Cotidiano
Especialistas apontam que, diferentemente de décadas anteriores, o culto à magreza agora aparece com uma nova roupagem: o discurso do 'bem-estar'
A tendência resgata padrões antigos, como o visual extremamente magro popularizado nos anos 1990, e reacende um debate preocupante sobre saúde física, mental e pressão estética / Freepik
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Após anos marcados pelo discurso de aceitação corporal, o chamado “culto à magreza” voltou a ganhar força nos anos 2020, impulsionado principalmente pelas redes sociais, influenciadores e pela indústria da moda.
A tendência resgata padrões antigos, como o visual extremamente magro popularizado nos anos 1990, e reacende um debate preocupante sobre saúde física, mental e pressão estética, especialmente entre mulheres.
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Especialistas apontam que, diferentemente de décadas anteriores, o culto à magreza agora aparece com uma nova roupagem: o discurso do 'bem-estar'.
Termos como 'disciplina', 'autocuidado' e 'vida fitness' passaram a mascarar uma busca intensa e muitas vezes extrema por corpos magros.
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Na prática, o fenômeno tem incentivado dietas restritivas, comparações constantes e uma relação cada vez mais rígida com o próprio corpo.
Um dos principais motores desse movimento é o uso crescente de medicamentos para emagrecimento rápido, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy.
Originalmente desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, esses remédios passaram a ser utilizados de forma estética, muitas vezes sem indicação médica.
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Dados mostram a dimensão do fenômeno:
A popularização foi impulsionada por celebridades e influenciadores, que exibem transformações rápidas e acabam influenciando milhares de pessoas.
Especialistas alertam que o uso dessas substâncias sem acompanhamento médico pode trazer danos à saúde e reforçar padrões irreaisO problema é que a busca por emagrecimento rápido pode trazer consequências sérias.
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Entre os principais riscos apontados estão:
Especialistas alertam que o uso dessas substâncias sem acompanhamento médico pode trazer danos à saúde e reforçar padrões irreais.
O fenômeno também se reflete nas passarelas e na cultura pop. A estética conhecida como 'heroin chic', marcada por extrema magreza e aparência fragilizada, voltou a aparecer em campanhas, desfiles e celebridades.
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Mesmo com o avanço do movimento “body positive”, os números mostram um retrocesso:
A pressão estética continua concentrada principalmente sobre mulheres, reforçando padrões excludentes e difíceis de alcançar.
A pressão estética continua concentrada principalmente sobre mulheres, reforçando padrões excludentes e difíceis de alcançarOutro ponto levantado por especialistas é o impacto social do fenômeno.
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O acesso a medicamentos como Ozempic ainda é restrito, com custos que podem ultrapassar R$ 1.000 por dose, além da necessidade de acompanhamento médico.
Isso faz com que o chamado 'corpo ideal' esteja, muitas vezes, ligado a uma elite com maior poder aquisitivo.
Para especialistas, a valorização extrema da magreza vai além da aparência.
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Ela pode:
Além disso, há o risco de associar magreza a sucesso, disciplina e status, ignorando a diversidade de corpos e realidades.
O culto à magreza não é um fenômeno novo. Ele reaparece ciclicamente ao longo das décadas, adaptando-se ao contexto social e às novas tecnologias.
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Agora, com o alcance das redes sociais, esse padrão se espalha mais rápido e com impacto ainda maior, especialmente entre jovens.
A recomendação é clara: magreza não deve ser confundida com saúde.
Profissionais da área reforçam a importância de:
O desafio, agora, é conter o avanço desse novo ciclo antes que ele provoque impactos ainda mais profundos.