Um estudo internacional recente acendeu um sinal de alerta para tutores de felinos: gatos que vivem exclusivamente dentro de casa apresentam níveis significativamente mais elevados de Bisfenol A (BPA) em sua pelagem do que aqueles que têm acesso ao ambiente externo.
O composto, um conhecido desregulador endócrino, parece estar impregnado no dia a dia doméstico, expondo os animais de forma constante.
O BPA é uma substância orgânica utilizada desde a década de 1930 na fabricação de plásticos de policarbonato e resinas epóxi. Presente em tudo, desde embalagens de alimentos e garrafas até eletrodomésticos, eletrônicos e vernizes, estima-se que sua produção global ultrapasse 5 bilhões de toneladas anuais.
O inimigo invisível dentro de casa
A pesquisa analisou amostras de pelos de 70 gatos saudáveis. Os resultados foram impressionantes: 97% das amostras continham BPA. No entanto, a disparidade entre os estilos de vida chamou a atenção dos cientistas:
- Gatos com acesso à rua: Apresentaram uma mediana de 24,4 pg/mg de BPA.
- Gatos de interior (indoor): A mediana saltou para 35,3 pg/mg, com médias chegando a ser três vezes superiores às dos gatos que saem de casa.
Segundo os autores, a maior concentração nos animais “caseiros” está ligada ao contato prolongado com objetos comuns, como carpetes, móveis, cortinas e equipamentos eletrônicos, que liberam o composto no pó doméstico e no ar.
Jovens são os mais expostos
O estudo também segmentou os dados por idade, revelando que os gatos jovens (até 2 anos) são os mais afetados, apresentando uma média de 137,1 pg/mg de BPA, um valor muito superior ao de gatos adultos e idosos.
Além do mobiliário, os pesquisadores apontam que a exposição pode ser potencializada por:
- Rações comerciais (úmidas e secas);
- Brinquedos de plástico;
- Produtos cosméticos usados pelos tutores.
O que é o BPA e por que ele preocupa?
Designado quimicamente como 4,4′ (propano-2,2-diil) difenol, o BPA tem uma estrutura semelhante ao estrogênio. Isso permite que ele interfira no sistema hormonal de organismos vivos, afetando o funcionamento de diversos órgãos.
Embora agências como a FDA (EUA) afirmem que os níveis baixos encontrados em alimentos humanos são seguros, a comunidade científica segue investigando ligações entre a exposição ao BPA e doenças como hipertensão, diabetes tipo 2 e problemas no desenvolvimento cerebral em fases vulneráveis.
O mistério do peso
Um achado curioso do estudo foi que gatos com peso normal apresentaram concentrações de BPA significativamente maiores do que gatos obesos.
O resultado intrigou os pesquisadores, já que, em humanos, o BPA é frequentemente associado a distúrbios metabólicos e obesidade. O mecanismo de como o felino processa e armazena essa substância no pelo ainda precisa de novos estudos para ser totalmente compreendido.
