Obras de saúde e educação não têm data para serem entregues em Santos

Obra da UPA acumula problema desde o anúncio da construção; na Vila São Jorge, escola não sai do papel

Em meados de 2015 a promessa da Administração Municipal Santista era que bairro da Aparecida receberia – em parceria com o Governo Federal – uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que funcionaria no mesmo terreno onde outrora estava instalado o PS da Zona Leste. Passados quase dois anos do anúncio da obra, o espaço está atualmente ocupado por entulhos resultantes da demolição do equipamento de saúde. Não há, desde agosto, vislumbres de atividades, tampouco funcionários no local.

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Orçada em R$ 5.595.883,73, a obra da UPA foi cercada por problemas desde o início dos trabalhos. Isso porque a reforma no imóvel provisório para atendimento consumiu quase R$1 milhão, dentre as prestações do aluguel e a reforma para adequação. Após o término dos serviços, a casa ficou fechada por meses, sofrendo desgastes na estrutura e se transformando em abrigo para pessoas em situação de rua.

A demolição do antigo PS em detrimento de uma ampla reforma no equipamento também foi uma crítica recorrente de munícipes e vereadores, além da preocupação de funcionários e pais de alunos da Escola Estadual Suetônio Bittencourt Junior. O primeiro grupo temia a descentralização do trabalho após o fechamento da unidade e o segundo questionava a segurança da escola após a instalação dos tapumes na obra.

Após todos os contratempos, a construção da UPA teve início em junho passado. A previsão para entrega da unidade era setembro desde ano, no entanto, o terreno sequer foi preparado para o início dos atividades.

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Em coletiva na última quinta-feira o prefeito Paulo Alexandre Barbosa afirmou que o motivo para a paralisação da obra é a ausência de repasse do Governo Federal. De acordo com o prefeito, o Ministério da Saúde repassou apenas 10% do valor e não haveria previsão do recebimento do restante da verba devido à crise nacional. Barbosa ressaltou ainda que os 10% depositados (aproximadamente R$400 mil) foram empenhados apenas na demolição da unidade de saúde. A reportagem questionou o Governo Fereal que desmentiu a informação.

Por meio de nota, o Ministério de Saúde explicou que o atraso no envio de informações comprovatórias da realização da 1ª etapa da obra da UPA da Zona Leste, por parte do município de Santos, inviabilizou o repasse da segunda parcela dos recursos previstos para continuidade da obra. Destaca ainda que foi solicitado à gestão local que adequasse as informações de pagamento no Sistema de Monitoramento de Obras. Com a atualização das informações, o Ministério da Saúde adotará os trâmites para pagamento da 2ª parcela.

A Prefeitura de Santos já admite que, em função da paralisação, não há prazo para término dos serviços.

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Obra

O projeto da nova UPA prevê um total de 3.074,04 m² de área construída, dois pavimentos acessíveis, além do subsolo (térreo e andar superior) e dois elevadores. Serão oferecidos cerca de 30 leitos, sendo quatro de emergência, dois de observação pediátrica e uma sala de espera para 54 lugares, com ­recepção.

Na Vila São Jorge, construção de escola se arrasta há dois anos

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As fotos que ilustram essa reportagem bem poderiam ter sido feitas no intervalo de algumas horas. No entanto, há entre elas uma diferença de sete meses. O período corresponde quase aos dez meses estipulados em contrato com a Eplan Projetos e Construções LTD para a entrega da UME Vila São Jorge, com o agravante de que na primeira imagem a obra já estava atrasada há 30 dias.

Na mesma coletiva em que citou o atraso no repasse do Ministério da Saúde o prefeito de Santos informou que a construção da Unidade Municipal de Ensino com capacidade para atender 165 alunos da rede básica de educação de Santos está paralisada porque a empresa responsável pela obra faliu e a prefeitura reincidiu contrato para realizar a relicitação da obra. Em consulta ao site do TJSP, no entanto, a reportagem constatou que embora a referida empresa seja devedora em alguns processos, ainda não está em processo específico de falência ou recuperação judicial.

Anunciada no Diário Oficial do dia 26 de junho de 2015, a previsão inicial era que a unidade, localizada na Avenida Nossa Senhora de Fátima, ficasse pronta em 10 meses. Em julho, com o prazo já comprometido, a Administração não informou os motivos para o atraso no prazo de entrega.

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Em dezembro, com a obra já paralisada há quatro meses, a Administração informou que já foram executados 40% dos serviços. No entanto, não respondeu sobre o motivo da paralisação dos serviços no espaço e nem quando eles serão retomados, ressaltando que o novo prazo para entrega era o segundo semestre de 2017.  Agora, não há mais prazo para a finalização do trabalho.