Cotidiano

O que é o bisfenol A e por que sua presença é preocupante em gatos domésticos?

Pesquisa detecta composto químico perigoso na pelagem de 97% dos felinos analisados

Nathalia Alves

Publicado em 18/02/2026 às 13:44

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Estudo internacional mostra que o bisfenol A (BPA) é mais comum em gatos que vivem apenas dentro de casa / Reprodução/Freepik

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Um estudo internacional recente acendeu um sinal de alerta para tutores de felinos: gatos que vivem exclusivamente dentro de casa apresentam níveis significativamente mais elevados de Bisfenol A (BPA) em sua pelagem do que aqueles que têm acesso ao ambiente externo.

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O composto, um conhecido desregulador endócrino, parece estar impregnado no dia a dia doméstico, expondo os animais de forma constante.

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O BPA é uma substância orgânica utilizada desde a década de 1930 na fabricação de plásticos de policarbonato e resinas epóxi. Presente em tudo, desde embalagens de alimentos e garrafas até eletrodomésticos, eletrônicos e vernizes, estima-se que sua produção global ultrapasse 5 bilhões de toneladas anuais.

O inimigo invisível dentro de casa

A pesquisa analisou amostras de pelos de 70 gatos saudáveis. Os resultados foram impressionantes: 97% das amostras continham BPA. No entanto, a disparidade entre os estilos de vida chamou a atenção dos cientistas:

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  • Gatos com acesso à rua: Apresentaram uma mediana de 24,4 pg/mg de BPA.
  • Gatos de interior (indoor): A mediana saltou para 35,3 pg/mg, com médias chegando a ser três vezes superiores às dos gatos que saem de casa.
Seu gato está seguro? Estudo revela que felinos de apartamento têm mais substâncias tóxicas na pelagem do que gatos de rua devido ao contato com móveis e eletrônicos/Freepik
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Alerta para tutores: Pesquisa internacional detecta níveis elevados de bisfenol A em 97% dos gatos analisados. Saiba por que o ambiente doméstico pode ser mais perigoso que o exterior/Freepik
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O perigo invisível no sofá: Como os plásticos e eletrônicos da sua casa estão contaminando o seu gato com desreguladores hormonais. Veja o que diz a ciência sobre gatos que não saem de casa/Freepik
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Gatos jovens de apartamento são os mais expostos a químicos industriais, revela estudo. Descubra como o Bisfenol A se acumula nos pelos dos pets e o que você pode fazer para protegê-los/Freepik
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Segundo os autores, a maior concentração nos animais "caseiros" está ligada ao contato prolongado com objetos comuns, como carpetes, móveis, cortinas e equipamentos eletrônicos, que liberam o composto no pó doméstico e no ar.

Jovens são os mais expostos

O estudo também segmentou os dados por idade, revelando que os gatos jovens (até 2 anos) são os mais afetados, apresentando uma média de 137,1 pg/mg de BPA, um valor muito superior ao de gatos adultos e idosos.

Além do mobiliário, os pesquisadores apontam que a exposição pode ser potencializada por:

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  • Rações comerciais (úmidas e secas);
  • Brinquedos de plástico;
  • Produtos cosméticos usados pelos tutores.

O que é o BPA e por que ele preocupa?

Designado quimicamente como 4,4′ (propano-2,2-diil) difenol, o BPA tem uma estrutura semelhante ao estrogênio. Isso permite que ele interfira no sistema hormonal de organismos vivos, afetando o funcionamento de diversos órgãos.

Embora agências como a FDA (EUA) afirmem que os níveis baixos encontrados em alimentos humanos são seguros, a comunidade científica segue investigando ligações entre a exposição ao BPA e doenças como hipertensão, diabetes tipo 2 e problemas no desenvolvimento cerebral em fases vulneráveis.

O mistério do peso

Um achado curioso do estudo foi que gatos com peso normal apresentaram concentrações de BPA significativamente maiores do que gatos obesos.

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O resultado intrigou os pesquisadores, já que, em humanos, o BPA é frequentemente associado a distúrbios metabólicos e obesidade. O mecanismo de como o felino processa e armazena essa substância no pelo ainda precisa de novos estudos para ser totalmente compreendido.
 

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