerca de R$ 150 milhões de forma geral. A Prefeitura vem pagando parceladamente as dívidas.
Diário – A Prodesan vai manter os funcionários e contratos?
Rogério – Sim, os contratos também desde que revistos, menos o de tapa-buracos. Vamos primar pelo equilíbrio econômico-financeiro da empresa. A política do Governo e da Prodesan é de não demissão, de não agravar o quadro de desemprego do País.
