Cotidiano

O retorno do culto à magreza: Como as 'canetas emagrecedoras' ressuscitaram o padrão dos anos 90

Especialistas apontam que, diferentemente de décadas anteriores, o culto à magreza agora aparece com uma nova roupagem: o discurso do 'bem-estar'

Ana Clara Durazzo

Publicado em 29/03/2026 às 10:00

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A tendência resgata padrões antigos, como o visual extremamente magro popularizado nos anos 1990, e reacende um debate preocupante sobre saúde física, mental e pressão estética / Freepik

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Após anos marcados pelo discurso de aceitação corporal, o chamado “culto à magreza” voltou a ganhar força nos anos 2020, impulsionado principalmente pelas redes sociais, influenciadores e pela indústria da moda.

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A tendência resgata padrões antigos, como o visual extremamente magro popularizado nos anos 1990, e reacende um debate preocupante sobre saúde física, mental e pressão estética, especialmente entre mulheres.

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Redes sociais e ‘vida saudável’ disfarçam obsessão

Especialistas apontam que, diferentemente de décadas anteriores, o culto à magreza agora aparece com uma nova roupagem: o discurso do 'bem-estar'.

Termos como 'disciplina', 'autocuidado' e 'vida fitness' passaram a mascarar uma busca intensa e muitas vezes extrema por corpos magros.

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Na prática, o fenômeno tem incentivado dietas restritivas, comparações constantes e uma relação cada vez mais rígida com o próprio corpo.

‘Canetas emagrecedoras’ impulsionam tendência

Um dos principais motores desse movimento é o uso crescente de medicamentos para emagrecimento rápido, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy.

Originalmente desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, esses remédios passaram a ser utilizados de forma estética, muitas vezes sem indicação médica.

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Dados mostram a dimensão do fenômeno:

  • prescrições de Ozempic cresceram 150% entre 2022 e 2023
  • buscas pelo termo dispararam mais de 300% na internet

A popularização foi impulsionada por celebridades e influenciadores, que exibem transformações rápidas e acabam influenciando milhares de pessoas.

Especialistas alertam que o uso dessas substâncias sem acompanhamento médico pode trazer danos à saúde e reforçar padrões irreais

Riscos à saúde preocupam especialistas

O problema é que a busca por emagrecimento rápido pode trazer consequências sérias.

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Entre os principais riscos apontados estão:

  • anorexia e bulimia
  • perda de massa muscular
  • desnutrição
  • efeitos colaterais dos medicamentos

Especialistas alertam que o uso dessas substâncias sem acompanhamento médico pode trazer danos à saúde e reforçar padrões irreais.

Moda revive padrão dos anos 90

O fenômeno também se reflete nas passarelas e na cultura pop. A estética conhecida como 'heroin chic', marcada por extrema magreza e aparência fragilizada, voltou a aparecer em campanhas, desfiles e celebridades.

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Mesmo com o avanço do movimento “body positive”, os números mostram um retrocesso:

  • apenas 2% das modelos em desfiles são de tamanho médio

A pressão estética continua concentrada principalmente sobre mulheres, reforçando padrões excludentes e difíceis de alcançar.

A pressão estética continua concentrada principalmente sobre mulheres, reforçando padrões excludentes e difíceis de alcançar

Corpo ideal expõe desigualdade

Outro ponto levantado por especialistas é o impacto social do fenômeno.

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O acesso a medicamentos como Ozempic ainda é restrito, com custos que podem ultrapassar R$ 1.000 por dose, além da necessidade de acompanhamento médico.

Isso faz com que o chamado 'corpo ideal' esteja, muitas vezes, ligado a uma elite com maior poder aquisitivo.

Mais do que estética: um problema social

Para especialistas, a valorização extrema da magreza vai além da aparência.

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Ela pode:

  • afetar a saúde mental
  • aumentar a insatisfação corporal
  • reforçar padrões inalcançáveis
  • desviar o foco de pautas sociais importantes

Além disso, há o risco de associar magreza a sucesso, disciplina e status, ignorando a diversidade de corpos e realidades.

Um ciclo que se repete

O culto à magreza não é um fenômeno novo. Ele reaparece ciclicamente ao longo das décadas, adaptando-se ao contexto social e às novas tecnologias.

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Agora, com o alcance das redes sociais, esse padrão se espalha mais rápido e com impacto ainda maior, especialmente entre jovens.

Alerta dos especialistas

A recomendação é clara: magreza não deve ser confundida com saúde.

Profissionais da área reforçam a importância de:

  • acompanhamento médico e nutricional
  • hábitos saudáveis equilibrados
  • valorização da diversidade corporal

O desafio, agora, é conter o avanço desse novo ciclo antes que ele provoque impactos ainda mais profundos.

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