Cotidiano

O trem que ligava a Baixada Santista ao interior de SP pode voltar após quase 30 anos parado

CPTM estuda dois projetos distintos para retomar ligação ferroviária entre o litoral sul de São Paulo, a capital e o Vale do Ribeira

Nathalia Alves

Publicado em 10/04/2026 às 14:45

Atualizado em 10/04/2026 às 16:16

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Estudo da CPTM prevê trens expressos e paradores conectando todo o litoral sul; veja as estimativas de tempo / Reprodução/Imagem feita por IA

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O que hoje é apenas memória para antigos moradores da Baixada Santista e do Vale do Ribeira pode voltar a ser realidade nos próximos anos.

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A ferrovia Santos-Juquiá, que por décadas transportou passageiros e cargas entre o litoral sul de São Paulo e a capital, é objeto de dois projetos distintos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), embora ainda sem uma proposta de integração direta entre eles.

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História da ferrovia

A ferrovia Santos-Juquiá foi construída originalmente para conectar o Porto de Santos ao município de Juquiá, atravessando cidades como Itanhaém e Peruíbe.

Construída com bitola métrica, a malha foi ampliada em 1986 pela Fepasa com a extensão de 70 quilômetros entre Juquiá e Cajati, integrando também a cidade de Registro ao percurso.

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Durante o século 20, o ramal operava de forma integrada à capital paulista. O serviço de passageiros partia da Estação Barra Funda e seguia pelos trilhos das linhas 8 e 9 até chegar ao extremo sul da cidade, para então descer a serra pela ferrovia que liga a Baixada a Mairinque.

A logística era peculiar pois ao chegar em Samaritá, no município de São Vicente, os vagões vindos de São Paulo eram acoplados às composições que seguiam viagem para Juquiá.

s trilhos que um dia levavam passageiros de Santos ao Vale do Ribeira ainda existem  mas estão encobertos pelo tempo. A ferrovia foi desativada em 1997 e, desde então, espera por uma segunda chance/ Thomas Corrêa
s trilhos que um dia levavam passageiros de Santos ao Vale do Ribeira ainda existem mas estão encobertos pelo tempo. A ferrovia foi desativada em 1997 e, desde então, espera por uma segunda chance/ Thomas Corrêa
Em seu auge, nos anos 1960, a ferrovia Santos-Juquiá oferecia sete horários diários partindo da Estação Ana Costa. O que era rotina para gerações de moradores da Baixada Santista virou memória/Wanderley Duck
Em seu auge, nos anos 1960, a ferrovia Santos-Juquiá oferecia sete horários diários partindo da Estação Ana Costa. O que era rotina para gerações de moradores da Baixada Santista virou memória/Wanderley Duck
Da Baixada Santista ao Vale do Ribeira, o trajeto atravessa cidades, serra e paisagens que poucos paulistas conhecem de trem. O novo projeto prevê um percurso expresso de cerca de 2h20 entre Santos e Cajati/ Márcio Ribeiro/DL
Da Baixada Santista ao Vale do Ribeira, o trajeto atravessa cidades, serra e paisagens que poucos paulistas conhecem de trem. O novo projeto prevê um percurso expresso de cerca de 2h20 entre Santos e Cajati/ Márcio Ribeiro/DL
A Estação Ana Costa, em Santos, foi por décadas o ponto de partida de quem viajava de trem ao interior. O projeto da CPTM prevê que Santos volte a ter uma estação ativa na nova linha, com 13 paradas ao longo de 223 quilômetros/Wanderley Duck
A Estação Ana Costa, em Santos, foi por décadas o ponto de partida de quem viajava de trem ao interior. O projeto da CPTM prevê que Santos volte a ter uma estação ativa na nova linha, com 13 paradas ao longo de 223 quilômetros/Wanderley Duck
Além de 32 mil passageiros, novos trilhos devem transportar 600 contêineres por dia entre o porto e o Vale do Ribeira/Waldir Rueda
Além de 32 mil passageiros, novos trilhos devem transportar 600 contêineres por dia entre o porto e o Vale do Ribeira/Waldir Rueda

Além da conexão com a capital, existia um serviço diário que saía da Estação Ana Costa, em Santos, com destino ao Vale do Ribeira. Essa linha de passageiros operou até o ano de 1997. Em seu período de maior movimento, durante a década de 1960, a ferrovia chegava a oferecer sete horários diários partindo de Santos.

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Perspectivas futuras

Atualmente, o futuro desses trilhos é discutido em dois projetos distintos, embora ainda sem uma proposta de integração direta.

Trem Intercidades (TIC) SantosCajati

A CPTM está em fase final de elaboração do projeto funcional SantosCajati, que prevê uma nova ligação ferroviária entre o litoral e o Vale do Ribeira, com 223,6 quilômetros de extensão.

O estudo é conduzido pela área de Desenvolvimento e Expansão de Transporte da companhia e integra as ações do Governo do Estado de São Paulo voltadas à inclusão territorial, mobilidade sustentável e desenvolvimento regional.

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Atualmente, estão em andamento o levantamento topográfico aerofotogramétrico da região, que será concluído ainda este ano, e os estudos técnicos que subsidiarão o anteprojeto de engenharia, com início previsto para dezembro de 2025.

O documento serve de base para viabilizar a contratação integrada ou uma possível concessão.

O projeto prevê 13 estações ao longo do percurso: Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Itariri, Pedro de Toledo, Miracatu, Juquiá, Registro, Jacupiranga e Cajati. As vias existentes nesse trajeto passarão por análise técnica e, quando possível, serão recuperadas para reaproveitamento da malha ferroviária já implantada.

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O tempo estimado de percurso no serviço expresso será de aproximadamente 2 horas e 20 minutos (136 minutos). A linha contemplará dois serviços paradores: SantosPeruíbe, com tempo médio de 48 minutos, e PeruíbeCajati, com 114 minutos.

A estimativa é de que o novo trem atenda até 32 mil passageiros por dia e movimente cerca de 600 contêineres diariamente, fortalecendo o transporte de carga e passageiros entre o litoral e o interior.

O custo total estimado do empreendimento varia entre R$ 19 e 21 bilhões, valor que será detalhado na fase de anteprojeto de engenharia.

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Trem Intercidades (TIC) Eixo Sul

Paralelamente, um segundo projeto prevê um trem que conecta a capital paulista à Baixada Santista e a outras cidades litorâneas. A iniciativa entrou na fase de análises técnicas e deve ter extensão entre 80 e 130 quilômetros. Assim, o trem ligando a capital ao litoral deve voltar a circular após 150 anos.

No momento, estão em execução os estudos técnicos, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027. Depois virão as fases de audiência pública, elaboração do edital, realização do leilão e assinatura do contrato.

Com percurso estimado entre 80 e 130 quilômetros, o trajeto do Eixo Sul deverá ser feito em cerca de 1h30. O empreendimento deve gerar aproximadamente 13 mil vagas de trabalho e tem como objetivo aliviar o fluxo de veículos no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI).

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Três rotas em análise

Três rotas estão em estudo para a ligação entre São Paulo e a Baixada Santista:

Primeira opção: sugere como ponto final a Estação Brás, passando pela Via ABC e por Paranapiacaba, área onde há operação da linha de cremalheira. Porém, a competição com o transporte de cargas dificulta a adoção dessa alternativa.

Segunda opção: prevê como destino a Estação Pinheiros, utilizando a Linha 9 e o trecho de Parelheiros, caminho que já foi usado pelos trens até a década de 1970.

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Terceira alternativa: considera a Estação Santos-Imigrantes, aproveitando o espaço ao longo da Rodovia dos Imigrantes até a ligação com a Ferrovia Santos-Cajati, permitindo acesso direto a Santos.

Enquanto os estudos não são concluídos e os projetos não saem do papel, a memória da antiga ferrovia segue viva na região.

Para os moradores da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, a expectativa é de que, em um futuro não tão distante, o som do trem volte a ecoar pelos trilhos que um dia conectaram pessoas, cidades e histórias.

 

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