Longas filas, falta de medicamentos, insumos e más condições de higiene. Esses são alguns dos cenários narrados por pacientes que necessitam do Sistema Único de Saúde (SUS) em Santos.
Quatro horas de espera para atendimento e que terminou sem solução para as dores na coluna. Foi desta forma que a diarista Célia Ribeiro resumiu sua experiência na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Central.
“Cheguei lá e esperei 40 minutos para ser chamada para preencher a ficha. Depois, me direcionaram para o setor de ortopedia, e foram mais duas horas aguardando até o médico chamar”, contou Célia.
Após a consulta, o médico havia receitado uma injeção de Voltaren (anti-inflamatório) com dipirona. Sem poder ficar muito tempo sentada devido às dores, a diarista aguardou novamente, por cerca de 1 hora, para receber a injeção.
“Mas quando cheguei na sala para receber a injeção, a enfermeira me avisou que estavam sem Voltaren há mais de um mês. Mas só ele que resolve essa dor na coluna. Precisa ser um remédio forte. Falei para ela aplicar só a dipirona mesmo, mas faz um efeito mínimo, que alivia por apenas 30 minutos”, contou.
Em seguida, ela se dirigiu até a farmácia da UPA para retirar o medicamento receitado, já que não tem condições de comprar. E novamente uma má notícia.
“Lá me disseram que o remédio não tinha e pediram para o médico receitar outro. O doutor então trocou o medicamento, mas novamente não tinha na farmácia da UPA. Segundo o funcionário, há falta de remédios mais fortes há algum tempo”.
“Voltei para casa, andando com dificuldade para chegar até o ponto de ônibus e sem o remédio. Essa foi minha experiência na UPA”.
Sobre as reclamações em relação à unidade, a Fundação ABC, organização social (OS) que é a gestora do equipamento, disse que os atendimentos na UPA Central ocorrem dentro do tempo preconizado pelo Sistema HUMANIZASUS de Classificação de Risco, onde os pacientes são classificados por cores, que representam a gravidade do caso.
Segundo a OS, dessa forma, os usuários não são atendidos pela gravidade do quadro clínico.
A Fundação também disse que não procede a informação de falta de insumos hospitalares e garante que 100% dos materiais e insumos necessários para o atendimento à população estão disponíveis na UPA Central.
Já sobre as críticas relacionadas ao atendimento, a OS classificou como pontuais e que pesquisa de opinião indicou aprovação de 95,8% dos usuários.
Em outra unidade, mais problemas. José Carlos de Andrade, de 63 anos, também demorou 4 horas para ser atendido no Pronto-Socorro (PS) da Zona Leste, no Macuco.
“É uma falta de respeito. Eles pedem respeito, mas não retribuem. Cheguei aqui eram 13 horas e estou saindo somente às 17 horas. Deu problema no painel de senhas, eles distribuíram papéis e demoraram muito para chamar os pacientes. Sem contar que tem somente dois médicos atendendo. Tem um boato que esvaziaram aqui para que os atendimentos fossem para a UPA Central”, comentou.
Outro questionamento do senhor de 63 anos foi em relação à higiene da unidade. “Os banheiros estão com mau cheiro. Também não possui nenhum produto de higiene. Falta papel, falta álcool em gel”.
O mesmo problema foi relatado por Eduarda Francisca Ferreira, de 75 anos, que também relatou problema com um médico. “Eu trouxe exames, mas ele nem quis ver. Me receitou uma injeção com três medicamentos fortes, mas tenho gastrite. Ou seja, o medicamento não solucionou meu problema, e ainda prejudicou meu estômago”, contou a dona de casa que foi até o PS devido a uma forte dor no pescoço.
“Estou voltando aqui para me consultar com outro médico e ver se ele me auxilia. Tenho medo que possa ser até miningite”.
Questionada sobre os problemas, a Prefeitura de Santos informou que o PS conta com 16 funcionários que diariamente executam os serviços de limpeza, distribuídos em quatro turnos. Os serviços de limpeza são realizados conforme cronograma pré-estabelecido. A limpeza dos banheiros é realizada de 8 a 12 vezes ao dia, ou quantas vezes forem necessárias.
A Administração acionou a Prodesan para verificar o suposto mau cheiro alegado.
Sobre os materiais, a Prefeitura dissse não há falta de álcool em gel na unidade (alguns dispensers apresentam problemas). Já foi solicitada a compra de novos recipientes para instalação na unidade provisória. Igualmente, o papel interfolhado, que foi entregue com atraso e, por isso, a unidade acabou ficando parcialmente desabastecida por um dia.
Sobre os problemas nas senhas, a Administração informou que o problema ocorreu na impressora das senhas. Já foi realizado um pedido para a aquisição de uma nova impressora de senhas cuja compra seguirá o rito da administração pública. Os pacientes recebem senhas manuais.
Pronto-Socorro da Zona Noroeste recebe elogios dos munícipes
As reclamações ouvidas por pacientes nas regiões da UPA Central e do Pronto-Socorro da Zona Leste não se repetiram no Pronto-Socorro (PS) da Zona Noroeste.
A unidade, que fica no bairro Castelo, não recebeu críticas dos pacientes ouvidos pelo Diário do Litoral.
“Eu estou acompanhando minha filha, que ainda está dentro do hospital, no soro. Mas até agora não tenho do que reclamar. O atendimento foi muito bom. A demora para atender até que ocorre, mas nada muito absurdo. No máximo uns 40 minutos, 1 hora. Mas tudo dentro do normal. Nos dias de hoje, com bastante gente no hospital, é assim mesmo”, comentou uma mulher que não quis se identificar.
“Aqui não tem do que reclamar. Já vi, no passado, há uns 2 anos, uma paciente perder o filho por falta de atendimento. Mas nos dias de hoje, está ótimo. Ainda mais se compararmos com outras cidades, como o Crei (Hospital Municipal de São Vicente), aqui é o paraíso”, disse o autônomo Roberto Souza.
O PS da Zona Noroeste possui equipes de plantão com quatro clínicos e tem uma média de 600 atendimentos/dia.
Futuramente, o PS irá mudar de atendimento. Toda a parte de urgência e emergência será absorvida pela Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da região, que está sendo erguida em um terreno situado na esquina da Rua Bulcão Vianna com a Avenida Jovino de Melo, no Bom Retiro.
A superestrutura da UPA foi concluída e iniciada a execução da alvenaria e infraestrutura elétrica. A obra do edifício de 1.530 m² está 40% pronta.
Os serviços somam investimento de R$ 2,99 milhões, recursos dos governos Municipal e Estadual; e de parcerias com o Governo Federal e iniciativa privada. A estimativa é que a obra civil seja concluída no segundo semestre deste ano.
O novo prédio que abrigará a unidade tem dois pavimentos acessíveis e dois elevadores. Além de quatro consultórios e salas com área de espera para coleta, curativos, sutura, inalação, gesso, eletrocardiograma, ortopedia, hidratação e distribuição de medicamentos.
No andar superior ficarão a enfermagem e as salas coletivas de observação masculina e feminina, com oito leitos cada. E também dois leitos individuais de observação de curta duração, além de um laboratório de análises.
A UPA da Zona Noroeste terá capacidade até 600 atendimentos/dia, disponibilizando 21 leitos, sendo três deles de emergência.
Hospital dos Estivadores aguarda por verba federal
Com a estrutura física já concluída, o Complexo Hospitalar dos Estivadores ainda aguarda por repasse do Governo Federal para começar a operar.
O início do funcionamento da unidade está condicionado ao aumento da verba de média e alta complexidade que o Governo Federal repassa ao município. Foi solicitado um aumento de R$ 5 milhões mensais no repasse federal para que seja possível custear o complexo. Se houver recursos federais, a expectativa da Prefeitura de Santos é que o equipamento seja aberto entre 60 e 90 dias.
Na última quinta-feira (30), o Governo do Estado de São Paulo garantiu investimento de R$ 11 milhões para o custeio da unidade. O convênio foi firmado com a Prefeitura durante cerimônia na sede do equipamento, que fica na Avenida Conselheiro Nébias.
Agora, o complexo está na fase de compra e instalação de equipamentos.
A programação da Administração Municipal é para que o hospital seja aberto em três fases, a cada 180 dias.
