“Operação mais difícil que SP já enfrentou”, diz Marcos Palumbo, capitão dos Bombeiros

Após mais de 100 horas de combate ao incêndio, chamas são menores na Alemoa. Trabalho, porém, não tem previsão de término. Fogo ainda continua em dois tanques de gasolina

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06 ABR 201520h35

Mais de 4 dias de combate ao fogo, 118 bombeiros, 36 caminhões, 4 embarcações bombeando água para resfriar 21 tanques. Os números dão a dimensão do incêndio que atingiu 6 tanques da empresa Ultracargo, na última quinta-feira, na Alemoa, em Santos, e que faz o capitão Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros do estado de São Paulo, classificar como a situação mais difícil enfrentada pela corporação.

“É a operação mais difícil que a emergência do estado de São Paulo já enfrentou. Não houve nenhum tipo de trabalho tão perigoso”, disse o militar. 

Apesar das mais de 105 horas de trabalho, esta ainda é a primeira fase do combate às chamas, como explica o capitão Alexsandro Vieira.

“Agora, se faz o resfriamento na parte defensiva, para propiciar uma defesa de propagação, mas essa é uma fase de combate ainda. Acabada essa fase, vem a de resfriamento, onde nenhum tanque pode ter calor. Câmeras térmicas vão analisar as estruturas dos tanques, as temperaturas dos líquidos. Só quando tudo estiver na temperatura normal, acaba essa fase e começa a fase de rescaldo. É quando a empresa, peritos, equipes podem adentrar as áreas para verificar se não tem nenhum foco, uma tubulação rompida, tanques com vazamento”, comentou Vieira.

Os trabalhos não tem previsão para término. Os ventos na região dificultam o combate ao fogo, que ainda persiste em dois tanques. “Houve uma mudança brusca do vento, jogando fumaça e foco de incêndio para a pista de combate, onde nós estamos. Agora esta mais difícil”, falou o capitão Alexsandro Vieira.

Os bombeiros devem adotar o ataque direto às chamas, utilizando a espuma para diminuir os focos de incêndio. Se obtiverem sucesso, a próxima etapa é prosseguir com o resfriamento para evitar uma nova ignição dentro dos tanques. “O líquido ainda está muito quente e há a possibilidade que, mesmo sem o fogo, o líquido quente possa ter uma ignição e recomeçar o fogo”, comentou Palumbo, acrescentando que 50 mil litros de espuma serão utilizados na ação.

Chamas são menores após mais de 100 horas de trabalho dos Bombeiros (Foto: Matheus Tagé/DL)

Sem demora

Durante amanhã foi realizada mais uma reunião no Gabinete de Gestão de Crise, na Prefeitura de Santos. Após o encontro, o vice-governador, Marcio França (PSB), disse que o foco do governo é priorizar a vida humana.

Ele disse não acreditar que houve demora na tomada das ações. “Caso de incidentes assim é impossível prever situações novas. A cada instante se trata uma coisa. Nesse instante, o que está lá é suficiente. São tanques grandes, um incêndio desse tamanho nós não temos há 40 anos. Temos todo cuidado para preservar a vida humana. Não houve nenhum tipo de vítima, o que é prioridade para nós”.

França também foi questionado sobre a questão de multas a serem aplicadas. Na ocasião, foi lembrado que no caso do incêndio na ilha Barnabé, em 1998, a punição foi aplicada logo no primeiro dia. “A multa foi aplicada, mas nunca foi cobrada. A multa em si não vale nada se não for cobrada. Medida feita no “oba-oba”, sem efetividade, não serve para nada. O que serve é a solução. Nesse instante, é solucionar o problema com o fogo. As medidas depois disso serão feitas de maneira incisiva”.

Também presente à reunião, o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), garantiu que os bairros vizinhos ao incêndio não correm nenhum tipo de risco.
“Não há nenhuma perspectiva para se instalar um plano de evacuação de nenhuma área da cidade de Santos, nem das cidades vizinhas”.

O prefeito também foi perguntado sobre as punições a serem aplicadas. Segundo Barbosa, tudo será apurado com rigor. “Vamost tomar medidas cabíveis necessárias, apurar com equilíbrio e rigor as responsabilidades e punir os responsáveis. Vamos ter todo o empenho porque uma situação como essa é inadmissível para a Cidade e para o País”.