Obras forçam moradores a deixar a cidade

Munícipes têm se mudado dos bairros ao redor da obra por causa dos transtornos.

Após 49 anos de dedicação e luta pelo bairro Jardim Piratininga, Francisco do Nascimento, Seu Chico, como é conhecido, voltará para a terra de onde partiu nos anos 50.

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Em 1955, Chico, ainda um garoto de 19 anos, partiu de Sergipe em direção a Santos em busca dos sonhos de uma vida melhor. “Cheguei em 17 de fevereiro, no dia seguinte fiz 20 anos. Vim para São Paulo solteiro, seis anos depois já estava casado e com filho”, comenta Seu Chico, que inicialmente morava na rua Liberdade, no Embaré.

“Me mudei para o Jd. Piratininga em agosto de 70. Quando cheguei era tudo lama, não tinha transporte, escola, asfalto, nada, apenas 94 casas. O primeiro asfalto, em 1978, foi pago pelos próprios moradores”, conta ele, que desde 1978 é Presidente da Sociedade de Melhoramentos do bairro.

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Fundada em 1972, a Sociedade de Melhoramentos fez parte das principais lutas e conquistas sociais do local. “Demorei sete anos construindo com minhas mãos e estou até hoje na diretoria, entre altos e baixos”. A prefeitura repassa uma verba mensal de R$ 800 para a manutenção e gastos do espaço.

Após quase meio século de lutas, chegou o dia da mudança. Mas a causa não é de se comemorar, pelo contrário, a vontade da mudança surgiu com o início das obras da nova entrada de Santos. E o principal motivo é o incômodo gerado pela execução e pelos transtornos que virão com o fim das obras.

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“Você está vendo a situação, a que ponto chegou, com esse viaduto quase em cima do passeio. Brigamos, estamos brigando junto com a defensoria pública, mas até agora não teve jeito. Além do viaduto quase em cima das nossas casas, ainda querem desviar o trânsito da Anchieta pra cá, aquele monte de carreta, aquele barulho”.

Devido a reestruturação, alguns elevados, pontes e viadutos serão construídos. Um destes equipamentos está sendo erguido a cerca de 5 metros de distância do portão de várias famílias. E um desses portões é o do Seu Chico e de sua esposa.

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Além dos transtornos, como barulhos intensos de máquinas e trabalhadores, um dos maiores inconvenientes é o trânsito. Com as alterações e fechamentos de vias, congestionamentos têm se tornado comum no dia a dia.

A Ecovias explicou que alguns acessos temporários serão necessários para a conclusão da obra, mas garantiu que o trajeto definitivo não afetará a Rua dos Portugueses.

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O presidente da Sociedade de Melhoramentos alega que os responsáveis pela obra apresentaram um projeto, porém na hora da execução descumpriram com o que tinha sido apresentado, aceito e acordado com os moradores.

“Quando apresentaram o projeto, era tudo diferente, o viaduto era lá pra frente, aí mudaram o traçado sem aviso prévio e estão construindo quase em cima das nossas casas”.

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Com a proximidade da obra das residências, moradores denunciam também que rachaduras têm aparecido dentro de casas, o que tem abalado a estrutura de alguns imóveis e consequentemente o preço de venda e locação.

“Desvalorização total dos imóveis do bairro. Muita gente já se mudou ou está para se mudar. Nunca vi tanta casa vazia e tanta casa para alugar ou vender”.

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LUTA

Com a vida marcada por lutas, Seu Chico segue tentando amenizar o impacto no bairro. “Fechamos a rodovia junto com várias famílias. Mas brigar contra o Estado e contra a Ecovias é difícil”.

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Hoje, com 83 anos, seu Chico diz que quer sossego e descansar o tempo que lhe resta em um local tranquilo, “como era o bairro há uns anos atrás”.

“Vou para Aracaju, já aluguei uma casinha lá, aqui não fico mais, isso aqui me desgostou muito, minha rua acabou”.