Ônibus em Santos e PG é mais caro do que em todas as capitais brasileiras

Com um valor de R$ 4,65, as cidades caiçaras superam até mesmo Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR), que atualmente cobram R$ 4,50 para tomar uma condução

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15 JAN 2020Por LG Rodrigues07h00
Com um valor de R$ 4,65, as cidades caiçaras superam até mesmo Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR), que cobram R$ 4,50Foto: Nair Bueno/Diário do Litoral

Santos e Praia Grande alcançaram um marco histórico, mas nada invejável, quando o relógio marcou meia-noite desta segunda-feira (13): os municípios passaram a contar com uma passagem mais cara do que aquela encontrada em todas as capitais do Brasil. Com um valor de R$ 4,65, as cidades caiçaras superam até mesmo Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR), que atualmente cobram R$ 4,50 para tomar uma condução.

A comparação entre as duas maiores cidades da Baixada Santista e outras metrópoles do Brasil foi feita pela primeira vez aqui no Diário do Litoral em agosto de 2019, quando foi verificado que tanto Santos, quanto Praia Grande, possuíam passagens de ônibus mais caras do que aquelas encontradas em 21 capitais.

Na época, a tarifa de R$ 4,30 era a mesma praticada em São Paulo (SP), Goiânia (GO) e Porto Alegre (RS) e ficava atrás apenas de Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Florianópolis (SC), que cobravam R$ 4,50, R$ 4,50 e R$, 4,40, respectivamente.

Com o novo aumento anunciado para 2020, Santos e Praia Grande conseguiram superar todas as capitais, em vista que, algumas delas, não tiveram acréscimo algum e aquelas que tiveram, foram baixas o suficiente para não 'fazer frente' aos municípios caiçaras.

São Paulo, por exemplo, cobrava a tarifa de R$ 4,30 durante todo 2019 (o mesmo valor praticado em Santos e Praia Grande) e neste ano a passagem aumentou em 10 centavos, ao contrário das cidades litorâneas, que decidiram aumentar em 35 centavos. Com isso, a Capital passou a cobrar R$ 4,40 e Santos e Praia Grande chegaram a R$ 4,65.

O valor revoltou a população, que questionou o motivo de tamanho aumento na passagem e também a falta de ações das administrações municipais para tentar barrar a nova tarifa, uma vez que a Prefeitura de Belo Horizonte conseguiu barrar na Justiça o aumento das passagens dos ônibus na capital mineira. Atualmente, o preço principal é de R$ 4,50, mas um sindicato tentou levar a tarifa principal a R$ 4,75, um aumento de 5,5%, e que superaria até mesmo Santos e Praia Grande.

"Com certeza esse aumento não se justifica, deveria custar R$ 3,00 e que eu saiba não teve nenhuma melhora, tanto que os ônibus continuam demorando a mesma coisa para chegar", afirma a cozinheira Ivoneide de Jesus.

"Eu comecei a trabalhar ontem (no dia do aumento) e no meu caso a minha empresa é que arca com os gastos da passagem de ônibus. Mas ainda assim, isso prejudica todo mundo e nem todo mundo tem vale transporte como eu. Podem ser apenas alguns centavos, mas no fim do mês, pesa bastante no bolso, especialmente de um pai de família que tem filhos para sustentar", conclui o aprendiz Arthur Henrique.

Explicações

Por meio de sua Secretaria de Comunicação, o município de Praia Grande justifica que o cálculo da tarifa utiliza critérios da Planilha GEIPOT. Impactam no custo final reajustes de combustível, pneu, despesa com pessoal, entre outros. A empresa concessionária do serviço na cidade pleiteou inicialmente um valor maior, não aceito e reavaliado pela Administração Municipal.

Já Santos afirma que a definição do novo valor considerou fatores como reajuste de salários ( 5%), aumento do custo de combustível ( 8%) e de peças ( 12%). As variações correspondem a período de 12 meses (dezembro de 2018 a novembro de 2019). O município destaca ainda que, nesse intervalo, o fator com maior impacto na atualização da tarifa foi a redução no número de passageiros transportados pelo sistema (- 8%). 

Câmara não aprova tarifa

Não foi apenas a população que desaprovou as novas tarifas. Em notas, a Câmara Municipal afirma que encaminhou um ofício à CET Santos, na sexta (10), questionando o reajuste no valor da tarifa do transporte público. O preço, que passou de R$ 4,30 para R$ 4,65, representa um aumento percentual de 8,1%, praticamente o dobro da correção inflacionária do último ano (4,31%).

Dentre os parlamentares que decidiram se pronunciar sobre a medida, destaque para Telma de Souza (PT), que ironizou a promessa da atual administração, que prometeu baratear os preços.

"Na última campanha eleitoral, para se reeleger, o atual prefeito se comprometeu a baratear o transporte coletivo em Santos. Hoje (segunda-feira) quem utilizou os ônibus municipais pôde comprovar que a promessa ficou muito longe da realidade", finaliza.