Depois que as câmaras de Santos e Guarujá resolveram instituir comissões especiais para investigar o incêndio no pátio de cargas do terminal alfandegado da Localfrio, na Margem Esquerda do Porto de Santos, em Guarujá, é a vez da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Guarujá cobrar responsabilidades sobre o episódio. O acidente gerou 175 atendimentos médicos e pode ter causado a morte de uma idosa de 68 após ter inalado a fumaça gerada pelo vazamento tóxico.
Ontem, o presidente da entidade, Paulo Roberto Fiorotto Rodrigues Júnior, e o coordenador da Comissão de Meio Ambiente, Glauber Rogério do Nascimento Souto, encaminharam um ofício à presidência do Grupo Localfrio. Os advogados fizeram sete questionamentos à empresa e, dependendo das respostas, estudarão se vão, ou não, adotar medidas judiciais visando cobrar responsabilidades.
“Estamos questionando alguns procedimentos da empresa, inclusive a questão do falecimento da senhora, com intuito de não deixar este grave evento se repita. Queremos fiscalizar a investigação que será realizada, auxiliando os órgãos competentes e defendendo os preceitos insculpidos na Constituição Federal, principalmente no que tange ao meio ambiente”, disse Glauber Souto.
Os questionamentos da OAB de Guarujá são os seguintes: qual a causa do acidente; quais os produtos envolvidos, perigos para a saúde a médio e longo prazos; se o terminal possui autorização para armazenagem dos produtos e qual o tempo de resposta do plano de auxílio mútuo.
Também se a empresa possui plano de contingência, emergência e evacuação, inclusive de moradores próximos; se tem conhecimento de mais perdas de vidas e, por fim, quais as providências que serão adotadas para evitar futuros acidentes.
Laudo sai dia 17
Um laudo parcial, resultado do trabalho envolvendo técnicos Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com o resultado das causas do incêndio será apresentado oficialmente pela Localfrio no próximo dia 17. Técnicos da empresa também fazem parte do trabalho.
A área foi isolada e o Corpo de Bombeiros segue monitorando o espaço. O incêndio ocorreu após a substância dicloroisocianurato de sódio, que estava armazenada em formato granulado e em pequenos pacotes dentro de um contêiner, ter entrado em contato com a água, liberando um gás que provocou o fogo e, consequentemente, emissão de fumaça tóxica na atmosfera.
