Cotidiano
A confirmação do nascimento dos filhotes veio após semanas de monitoramento intenso, consolidando o sucesso de um projeto de reintrodução iniciado em 2024
O registro põe fim a um intervalo de mais de 100 anos sem ocorrências da espécie na região. / Governo do Piauí/Divulgação
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Um feito inédito para a biodiversidade brasileira foi registrado em março de 2026: o periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus), uma das aves mais raras do país, voltou a se reproduzir em liberdade na Reserva Natural Serra das Almas, área localizada entre o Ceará e o Piauí. O registro põe fim a um intervalo de mais de 100 anos sem ocorrências da espécie na região.
A confirmação do nascimento dos filhotes veio após semanas de monitoramento intenso, consolidando o sucesso de um projeto de reintrodução iniciado em 2024. Até então, o animal era considerado extinto localmente.
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Um caso também chamou atenção na Ilha de Alcatrazes, no litoral norte de São Paulo, quando uma planta considerada desaparecida há mais de cem anos foi reencontrada. O registro surpreendeu pesquisadores e trouxe de volta aos holofotes uma espécie que parecia ter desaparecido definitivamente.
Na última terça-feira (17), os filhotes começaram a nascer, marcando a primeira reprodução em vida livre no local. Fábio Nunes/ONG AquasisOs primeiros indícios do retorno surgiram em fevereiro, quando pesquisadores identificaram 33 ovos em caixas-ninho instaladas na reserva. As estruturas de madeira simulam cavidades naturais de árvores, ambiente essencial para a reprodução da espécie.
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Na última terça-feira (17), os filhotes começaram a nascer, marcando a primeira reprodução em vida livre no local. Até então, os registros se limitavam a aves mantidas em viveiros de aclimatação, etapa anterior à soltura definitiva.
O resultado foi considerado acima das expectativas. Em menos de um ano após a reintrodução, os animais já apresentaram comportamento reprodutivo, sinal claro de adaptação ao habitat.
O resultado foi considerado acima das expectativas. Fábio Nunes/ONG AquasisO periquito-cara-suja é uma ave altamente social, que vive em bandos familiares de quatro a 15 indivíduos. Mede entre 22 e 28 centímetros e pesa, em média, 58 gramas.
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Sua alimentação é baseada em frutos, sementes e flores. Ao entardecer, os grupos procuram abrigo em ocos de árvores, entre folhas de palmeiras ou bromélias, estratégia importante para se proteger de predadores.
Os ninhos são feitos em cavidades naturais de árvores. Governo do Piauí/DivulgaçãoA reprodução acontece apenas uma vez por ano, geralmente entre fevereiro e junho. As fêmeas colocam, em média, seis ovos.
Os ninhos são feitos em cavidades naturais de árvores. Como não conseguem escavar, essas aves utilizam buracos já existentes, frequentemente abertos por pica-paus. Após o nascimento, o casal divide o cuidado com os filhotes, e, em alguns casos, conta até com a ajuda de um terceiro membro do bando para garantir a sobrevivência da ninhada.
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Atualmente, cerca de 23 indivíduos vivem soltos na reserva. Parte deles foi resgatada do tráfico ilegal, enquanto outros vieram de cativeiro. Após passarem por reabilitação, as aves foram reintegradas à natureza dentro de um esforço coordenado por instituições ambientais.
A iniciativa reúne organizações como a Associação Caatinga, a Aquasis e o Parque Arvorar, com foco na recuperação de espécies ameaçadas no bioma.
Apesar do avanço, o periquito-cara-suja ainda enfrenta sérios riscos. A captura ilegal é considerada a principal ameaça, já que reduz diretamente a população e destrói ninhos naturais, prática que, no passado, levou à extinção local da espécie em diversas áreas.
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O desmatamento também preocupa especialistas, pois diminui as áreas de alimentação e reprodução, forçando os animais a migrar em busca de condições adequadas para sobreviver.