Obra do túnel Santos-Guarujá fica mais cara por mais desapropriações

Despesas administrativas da Dersa também foram incluídas no projeto

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23 AGO 201400h02

O aumento do número de desapropriações, em Guarujá, é um dos motivos apontados pela Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) para a elevação dos custos das obras do túnel Santos-Guarujá, que passou de R$ 2,5 bilhões, estimados em 2012, para R$ 3,2 bilhões, projetados para 2018. De acordo com a estatal, nas 969 casas, previstas para serem removidas, existem atualmente 1.446 famílias. No projeto anterior, o número era de 1.190.

Os custos de despesas administrativas e de pessoal da Dersa, responsável pela obra, também foram incluídos no projeto encaminhado para Assembleia Legislativa, que prevê a autorização de realização de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O item ficou de fora da antiga proposta, que previa o financiamento junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O órgão não entendia a questão como contrapartida.

Segundo o presidente da Dersa, Laurence Casagrande, a base de cálculo do novo projeto é deste ano, e tem projeção de 6% ao ano até 2018. “Em 2012 a obra custaria R$ 2,519 bilhões. Agora, com o ajuste do projeto, fica R$ 2,822 bilhões. A diferença é de R$ 303 milhões. Desse total, R$ 113 milhões para as desapropriações e custos administrativos ”, explica. Ele destaca que o restante, R$ 190 milhões, é relativo à inflação calculada entre setembro de 2012 e junho de 2014.

Início das obras está previsto para janeiro de 2015, com término em 2018 (Foto: Reprodução)

Questionado sobre o início das desapropriações, Casagrande informou que as obras começarão em uma área do Governo Federal onde não há habitações, e que elas ocorrerão gradualmente até 2016. Um conjunto habitacional deverá ser construído próximo ao local da intervenção, na Prainha, em Guarujá. Do lado de Santos, estão previstas a remoção de 175 casas. Nesse caso, a avaliação imobiliária seguirá a planta geral do setor atualizada de valor do mercado.

O cadastramento de imóveis e famílias que deverão ser desapropriadas ou reassentadas não teve início. Isso deve ocorrer após a publicação de um Decreto de Utilidade Pública que ocorrerá até o final de dezembro, segundo o presidente da Dersa. Em entrevista ao Diário do Litoral, em abril, Casagrande afirmou que as visitas começariam em junho.

O presidente da Dersa disse também que o edital de pré-qualificação, voltado às empresas interessadas em participar da obra, será lançado na próxima quarta-feira (27). Os envelopes com as propostas deverão ser abertos no dia 14 de outubro.

O BNDES financiará 72,6% do projeto, e o restante será com recursos do Estado.