Pai e filho transformaram aposta familiar em rede milionária que desafia gigantes do fast food

Uma aposta familiar, que surgiu de uma viagem aos Estados Unidos, tornou-se um dos maiores casos atuais de expansão no setor alimentício no Brasil

O propósito da marca é nutrir o orgulho do sabor brasileiro, oferecendo uma receita adaptada ao paladar nacional, com temperos mais próximos do gosto local, o que se tornou uma das principais apostas da rede

O propósito da marca é nutrir o orgulho do sabor brasileiro, oferecendo uma receita adaptada ao paladar nacional, com temperos mais próximos do gosto local, o que se tornou uma das principais apostas da rede/ Divulgação

Uma cozinha improvisada dentro de casa, apenas cinco pedidos no primeiro dia e um investimento inicial de cerca de R$ 5 mil.

Uma aposta familiar, que surgiu de uma viagem aos Estados Unidos, tornou-se um dos maiores casos atuais de expansão no setor alimentício no Brasil.

Hoje, a rede Frango no Pote (FNP) fatura mais de R$ 115 milhões por ano, opera em 15 estados e tem o objetivo de abrir 400 lojas e alcançar R$ 1 bilhão em receita.

Foi na véspera do Ano Novo de 2011, quando o empresário Carlos Augusto Nepomuceno da Silva, ou Carlão, estava indo para o exterior com sua família e descobriu que o frango frito dos Estados Unidos era o mesmo de sempre, popularizado no mundo todo por gigantes como o KFC, uma rede que começou em Kentucky em 1930.

O encontro levantou uma questão básica que influenciou o destino da família: por que não fazer esse produto no Brasil?

O começo caseiro e a primeira expansão

Na volta ao Brasil, a família montou uma pequena operação improvisada na área da churrasqueira da própria casa, em Arniqueiras, no Distrito Federal.

Foram necessárias três fritadeiras, um freezer e muita determinação para criar o Frango no Pote, que foi finalmente inaugurado em 2012.

Os primeiros baldes de frango eram potes de paçoca personalizados com adesivos da marca, enquanto a divulgação acontecia em uma ferramenta que marcou os anos 2000: o Orkut.

O primeiro dia foi crucial para a família, e os cinco pedidos por telefone deixaram claro que havia potencial.

Carlos Augusto primeira loja física ainda em 2012, obtendo um sucesso imediato.

Em 2014, quando a rede já possuía quatro unidades, surgiu a primeira franquia, uma decisão que abriu caminho para um modelo de crescimento nacional que transformaria a empresa em poucos anos.

Profissionalização e sucessão familiar

Outro personagem fundamental na trajetória é Carlos Jr., filho do fundador. Dedicado desde a infância a estudar gastronomia, ele vendia biscoitos e pão de mel quando era criança para se libertar financeiramente.

Aos 16 anos, entrou oficialmente no negócio familiar e, ao perceber diferenças de qualidade entre as lojas, começou a estruturar processos internos, fichas técnicas e a padronização operacional.

Durante entrevista recente, o CEO relembrou que pensava na consistência do Big Mac, que é igual no Brasil e no Japão, e entendeu que a marca precisava criar essa mesma uniformidade.

Mesmo envolvido no negócio, Carlos Jr. tinha o sonho de morar nos Estados Unidos.

Aos 18 anos, Carlos se mudou para lá e passou a trabalhou como jardineiro, cozinheiro, motorista de aplicativo, pintor e chef.

A virada veio em 2018, quando soube que a empresa enfrentava dificuldades e que alguns sócios estavam deixando a operação. Ele decidiu voltar ao Brasil, assumiu a diretoria operacional e aplicou os aprendizados adquiridos fora do país.

Como resultado, no ano seguinte, o faturamento cresceu 93% e, ainda em 2019, ele se tornou CEO da companhia.

Antecipação e resiliência na pandemia

Pouco depois veio a pandemia da Covid-19. Enquanto parte do setor de alimentação enfrentava uma forte retração, a FNP acelerou sua expansão impulsionada pelo delivery e pela parceria com plataformas digitais.

Entre 2020 e 2021, a rede triplicou o número de unidades, saltando de cerca de 20 para 60 operações

Agora, o grupo tem cerca de 115 pontos de venda por país, divididos entre lojas físicas e operações digitais, e sua estratégia atual é a expansão para cidades do interior, que não foram tão agressivamente exploradas por multinacionais no segmento.

Além de expandir o território, a empresa também aposta na identidade brasileira como uma vantagem competitiva.

Carlos Jr. aponta que o propósito da marca é nutrir o orgulho do sabor brasileiro, oferecendo uma receita adaptada ao paladar nacional, com temperos mais próximos do gosto local, o que se tornou uma das principais apostas da rede.

O mercado também se mostra favorável, já que o consumo de carne de frango no Brasil continua em crescimento, enquanto o segmento de frango frito ainda ocupa uma parcela pequena do mercado nacional quando comparado aos Estados Unidos, abrindo um grande espaço para expansão.

Treze anos após aquela cozinha improvisada em casa, o Frango no Pote tenta fazer algo que poucas redes brasileiras conseguiram: transformar um produto inspirado no exterior em uma marca nacional com identidade própria e, agora, com ambição global.