O fato de mais de 90% da energia extra ser absorvida pelos oceanos é alarmante / Foto de Willbone/Pexels
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O clima da Terra apresenta sinais de desequilÃbrio sem precedentes na história registrada, conforme aponta um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à ONU.Â
Segundo o documento, o planeta está retendo muito mais energia térmica do que consegue liberar para o espaço, um fenômeno impulsionado diretamente pelas emissões de gases como o dióxido de carbono (CO2), que atingiram os maiores patamares em pelo menos dois milhões de anos.
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou o alerta ao afirmar que os principais indicadores climáticos estão em "alerta vermelho".Â
Ele reiterou o apelo para que as nações abandonem os combustÃveis fósseis em favor de energias renováveis, visando garantir a segurança climática e nacional. De acordo com a OMM, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados desde 1850.
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O chamado "desequilÃbrio energético" é a medida mais abrangente da crise climática atual. Quando o sistema está em equilÃbrio, a energia solar que entra é igual ao calor que sai. Contudo, a presença excessiva de gases de efeito estufa impede essa liberação.Â
Dados do IPCC integrados ao relatório revelam para onde está indo esse excesso de calor acumulado:
O fato de mais de 90% da energia extra ser absorvida pelos oceanos é alarmante, pois intensifica tempestades, prejudica a vida marinha e acelera a elevação do nÃvel do mar. Nas últimas duas décadas, o aquecimento oceânico ocorreu a um ritmo duas vezes superior ao observado no final do século 20.
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Embora 2025 tenha sido ligeiramente mais ameno que 2024 devido ao fenômeno La Niña, a temperatura média global ainda ficou 1,43 °C acima dos nÃveis pré-industriais.Â
Agora, cientistas monitoram a formação de uma nova fase do El Niño para a segunda metade de 2026. Este fenômeno, somado ao aquecimento causado pela atividade humana, pode levar a Terra a quebrar novos recordes de temperatura em 2027.
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O El Niño ocorre pelo enfraquecimento dos ventos alÃsios, o que traz águas mais quentes para a superfÃcie do PacÃfico Equatorial.Â
No Brasil, os efeitos são distintos: o El Niño costuma provocar seca no Norte e Nordeste, enquanto traz chuvas acima da média para a região Sul e temperaturas mais altas em todo o paÃs.
Os impactos já são visÃveis em eventos extremos, como a onda de calor recorde no sudoeste dos Estados Unidos, onde os termômetros superaram os 40 °C recentemente. Além disso, o aquecimento global favorece a disseminação de doenças tropicais, como a dengue.
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A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, ressaltou que as atividades humanas perturbam o equilÃbrio natural de uma forma que gerará consequências por centenas de anos.Â
O derretimento das calotas polares e das geleiras também atingiu nÃveis crÃticos, com o perÃodo de 2024/25 figurando entre os cinco piores anos para a preservação do gelo mundial.Â
O diagnóstico das autoridades internacionais indica que o planeta está sendo levado além de seus limites operacionais, exigindo uma transição urgente para energias renováveis como forma de mitigar danos irreversÃveis.
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