Pacientes da Região apelam à Justiça por medicamentos

Levantamento do Diário do Litoral aponta que pelo menos dois casos envolvendo munícipes da Baixada Santista estão nos tribunais

Falta de verba, de organização ou até de sensibilidade. Não importa o motivo. Na realidade, cresce o número de pessoas que estão recorrendo à Justiça porque o Estado de São Paulo e os municípios estão se recusando a fornecer os medicamentos necessários para sobrevivência. O Diário do Litoral teve, esta semana, acesso a pelo menos dois casos: um contra a Diretoria Técnica do Departamento Estadual de Saúde (Secretaria Estadual de Saúde) e outro contra a Secretaria de Saúde de Guarujá.

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Em Santos, a juíza Ariana Consani Brajão Degregório Gerônimo, da 3ª Vara da Fazenda Pública, concedeu mandado de segurança com pedido de liminar (decisão provisória) a Elizeu Clemente Costa (74 anos), obrigando o Hospital Guilherme Álvaro (administrado pelo Estado) a retomar a medicação (Zoladex 10,8 mg) que foi interrompida após três anos de fornecimento contra câncer de próstata.

Conforme o advogado Hemilton Carlos Costa, o aposentado teria que tomar a medicação a cada três meses, conforme prescrição médica, mas o fornecimento foi interrompido em 9 de novembro sob alegação que estava em falta. No hospital, a informação era que o paciente voltasse outro dia e, no último dia 25, Elizeu Clemente foi informado que a aquisição só ocorreria em 2016 em decorrência da falta de verbas.

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“Meu cliente vive acamado em Mongaguá e depende de outras pessoas para trazê-lo a Santos. Ele não tem condições de arcar com as despesas de transporte, alimentação e tratamento, que custa R$ 1.600,00, pois recebe um salário mínimo de aposentadoria. A Secretaria de Saúde tem o dever constitucional de fornecer o medicamento”, afirma Hemilton Costa.

Guarujá

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Em Guarujá, o estudante Matheus dos Santos Rosa também ingressou com mandado semelhante para adquirir gratuitamente dois tipos de insulina: glarcinia (tipo caneta) e ultrarrápida (novorapid), por ser acometido de diabetes. O estudante não tem condições de arcar com os custos da medicação. “O custo mensal é alto e incompatível com a realidade financeira do meu cliente”, informa a advogada Kátia Santos Cavalcante.

Segundo Kátia Cavalcante, a Secretaria de Saúde de Guarujá se negou a continuar fornecendo o medicamento porque Matheus Rosa completou 18 anos e que uma das insulinas não é mais fornecida pela rede municipal. Cada caneta de insulina prescrita custa entre R$ 380 e 430.

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“Há evidente risco de morte, bem como grave risco à saúde, posto que os poderes públicos não entregam a insulina recomendada. Os entes federativos têm o dever legal, moral e ético de fazer valer esse direito”, argumenta Kátia Cavalcante, entre outras considerações.

Estado e Prefeitura

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A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado informou que o aposentado Elizeu Clemente Costa recebeu a medicação no dia 1º deste mês. Já a Prefeitura de Guarujá, por meio da Secretaria de Saúde e da Coordenadoria de Assistência Farmacêutica, pede que o munícipe entre em contato com o órgão pelo telefone (130 3308-7749 para que possa ter viabilizada a retirada de seus medicamentos.