Cotidiano
Liderada pela pesquisadora Bruna Farina, da Universidade de Friburgo, a pesquisa analisou a trajetória de mais de 5.600 espécies para entender como o mar moldou o destino desses animais
Embora seus ancestrais fossem mamíferos terrestres que caminhavam sobre quatro patas há milhões de anos, o processo de adaptação ao azul profundo fechou as portas do passado / ImageFX
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Os golfinhos e as orcas atingiram um estágio evolutivo sem volta. De acordo com um novo estudo publicado nos Anais da Sociedade Real B, esses mamíferos cruzaram o chamado 'ponto de não retorno': eles estão tão profundamente adaptados ao oceano que um retorno ao ambiente terrestre tornou-se biologicamente impossível.
Liderada pela pesquisadora Bruna Farina, da Universidade de Friburgo, a pesquisa analisou a trajetória de mais de 5.600 espécies para entender como o mar moldou o destino desses animais.
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Embora seus ancestrais fossem mamíferos terrestres que caminhavam sobre quatro patas há milhões de anos, o processo de adaptação ao azul profundo fechou as portas do passado. O estudo reforça a Lei de Dollo, que afirma: uma vez que estruturas complexas (como pernas ou pulmões terrestres eficientes) são perdidas, a evolução dificilmente as recupera.
O corpo de um golfinho ou de uma orca não é apenas 'adaptado' ao mar; ele é parte dele. As mudanças são tão profundas que atingem todos os sistemas:
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Isolamento Térmico: Camadas de gordura que seriam fatais em terra firme por excesso de calor.
Propulsão: Esqueleto e musculatura totalmente redesenhados para o mergulho.
Reprodução: Partos subaquáticos que impedem qualquer tentativa de sobrevivência fora d'água.
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A especialização extrema que fez desses animais os predadores de topo dos oceanos tem um preço alto. Os cientistas descrevem os golfinhos como 'aprisionados em seus caminhos aquáticos'.
Com as mudanças climáticas e o aquecimento dos oceanos em 2026, essa especialização vira uma vulnerabilidade. Se o habitat marinho entrar em colapso, golfinhos e orcas não têm 'plano B' evolutivo. Eles não podem mais voltar para a terra e não têm tempo para evoluir para outra forma.
O estudo é um alerta urgente: para essas espécies, a preservação do oceano não é uma escolha, é a única garantia de permanência. Para as orcas, o mar não é mais apenas um habitat; tornou-se um destino final e definitivo da biologia.
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