O treino deve ser diferente para homens e mulheres? O que diz a ciência moderna

Especialistas explicam por que termos como "tonificar" escondem a necessidade de progressão de carga para o desenvolvimento físico real

Saiba como a progressão de intensidade e a individualidade biológica são mais determinantes/Pexels

Um grande debate dentro da comunidade fitness gira em torno de uma pergunta simples: o treino de homens e mulheres deve ser diferente? Por muito tempo, o treino de força foi visto como uma atividade essencialmente masculina.

Enquanto isso, as mulheres eram incentivadas a priorizar exercícios aeróbicos – muitas vezes devido ao mito de que a musculação causaria um físico masculinizado.

No entanto, pesquisas recentes mostram que as diferenças biológicas entre os sexos não justificam rotinas de treino totalmente separadas. No fim das contas, o corpo feminino influencia no treinamento, mas não a ponto de exigir programas radicalmente distintos.

Ciclo menstrual e consistência: o que a ciência diz

Estudos destacam que, embora os homens possuam níveis mais altos de testosterona, tanto homens quanto mulheres podem desenvolver massa muscular de forma semelhante seguindo programas adequados. É o que mostra, por exemplo, o estudo de Roberts et al. (2020).

Sabe-se que o ciclo menstrual traz flutuações hormonais. Porém, a maioria dos especialistas reforça que a consistência é o fator mais importante para o sucesso no treino – e não as oscilações hormonais mensais.

Além disso, o conceito de ajustar treinos ao ciclo menstrual ainda carece de comprovação robusta. De acordo com especialistas, os desafios momentâneos enfrentados durante certas fases não devem impedir a continuidade do treinamento.

Como o marketing reforça a divisão de gênero nos treinos

Outro ponto crucial é o papel da indústria do fitness. Segundo pesquisadores, o setor utiliza estratégias de marketing que segmentam produtos e programas conforme o gênero, promovendo termos como “tonificar” ou “músculo magro” para o público feminino. Dessa forma, mantém-se viva a ideia de que mulheres devem focar em redução de medidas ao invés de ganho de força.

Confira alguns exemplos de como o marketing reforça essa divisão de gênero:

  • Programas “para mulheres” que evitam treinos intensos de força
  • Produtos com promessas de “corpo leve” ou “feminino”
  • Publicidade que associa pesos leves a resultados “delicados” e pesos pesados a “corpos masculinos”
  • Como deve ser um programa de treinamento eficaz para todos?

Diante desse cenário, a pergunta que fica é: qual seria a abordagem ideal? De acordo com especialistas, o desenvolvimento de um programa de treinamento eficaz deve levar em conta objetivos individuais, preferências, níveis de habilidade e condições de saúde – sem distinção rígida entre gêneros.

A progressão contínua, com aumento gradual de intensidade, é fundamental para o crescimento muscular e ganhos de força. Além disso, usar métodos variados de resistência – como pesos livres, máquinas ou o próprio peso corporal – promove adaptações essenciais para o corpo e permite ajustes baseados nas necessidades de cada pessoa.

Por fim, respeitar sinais do corpo e adaptar as cargas garante um avanço consistente e saudável para qualquer pessoa, independentemente do gênero.