Cotidiano

Obra no PS da Zona Leste de Santos preocupa funcionários

Profissionais estão apreensivos com possível alteração na jornada de trabalho e deslocamento para outras unidades de saúde

Rafaella Martinez

Publicado em 12/08/2016 às 08:00

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Profissionais do PS da Zona Leste realizaram uma reunião em frente a unidade de saúde na manhã de ontem / Matheus Tagé/DL

A demolição e reforma do PS da Zona Leste de Santos – que deverá abrigar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) – está causando dor de cabeça para os profissionais que trabalham na unidade. Eles se reuniram na manhã de ontem para questionar a falta de informação por parte da Administração santista sobre o deslocamento para a unidade provisória de atendimento.

De acordo com os funcionários, a notícia de que a obra começará em breve chegou juntamente com a retirada dos equipamentos de ar-condicionado e outros materiais para transferência para unidade. Eles temem que ocorram alterações na jornada de trabalho em decorrência da mudança, uma vez que a unidade provisória terá capacidade menor de atendimentos e não abrigará todos os serviços realizados no PS.

“Estamos sem informações e sem respostas. Nada é dito para os funcionários. Escutamos que vamos mudar no dia 15, mas ninguém fala nada. Resumindo: estão privatizando a cidade e tratando os funcionários como lixo. É uma absurdo, pois a Prefeitura tem profissionais concursados para trabalhar e tem o prédio, mas preferem fazer mudanças sem propósitos e gestão por OS”, destacou a técnica de enfermagem Alessandra Bibian.

De acordo com os profissionais, os equipamentos de ar-condicionado da unidade começaram a ser retirados há 15 dias. Eles afirmam que atualmente o PS possui 16 leitos, sala de radiografia, ortopedia e pediatria, além de uma sala de emergência com uma cama e capacidade de alocar outras 5 macas. A nova unidade conta com 4 leitos, e apenas os serviços de enfermagem e clinica geral.

“Não sabemos se os plantões e horários serão mantidos e para onde nós vamos. No novo imóvel não cabe nem um terço dos profissionais, além de não atender toda a demanda. A população que vai sofrer. Não sairemos daqui. Ou vai todo mundo para o mesmo lugar ou ninguém vai”, afirma a auxiliar de enfermagem Silvete Hadad.

Sindicatos

Representantes de dois sindicatos também se reuniram com os profissionais na manhã de ontem. De acordo com Flávio Saraiva, diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindiserv), os trabalhadores exigem a presença do secretário de saúde dentro da unidade.

“Vamos escrever uma carta para população para esclarecer os riscos do pronto-socorro ser efetivamente retirado daqui e retornar posteriormente como uma UPA, com serviços completamente reduzidos. Esse material será distribuído aqui no bairro, para informar para população que o atendimento de saúde está correndo risco”, afirmou.

Josias Aparecido Pereira da Silva, diretor jurídico do Sindicato dos Estatutários (Sindest), apontou falhas de planejamento. “Havia a possibilidade de mudança de endereço com a ausência de transferência total dos funcionários para o local provisório. A Administração teve um período grande para buscar um local onde pudesse colocar todos os serviços e funcionários e isso não foi feito. No novo endereço, o paciente que tiver um problema respiratório não poderá ser atendido, pois o médico não tem o auxílio do raio-x para ter um diagnóstico”, finalizou.

Problemas marcaram reforma de imóvel provisório alugado

Alugado pela Prefeitura de Santos por um valor mensal de R$ 25 mil desde o ano passado, a reforma de adequação do imóvel localizado na Avenida Afonso Pena, 386 é cercado por problemas desde o início.

A obra de adequação consumiu R$136 mil a mais do que o valor inicialmente orçado. Em maio, após o término da obra, a estrutura do imóvel precisou passar por adequações solicitadas pela Vigilância Sanitária.

A obra também foi entregue com três meses de atraso. Além disso, a Administração postergou em duas ocasiões a data de abertura do equipamento. A primeira data informada era para o primeiro semestre de 2016.

Com a obra finalizada e sem utilização, a parte frontal do imóvel se transformou em um abrigo provisório para moradores de rua.

Prefeitura diz que funcionários não serão prejudicados

Em entrevista, Marco Sérgio Duarte, chefe do departamento de atendimento pré-hospitalar e hospitalar de Santos, afirmou que nenhum funcionário do PS da Zona Leste será prejudicado com a alteração. De acordo com ele, os horários dos plantões e os direitos dos trabalhadores serão garantidos. “A maior parte será absorvida pela necessidade na unidade provisória. Os que não forem para lá serão direcionados para outras unidades e ajudarão na retaguarda”, afirmou.

Duarte garantiu que a Administração buscou um local que melhor atendesse a demanda. “Enquanto a obra estiver sendo realizada, a Administração precisou garantir o atendimento dentro da área geográfica. O melhor foi esse onde foram realizadas as intervenções para garantir o pronto atendimento. Temos em termos de unidades de emergências o PS da Zona Noroeste, a UPA Central e o PS Central. Essas unidades são distribuídas para garantir a proteção de toda área”, disse.

Questionado sobre a redução na capacidade de atendimento, o chefe de departamento garantiu que a população não sofrerá transtornos.

“Como o imóvel provisório não pode garantir o atendimento de ortopedia, esse serviço estará garantido na UPA Central ou no PS da Zona Noroeste. O mesmo acontecerá com a radiografia. Não foi possível colocar salas específicas dentro do projeto arquitetônico da unidade provisória. Isso não é um problema, pois vamos garantir um transporte para os pacientes que tenham necessidade de uma avaliação radiológica até uma unidade próxima. Posteriormente o paciente voltará para o médico de origem com o exame em mãos”.

A obra de reforma está prevista para durar 18 meses. Ela é uma parceria entre o Governo Federal e Municipal, ao custo de R$ 6 milhões. O início dos trabalhos deve acontecer nos próximos dias. A Prefeitura de Santos ainda não sabe informar qual modelo de gestão será implantado na unidade.

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