Cotidiano

'Ouro líquido': mel brasileiro surpreende e pode custar até 12 vezes mais que o comum

Considerado raro e sofisticado, esse tipo de mel chama atenção não só pelo preço, mas também pelas características únicas de sabor, textura e produção limitada

Ana Clara Durazzo

Publicado em 29/03/2026 às 15:12

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Enquanto o mel tradicional (de abelhas com ferrão) custa em média cerca de R$ 47 o litro, o mel das espécies nativas pode começar em R$ 120 e chegar a R$ 600 / ImageFX

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Você pagaria até R$ 600 por um litro de mel? Esse é o valor que alguns tipos do produto podem atingir no Brasil, especialmente quando são produzidos por abelhas sem ferrão, espécies nativas do país que vêm ganhando destaque no mercado e na alta gastronomia.

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Considerado raro e sofisticado, esse tipo de mel chama atenção não só pelo preço, mas também pelas características únicas de sabor, textura e produção limitada.

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Por que esse mel é tão caro?

A principal diferença está na forma de produção. As abelhas sem ferrão:

  • formam colônias menores
  • trabalham menos horas por dia
  • produzem muito menos mel

Como resultado, a oferta é limitada — o que eleva o valor no mercado.

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Enquanto o mel tradicional (de abelhas com ferrão) custa em média cerca de R$ 47 o litro, o mel das espécies nativas pode começar em R$ 120 e chegar a R$ 600

Em alguns casos mais raros, o preço pode ultrapassar esse valor e chegar a R$ 800 ou até mais de R$ 1.000 o litro, dependendo da espécie e da qualidade

Queridinho da alta gastronomia

O produto vem ganhando espaço em restaurantes sofisticados por apresentar características diferentes do mel comum:

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  • sabor mais ácido
  • textura mais líquida
  • aromas complexos

Esse perfil ocorre porque o mel dessas abelhas possui maior teor de água, favorecendo uma fermentação natural que cria sabores únicos, alguns lembrando madeira, frutas e até queijo.

O produto vem ganhando espaço em restaurantes sofisticados por apresentar características diferentes do mel comum

Um tesouro da biodiversidade brasileira

O Brasil é um dos países mais ricos nesse tipo de produção. Estima-se que existam mais de 250 espécies de abelhas sem ferrão no país, muitas delas nativas

Entre os méis mais conhecidos estão:

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  • jataí
  • mandaçaia
  • borá
  • tiúba

Diferente do mel tradicional, que é classificado pela florada (como laranjeira ou eucalipto), o mel dessas abelhas é identificado pela espécie que o produz.

Produção pequena, valor alto

Outro fator que pesa no preço é a produtividade. Algumas espécies produzem apenas 3 a 5 litros por colmeia ao ano, volume muito inferior ao das abelhas comuns

Além disso, o processo de extração é mais delicado, já que o mel é armazenado em pequenos potes naturais dentro das colmeias.

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O que chega ao consumidor

Apesar da enorme diversidade, a maioria dos supermercados ainda vende mel tradicional, muitas vezes misturado (blend) e sem indicação da origem floral.

Já o mel de abelhas sem ferrão costuma ser encontrado em:

  • feiras especializadas
  • produtores locais
  • lojas gourmet

Mercado em crescimento

A chamada meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) cresce no Brasil e vem se tornando uma alternativa sustentável e lucrativa.

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Além do valor gastronômico, o produto também é associado a propriedades medicinais e ao papel essencial dessas abelhas na polinização de plantas nativas.

Vale o preço?

Para especialistas, o alto valor reflete não apenas a raridade, mas também:

  • a preservação da biodiversidade
  • o trabalho artesanal
  • a qualidade diferenciada

Mesmo assim, o consumo ainda é restrito a nichos — e o mel de até R$ 600 segue sendo um produto para poucos.

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