Ônibus híbrido entra em circulação na linha 20 em Santos

Com dois motores, veículo deve gerar economia de 35% no consumo de combustível

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17 MAI 2017Por Diário do Litoral08h00
Ônibus com tecnologia hídrida passou a integrar a linha 20 do transporte público municipal. Prefeitura irá avaliar o veículo até dezembro, mas ideia é ampliar a frotaFoto: Divulgação/Prefeitura de Santos

A frota de ônibus municipais de Santos passou a contar, a partir de ontem, com um veículo com tecnologia híbrida. Ele integra a linha 20, que roda no trajeto entre as praças Mauá, no Centro, e Independência, no Gonzaga.

O ônibus utiliza dois motores, um elétrico e outro movido à diesel. O primeiro é utilizado quando está em velocidade até 20 km/h, após isso, passa a entrar em funcionamento o outro motor.

A bateria do motor elétrico é recarregada durantes as frenagens. Trata-se do Sistema de Recuperação de Energia Cinética (KERS, em inglês), similar aos utilizados, por exemplo, nos carros da Fórmula 1.

“Uma tecnologia que utiliza o motor elétrico compartilhado com o motor a diesel. Um híbrido. São pouquíssimos ônibus no Brasil. Na Baixada não há nenhum ônibus com essa tecnologia. É importante, pois acaba reduzindo no consumo de combustível. Tem a questão da sustentabilidade, a emissão de gases, isso acaba sendo importante do ponto de vista ambiental. E, obviamente, a gente conseguindo ampliar essa frota, tem o efeito na tarifa também. Todos esses insumos no transporte público são considerados no momento de considerar a tarifa”, analisou o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB).

A expectativa é que haja uma economia de 35% no consumo de combustível. Consequentemente, também haverá a redução da emissão de poluentes pelo veículo.

Segundo o prefeito, o veículo passará por avaliação até o final do ano, mas a ideia inicial é ampliar o número de híbridos na frota da Cidade.

De acordo com Alceu Cremonesi Junior, diretor da Piracicabana, empresa que realiza o de transporte público em Santos, ainda não é possível ter um diagnóstico sobre a viabilidade econômica para uma frota híbrida, mas que diversos fatores tem peso na decisão.

“É difícil fazer um julgamento sem conhecer, sem ter um histórico de operação. Eu acredito que se for comparar apenas com a questão da economia de combustível, talvez não seja. Mas se você pensar que tem todo um apelo ambiental por trás. Provavelmente, pelo que a gente roda em termos de quilometragem nesta linha, a equivalência ambiental é como se você plantasse mil árvores por ano. Isso tudo tem um peso muito grande numa decisão”, disse.

Os ônibus são compridos, com cerca de 1,5 metro a mais que os veículos convencionais, o que dá um ganho de cinco a seis poltronas para os passageiros. No entanto, o valor de uma unidade também pode chegar ao dobro do ônibus comum.

“É um veículo mais caro, até porque ele não é produzido em escala como os demais. Se você pegar os veículos de passeio, é difícil você achar um híbrido por menos de R$ 110 mil. E é um carro que, geralmente, custa R$ 60 mil. Não há nenhum tipo de incentivo, de isenção fiscal, e ainda não tem produção em escala. Essas coisas precisam acontecer para o veículo ser competitivo economicamente”, ponderou o diretor-presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos), Rogério Vilani.

Outra curiosidade é o design do ônibus, mais similar aos ônibus de viagem em comparação com os coletivos. De acordo com o diretor da Piracicabana, além de maior comprimento, ele possui o pé direito também maior e é mais utilizado para transportes como o BRT (Bus Rapid Transit).

Poucas unidades

O ônibus híbrido é desenvolvido pela empresa sueca Volvo. No Brasil, há 41 unidades em circulação, sendo 30 em Curitiba, onde fica a sede da ­companhia.

Outros cinco veículos são utilizados no Parque Nacional de Foz do Iguaçu para o atendimento de turistas. Além disso, existe um em linha turística em São Paulo, onde há outros três em teste, além de um em Caxias do Sul, também em fase de testes.

No mundo, são 3,3 mil ônibus híbridos, circulando em 21 países.

Trólebus

O ônibus híbrido entra numa linha onde, costumeiramente, circulam os trólebus. Entranto, o chefe do Executivo garantiu que a ideia é seguir com o ônibus antigo, que ele considera patrimônio santista.

“É um patrimônio histórico da cidade, que o santista está habituado. No próprio edital de licitação que nós publicamos foi uma das premissas contidas no edital. Não há possibilidade (de tirar de circulação)”, falou Barbosa.

O diretor-presidente da CET-Santos explicou que um problema nas linhas de alimentação do trólebus e do VLT, no cruzamento das avenidas Ana Costa e Francisco Glicério, é o entrave para o retorno dos trólebus.

“Essa questão está dependendo de uma adequação no cruzamento da linha do trólebus em função da linha do VLT. As duas alimentações se interseccionam ali. A EMTU está adequando a parte de alimentação para poder retornar os ônibus. Os veículos estão mantidos, aguardando essa questão da rede aérea para voltar a circular”, disse Vliani, que garantiu que não há reformas programadas para os ­trólebus.

Seletivo

Rogério Vilani também falou que uma nova licitação para os ônibus seletivos deverá ser lançada em maio.

“A manutenção do seletivo é desafiadora porque compete com outras modalidades que estão aparecendo. Ele vai ter o aplicativo, vai ter monitoramento por GPS que é importante para a fiscalização, do ponto de vista de ser mais eficiente no cumprimento das viagens. E colocar em contrato algumas coisas que a gente incorporou ao serviço ao longo do tempo”, comentou.