Os óculos de sol ostentados pelo presidente da França, Emmanuel Macron, viralizaram nas redes sociais / Reprodução/Instagram
Continua depois da publicidade
No prestigiado Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, um acessório inesperado logrou dividir o protagonismo com os complexos debates sobre a economia global. Os óculos de sol ostentados pelo presidente da França, Emmanuel Macron, viralizaram nas redes sociais e despertaram uma onda de curiosidade cosmopolita. O acessório, cujo valor supera os 650 euros (cerca de R$ 3,5 mil), leva a assinatura da manufatura francesa Henry Jullien, uma grife especializada em alta cutelaria óptica de luxo.
Exibindo um visual espelhado com clara inspiração na estética “Top Gun”, o modelo Pacific S01 ganhou os holofotes ao acompanhar Macron em sua concorrida agenda de reuniões e discursos no evento internacional. tamanha repercussão reconduziu ao centro das atenções a Henry Jullien, manufatura fundada em 1921 no Alto Jura, região que se consolidou historicamente como o berço da produção óptica em território francês.
Continua depois da publicidade
Embora preserve sua produção em solo gaulês, a marca opera sob controle de capital italiano desde 2023. Contudo, essa transição não afetou seu posicionamento de nicho e o rigoroso caráter artesanal que a consagraram como uma referência absoluta no exigente segmento premium.
Com um legado que ultrapassa um século, a Henry Jullien é mundialmente reverenciada pelo domínio de técnicas raras, especialmente na confecção de armações em ouro maciço e em “doublé ouro”, um método de revestimento significativamente mais espesso e perene do que o convencional banho de metal. Esta produção de altíssima especialização é detida por apenas duas empresas em todo o globo, sendo a Henry Jullien a única guardiã desse exclusivo savoir-faire na França.
Continua depois da publicidade
Estrategicamente instalada no Jura, a manufatura é reverenciada como um dos últimos bastiões da autêntica produção francesa de óculos de luxo, resistindo bravamente em um mercado de consumo cada vez mais globalizado e massificado.
A cronologia recente da marca revela um percurso marcado por reestruturações estratégicas. Em 2017, a Henry Jullien foi incorporada pelo grupo francês L’Amy, instituição centenária fundada em 1810. Após atravessar turbulências acentuadas pelo cenário pandêmico, o grupo ingressou em recuperação judicial em 2020, passando posteriormente a compor a holding L’Amy Luxe, contando com o suporte de investidores suíços e norte-americanos.
O capítulo seguinte dessa evolução ocorreu em setembro de 2023, data em que a Henry Jullien foi adquirida pelo grupo italiano iVision Tech, gigante listado em bolsa e especializado em tecnologias ópticas de vanguarda e smart glasses. Segundo comunicado da companhia, a transição buscou harmonizar o inquestionável prestígio do selo “made in France” à robusta estrutura industrial da Itália.
Continua depois da publicidade
Em entrevista ao portal especializado Acuité, o CEO da iVision Tech, Stefano Fulchir, reiterou que a estratégia foca no fortalecimento da produção de artigos de alto luxo e na expansão da marca em mercados tradicionais da óptica global, assegurando a preservação da identidade artesanal francesa.
Mesmo com a alteração no controle acionário, o coração da produção permanece no Jura, onde todo o processo artesanal foi rigorosamente mantido. A empresa enfatiza com vigor que não houve deslocamento industrial, tampouco qualquer descaracterização da essência da marca.
Os frutos dessa gestão começam a ser colhidos: em 2024, a Henry Jullien foi laureada com o Grande Prêmio do Júri na categoria Design do Graziella Pagni Eyewear Award, uma das maiores honrarias internacionais que celebra a inovação e a excelência no setor de luxo. De acordo com a própria marca, o prêmio é o reflexo direto de “o estilo e a elegância que definem a identidade Henry Jullien”.
Continua depois da publicidade
A marcante aparição em Davos, impulsionada pelo estilo icônico de Emmanuel Macron, serviu como uma poderosa vitrine global para esta manufatura centenária, que hoje equilibra com maestria a tradição francesa, o aporte de capital internacional e um posicionamento inabalável no mercado de altíssimo padrão.