Pai e filha estão “criando” água doce com primeira máquina 100% brasileira para o mar

Com apenas R$ 20 mil e uma mentalidade genial, ele desafiou a lógica do mercado e criou o primeiro dessalinizador verdadeiramente nacional.

Em 2020, a designer de interiores Bruna Valencio e filha de Wilson, juntou-se ao negócio para apoiar a expansão administrativa, financeira e jurídica

Em 2020, a designer de interiores Bruna Valencio e filha de Wilson, juntou-se ao negócio para apoiar a expansão administrativa, financeira e jurídica

Em 2001, o técnico Wilson Valencio Filho cansou de ver barcos brasileiros ancorados por falta de peças importadas e decidiu que o mar não deveria ser um obstáculo, mas a solução.

Com apenas R$ 20 mil e uma mentalidade genial, ele desafiou a lógica do mercado e criou o primeiro dessalinizador verdadeiramente nacional.

Esses equipamentos são fundamentais para garantir autonomia em alto-mar, convertendo água salgada em água doce durante as viagens.

Hoje, o que começou como um reparo eletrônico no Guarujá transformou-se em uma operação de alta tecnologia liderada por pai e filha, garantindo que a sede nunca interrompa o prazer de navegar em águas brasileiras.

Do reparo à fabricação nacional

A história começou em 2001, quando Wilson Valencio Filho, ao realizar reparos eletroeletrônicos em barcos, identificou um problema recorrente: os dessalinizadores importados da Itália e dos Estados Unidos falhavam constantemente.

Além da baixa confiabilidade, a reposição de peças era cara e demorada. Diante disso, ele investiu cerca de R$ 20 mil para desenvolver uma solução própria.

O desafio inicial não foi apenas a engenharia da máquina, mas sim convencer fornecedores brasileiros da viabilidade desse mercado tecnológico no país.

A ciência da osmose reversa

O sistema foi batizado como SICRO (Sistema Industrial de Controle Reverso Osmose) e utiliza a técnica de osmose reversa, um dos métodos mais modernos de dessalinização do mundo.

O processo consiste em pressurizar a água salgada contra membranas semipermeáveis que separam o sal e as impurezas. Essa água resultante é destinada para banhos, lavagem de louças e higiene da embarcação.

A criação é viável para situações de emergência, porém Wilson ressalta que ela não possui a carga mineral necessária para o consumo humano contínuo.

Engenharia brasileira e expansão

Um dos grandes marcos do projeto foi a nacionalização dos componentes, visto que Wilson colaborou diretamente no desenvolvimento de uma bomba de alta pressão resistente à corrosão salina, superando um dos maiores obstáculos técnicos do setor.

Hoje, 90% das peças são produzidas no Brasil.

Essa eficiência transformou o “dessalinizador do Wilson” em referência entre marinheiros, permitindo que a empresa expandisse sua presença para polos náuticos estratégicos, como Itajaí (SC), Angra dos Reis (RJ) e Paraty (RJ).

Sucessão e o diferencial competitivo

Em 2020, a designer de interiores Bruna Valencio e filha de Wilson, juntou-se ao negócio para apoiar a expansão administrativa, financeira e jurídica.

Ela aponta que o fato de o produto ser nacional é o maior diferencial competitivo, visto que a pronta entrega e o suporte técnico ágil são cruciais para clientes que não podem depender de importações morosas enquanto navegam.

Os modelos atuais produzem entre 130 e 360 litros de água por hora, operando de forma automática e com monitoramento eletrônico, atendendo principalmente o crescente mercado de embarcações de luxo e recreio.

Orgulho e futuro

Enquanto o mercado global de dessalinização cresce impulsionado por crises hídricas, a SICRO consolida-se como um exemplo de sucesso da agricultura celular e engenharia nacional.

Para Bruna, trabalhar com o pai é motivo de orgulho. Para Wilson, o sucesso da empresa é a materialização de mais de duas décadas de dedicação à tecnologia e à sua família.