Cotidiano
CPTM estuda dois projetos distintos para retomar ligação ferroviária entre o litoral sul de São Paulo, a capital e o Vale do Ribeira
Estudo da CPTM prevê trens expressos e paradores conectando todo o litoral sul; veja as estimativas de tempo / Reprodução/Imagem feita por IA
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O que hoje é apenas memória para antigos moradores da Baixada Santista e do Vale do Ribeira pode voltar a ser realidade nos próximos anos.
A ferrovia Santos-Juquiá, que por décadas transportou passageiros e cargas entre o litoral sul de São Paulo e a capital, é objeto de dois projetos distintos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), embora ainda sem uma proposta de integração direta entre eles.
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A ferrovia Santos-Juquiá foi construída originalmente para conectar o Porto de Santos ao município de Juquiá, atravessando cidades como Itanhaém e Peruíbe.
Construída com bitola métrica, a malha foi ampliada em 1986 pela Fepasa com a extensão de 70 quilômetros entre Juquiá e Cajati, integrando também a cidade de Registro ao percurso.
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Durante o século 20, o ramal operava de forma integrada à capital paulista. O serviço de passageiros partia da Estação Barra Funda e seguia pelos trilhos das linhas 8 e 9 até chegar ao extremo sul da cidade, para então descer a serra pela ferrovia que liga a Baixada a Mairinque.
A logística era peculiar pois ao chegar em Samaritá, no município de São Vicente, os vagões vindos de São Paulo eram acoplados às composições que seguiam viagem para Juquiá.
Além da conexão com a capital, existia um serviço diário que saía da Estação Ana Costa, em Santos, com destino ao Vale do Ribeira. Essa linha de passageiros operou até o ano de 1997. Em seu período de maior movimento, durante a década de 1960, a ferrovia chegava a oferecer sete horários diários partindo de Santos.
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Atualmente, o futuro desses trilhos é discutido em dois projetos distintos, embora ainda sem uma proposta de integração direta.
A CPTM está em fase final de elaboração do projeto funcional SantosCajati, que prevê uma nova ligação ferroviária entre o litoral e o Vale do Ribeira, com 223,6 quilômetros de extensão.
O estudo é conduzido pela área de Desenvolvimento e Expansão de Transporte da companhia e integra as ações do Governo do Estado de São Paulo voltadas à inclusão territorial, mobilidade sustentável e desenvolvimento regional.
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Atualmente, estão em andamento o levantamento topográfico aerofotogramétrico da região, que será concluído ainda este ano, e os estudos técnicos que subsidiarão o anteprojeto de engenharia, com início previsto para dezembro de 2025.
O documento serve de base para viabilizar a contratação integrada ou uma possível concessão.
O projeto prevê 13 estações ao longo do percurso: Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Itariri, Pedro de Toledo, Miracatu, Juquiá, Registro, Jacupiranga e Cajati. As vias existentes nesse trajeto passarão por análise técnica e, quando possível, serão recuperadas para reaproveitamento da malha ferroviária já implantada.
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O tempo estimado de percurso no serviço expresso será de aproximadamente 2 horas e 20 minutos (136 minutos). A linha contemplará dois serviços paradores: SantosPeruíbe, com tempo médio de 48 minutos, e PeruíbeCajati, com 114 minutos.
A estimativa é de que o novo trem atenda até 32 mil passageiros por dia e movimente cerca de 600 contêineres diariamente, fortalecendo o transporte de carga e passageiros entre o litoral e o interior.
O custo total estimado do empreendimento varia entre R$ 19 e 21 bilhões, valor que será detalhado na fase de anteprojeto de engenharia.
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Paralelamente, um segundo projeto prevê um trem que conecta a capital paulista à Baixada Santista e a outras cidades litorâneas. A iniciativa entrou na fase de análises técnicas e deve ter extensão entre 80 e 130 quilômetros. Assim, o trem ligando a capital ao litoral deve voltar a circular após 150 anos.
No momento, estão em execução os estudos técnicos, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027. Depois virão as fases de audiência pública, elaboração do edital, realização do leilão e assinatura do contrato.
Com percurso estimado entre 80 e 130 quilômetros, o trajeto do Eixo Sul deverá ser feito em cerca de 1h30. O empreendimento deve gerar aproximadamente 13 mil vagas de trabalho e tem como objetivo aliviar o fluxo de veículos no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI).
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Três rotas estão em estudo para a ligação entre São Paulo e a Baixada Santista:
Primeira opção: sugere como ponto final a Estação Brás, passando pela Via ABC e por Paranapiacaba, área onde há operação da linha de cremalheira. Porém, a competição com o transporte de cargas dificulta a adoção dessa alternativa.
Segunda opção: prevê como destino a Estação Pinheiros, utilizando a Linha 9 e o trecho de Parelheiros, caminho que já foi usado pelos trens até a década de 1970.
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Terceira alternativa: considera a Estação Santos-Imigrantes, aproveitando o espaço ao longo da Rodovia dos Imigrantes até a ligação com a Ferrovia Santos-Cajati, permitindo acesso direto a Santos.
Enquanto os estudos não são concluídos e os projetos não saem do papel, a memória da antiga ferrovia segue viva na região.
Para os moradores da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, a expectativa é de que, em um futuro não tão distante, o som do trem volte a ecoar pelos trilhos que um dia conectaram pessoas, cidades e histórias.