O casting emocional propõe que o primeiro encontro funcione como um momento de observação consciente / Pexels
Continua depois da publicidade
Em meio a relações cada vez mais rápidas e a uma sensação crescente de desconexão emocional, um conceito tem ganhado espaço nas conversas sobre afetividade: o chamado “casting emocional”. A ideia propõe que o primeiro encontro funcione como um momento de observação consciente, não como um exame, para evitar a repetição de padrões afetivos disfuncionais.
O termo é usado por psicólogos para descrever uma prática em que a pessoa avalia o potencial de um vínculo romântico a partir de perguntas e atitudes que revelam valores, expectativas e disponibilidade emocional. “Trata-se de uma prática que propõe avaliar o potencial vínculo romântico no primeiro encontro por meio de perguntas pensadas para detectar red flags, carências afetivas ou incompatibilidades de base”, explica a psicóloga clínica Macarena Gavric Berrios.
Continua depois da publicidade
Segundo a especialista, a intenção não é eliminar o romantismo, mas acrescentar lucidez ao processo de conhecer alguém. “A ideia é conhecer mais e melhor a outra pessoa para poder escolher com mais consciência e evitar repetir padrões disfuncionais do passado”, afirma.
Na prática, o método tem sido adotado por pessoas que, após experiências frustradas, passaram a priorizar clareza emocional. Dentre os truques do “starter pack da clareza emocional”, os paqueradores usam perguntas que costuma fazer logo no início da relação, como: “Você sabe o que quer na vida?” e “Você se sente emocionalmente disponível para sustentar um vínculo?”.
Continua depois da publicidade
Para Gavric Berrios, estabelecer critérios não significa rigidez. “Ter certos limites no momento de se vincular é saudável, desde que não sejam usados como filtros intransigentes, mas como uma forma de preservar a identidade e o bem-estar emocional”, diz. Ela ressalta que coincidências em valores profundos e crenças essenciais são mais relevantes do que afinidades superficiais.
A psicóloga faz, no entanto, uma distinção importante entre o casting emocional e o chamado “checklist do amor”. Enquanto o primeiro se baseia na escuta, na ressonância emocional e na observação do que se sente na presença do outro, o segundo tende a transformar o encontro em uma entrevista rígida, voltada mais para excluir do que para conhecer.
Outro ponto central do método é o autoconhecimento. “O foco não está em examinar o outro, mas em compreender a partir de onde escolhemos. Apenas quem conhece suas próprias feridas e limites consegue diferenciar um alerta real de um medo projetado”, afirma Gavric Berrios.
Continua depois da publicidade
Estudos acadêmicos reforçam essa visão. Uma pesquisa conduzida por Elizabeth R. Tenney, Simine Vazire e Matthias R. Mehl, da Universidade da Califórnia, publicada no PubMed, encontrou uma correlação positiva entre autoconhecimento e a percepção de qualidade dos vínculos afetivos, sugerindo benefícios diretos nas relações interpessoais.
Antes de aplicar o casting emocional a outra pessoa, a recomendação é olhar para si. Perguntas como “quais são meus valores inegociáveis?”, “o que não quero repetir?” e “estou avaliando por curiosidade ou por medo?” ajudam a transformar o processo em uma escolha consciente, e não em um mecanismo de controle.
Em síntese, o casting emocional não promete garantias no amor, mas pode funcionar como uma bússola. “Não se trata de deixar de sentir, mas de fazer com que o pensamento acompanhe a emoção”, conclui a psicóloga.
Continua depois da publicidade