A notícia veiculada semana passada de que o Mercado do Peixe, na Ponta da Praia, em Santos, mudaria de lugar surpreendeu munícipes e permissionários que, obviamente, são os mais interessados em saber para qual rumo seguirá o seu ganha-pão.
De acordo com o projeto anunciado pela prefeitura, a “Nova Ponta da Praia” será repaginada por uma grande obra orçada em R$ 130 milhões e não terá custo para o Município, já que será feita em parceria público-privada pelo Grupo Mendes, que em contrapartida construirá imóveis no bairro.
Entre as principais obras está o novo edifício do Mercado de Peixes. Construído em uma área de 1,7 mil metros quadrados, na Avenida Mário Covas, contará com 20 boxes (cinco a mais que o atual, que será extinto) e dois para comercialização de produtos como temperos e artigos de pesca. O ambiente será climatizado e contará com bar no mezanino e vestiário para os funcionários. Haverá ainda câmara fria nos boxes e espaço refrigerado para triagem, gelo e lixo. O estacionamento somará 40 vagas e o acesso de serviço será independente.
Se no papel o projeto parece funcional, na prática não garante o mesmo potencial. Ana Maria de Andrade, que há mais de 20 anos está a frente do Box 9 no Mercado, diz que saiu apreensiva da audiência entre os permissionários e o gestor do projeto, Glaucus Farinello, realizada no Paço Municipal, no último dia 23.
“Estou preocupada com o espaço físico dos boxes, que será menor que este. Só eu tenho cerca de 15 funcionários que precisam ter um espaço para almoçar e guardar seus pertences. Também é necessário um local para armazenar as embalagens, sacolas, coisas que usamos na rotina. Saí da reunião preocupada porque quem está fazendo o projeto não me pareceu ter muita noção do que é o dia a dia em um mercado de peixes. Não sei se irá levar em conta o que sinalizamos”, justifica.
O que foi sinalizado, segundo ela, foram pedidos de um espaço maior entre um box e outro para que as caixas com mercadorias possam passar e a reposição possa ser feita mesmo em dias de grande movimento; preocupação com o odor porque por mais que o novo prédio seja climatizado, é em ambiente fechado; local para estacionar os caminhões (atualmente ficam no pátio do Terminal Pesqueiro Público de Santos), tamanho do refeitório; área para desembarque da mercadoria; e falta de um local específico para estoque e atividades financeiras.
Maria diz ainda que não aconteceram conversas anteriores à apresentação do projeto entre o poder público e os permissionários, apenas foram comunicados quando tudo já estava pronto.
“A falta de diálogo foi desrespeitosa com a gente e gerou este tipo de problema, onde um projeto não contempla as necessidades de quem vai trabalhar no local, de fato”.
No box atual a permissionária sofre com a mesma falta de espaço que reivindicou na reunião, mas que de acordo com ela poderia ser sanada se o projeto tivesse sido pensado com a colaboração de quem vive a rotina do mercado.
Rua do Peixe
Já os permissionários da Rua do Peixe (Rua Áurea Gonzalez Conde) estão mais tranquilos com a nova instalação, já que há anos enfrentam na justiça ações que pedem a transferência deles para outro ponto da cidade.
“A gente ficou feliz com essa notícia. O local é bom, é perto, vai ficar bonito”, diz Zelaine, responsável por um dos boxes mais antigos da via.
Questionada sobre a estrutura, também se mostrou apreensiva com o espaço menor e a falta de boxes suficientes para todos os permissionários da rua.
“O projeto conta com 20 boxes, mas só aqui temos 11 funcionando, mais o pessoal do Mercado, não vai caber todo mundo. Alguém vai ficar de fora e isso é preocupante”.
