'O PSOL é a real alternativa de esquerda do País', afirma Débora Camilo

Advogada foi candidata a prefeita de Santos e agora pré-candidata a deputada federal, pretende ser a voz da região na Câmara dos Deputados

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23 ABR 2018Por Carlos Ratton14h00
"A voz da população é que comandará minha conduta", afirmou DéboraFoto: Rodrigo Montaldi/Diário do Litoral

Ninguém pode negar que ela é da luta. Defendeu moradores do Macuco contra possível desapropriação para a travessia Santos-Guarujá pelo Governo do Estado e Dersa. Foi candidata a prefeita de Santos pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), é uma das advogadas do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Agora, Débora Camilo, pré-candidata a deputada federal, pretende ser a voz da região na Câmara dos Deputados.

Diário – Não seria melhor alternativa a Assembleia Legislativa?
Débora Camilo – O PSOL é um partido de tendências e a qual eu faço parte fez uma análise e concluiu que a Câmara dos Deputados seria a melhor alternativa. Eu procuro seguir o coletivo e a orientação do partido. Se for candidata e, depois eleita, meu mandato será participativo e popular. A voz da população é que comandará minha conduta.

Diário – Falta mulheres na Câmara?
Débora – Falta em todos os espaços. Mesmo a lei exigindo dos partidos 30% de mulheres candidatas, há muita dificuldade. Tanto que existem mulheres que são colocadas como ‘laranjas’, só para cumprir a legislação, não sendo candidatas de fato. Nós não permitimos isso no PSOL. Nossas pré-candidatas são reais, prontas para o debate qualificado e para mostrar que temos condições de ocupar uma cadeira e de representar as regiões as quais pertencemos.

Diário – Você acredita que, nas próximas eleições, poderá ocorrer outras escolhas?
Débora – Estamos num momento muito peculiar da política nacional. Há uma insatisfação generalizada, uma crise de representatividade, as pessoas não estão se vendo representadas pelos que aí estão. Mesmo de forma distorcida, está havendo um debate político no País. O PSOL vem mostrando que é uma alternativa. É uma nova proposta. Não temos doadores de campanha porque não queremos rabo preso com empresas e empresários que investem buscando lucros. Os militantes tiram do próprio bolso porque acreditam na causa.

Diário – Por que debate de forma distorcida?
Débora – Por causa do sistema. Por exemplo: um trabalhador de São Paulo leva chega a levar quatro horas para chegar ao emprego, trabalha oito e mais quatro para chegar em casa. São 16 horas dedicadas aos trabalho. Quando ele chega quer assistir futebol, filme, novela. Enfim, não tem tempo para observar o debate político. Por isso, o PSOL luta por redução de jornada, para que o trabalhador não só preste atenção na política e ainda tenha tempo para a família. Lutamos para que as pessoas conheçam seus direitos e escolham melhor seus representantes. O PSOL vem buscando alertar que a política não é só essa que vem sendo mostrada.

Diário – O PSOL não se envolveu em nenhum escândalo e nem seus representantes em listas de corrupção.
Débora – Justamente. Luiza Erundina, Jean Willis, Marcelo Freixo, Glauber Braga, Ivan Valente, Edmilson Rodrigues, enfim, uma bancada muito séria. São seis deputados que valem por dezenas de outros partidos. Todos coerentes e não abrem mão do que acreditam. Não tem conchavo com outros partidos. Temos nossas convicções e somos livres. A Lava-Jato envolveu 27 partidos. O PSOL não está denunciado, em lista e nem recebeu doações de empresa alguma. Pode procurar.

Diário – A Débora tem uma demanda regional?
Débora – O PSOL está fazendo um levantamento ouvindo vários segmentos da sociedade, pois acreditamos que é assim que se faz política. Em 2016, buscamos informações e anseios de grupos de pessoas que nem eram filiadas ao PSOL. Quando o assunto era um plano cultural, fomos buscar ajuda dos artistas. E assim foi nosso programa. Estamos fazendo isso agora. Sabemos que nunca conseguiremos chegar à perfeição, mas nos dispomos a alterar o rumo em busca de atender os anseios da população. A participação popular, para o PSOL, é fundamental.

Diário – Foi isso que fez você abraçar a luta pelos moradores do Macuco com relação à travessia Santos-Guarujá?
Débora – Não aceitamos o projeto imposto. Acreditávamos que era preciso discutir a melhor alternativa. Não aceitamos que só visem lucro diante de uma travessia tão importante, que iria mudar a vida de milhares de pessoas. Pelo Macuco, teríamos problemas futuros de tráfego irreversíveis. Também detectei outros. Acabamos vencendo. Por que não procurar um trecho melhor, mais de uma travessia talvez, e com menos impacto social?

Diário – Só emenda parlamentar resolve os problemas da região?
Débora – É preciso um trabalho maior. É preciso fazer com que as cidades conversem. Colocar organizações sociais (OSs) para administrar a saúde não é a alternativa certa. As prefeituras optam para não cair na responsabilidade fiscal e evitar contratação via concurso público. Você acredita que uma entidade assume uma baita responsabilidade, encargos trabalhistas, administração de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) sem visar lucro? Sabemos que existe superfaturamento de material, contratação por indicação política, subordinação de concursados e quebradeira de OSs na região e em todo País. A população acaba pagando mais caro por um serviço bem inferior. Isso se implica em todas as áreas, seja mobilidade urbana, educação, enfim. Temos que ter o direito à Cidade garantido.

Diário – Você defendeu a ocupação-denúncia do MTST no tríplex atribuído ao ex-presidente Lula em Guarujá.
Débora – Pagamos o preço por acreditarmos no que é certo. O PSOL surgiu por conta de um rompimento com o PT. No entanto, durante os governos Lula e Dilma, o partido se posicionou como uma oposição à esquerda, consciente. Se percebíamos que o projeto do governo era favorável à população, votávamos com o governo. Mesmo sendo críticos ao governo de coalisão e às alianças que acabaram dando o golpe, entendemos que a prisão do ex-presidente Lula é política. Na ocupação, vimos que as reformas apontadas no processo do tríplex não foram feitas. Não existe elevador privativo e nem cozinha de luxo. Lula está em primeiro em todas as pesquisas, mesmo preso. Nosso pré-candidato à Presidência é Guilherme Boulos, mas não podemos apoiar uma prisão injusta. Se prendem um ex-presidente que é uma referência mundial sem provas, como ficamos nós e os outros cidadãos. Para quem promoveu o golpe em 2016, tirar o Lula é necessário. Não estão querendo que um projeto progressista volte a comandar o País. Queremos ter Lula candidato para derrotá-lo nas urnas, com democracia. O PSOL é a real alternativa de esquerda do País.