Cotidiano
A situação é tão crÃtica que a Justiça deu um prazo de 45 dias para que o Governo de São Paulo apresente um plano de contingência
O oceano está prestes a romper a restinga, 'partindo' a Ilha do Cardoso ao meio e isolando um trecho de 6 quilômetros / Defensoria Pública do Estado de São Paulo
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O litoral sul paulista está diante de uma transformação geográfica histórica e irreversÃvel. No Estreito do Melão, em Cananéia, uma faixa de terra que antes media 100 metros de largura foi reduzida a apenas 20 metros. O resultado? O oceano está prestes a romper a restinga, 'partindo' a Ilha do Cardoso ao meio e isolando um trecho de 6 quilômetros.
A situação é tão crÃtica que a Justiça deu um prazo de 45 dias para que o Governo de São Paulo apresente um plano de contingência.
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Diferente de um surgimento vulcânico, esta 'nova ilha' nascerá do isolamento. A erosão acelerada no Canal do Ararapira está solapando a base da areia, agindo como um rio que força sua saÃda para o mar.
O 'Ponto de Ruptura': Especialistas apontam que o rompimento definitivo deve ocorrer entre 2032 e 2034.
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Precedente perigoso: Em 2018, um evento similar na Enseada da Baleia já alterou as correntes locais, acelerando o desgaste atual.
O veredito técnico: 'É inevitável', afirma o geólogo Rodolfo Angulo (UFPR), que monitora a área há 26 anos.
Não é apenas uma mudança no mapa; é uma crise social. Seis territórios tradicionais, incluindo Vila Mendonça e Nova Enseada da Baleia, estão na rota do isolamento.
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Isolamento Terrestre: Já existe um canal de 170 metros de largura que impede o acesso a pé ou por veÃculos.
Morte dos Manguezais: A entrada maciça de água salgada pode destruir o equilÃbrio do estuário, afetando a pesca artesanal.
Rotas de Navegação: Onde hoje é fundo, pode ficar raso, e vice-versa, invalidando os mapas náuticos usados pelos pescadores locais.
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O Ministério Público classifica a situação como crÃtica. Enquanto o governo estuda o uso de 'enrocamento' (barreiras de pedras), cientistas fazem um alerta: essas estruturas rÃgidas podem ser um 'tiro no pé', transferindo a erosão para outras praias vizinhas e agravando o desastre ambiental.
'A mudança da linha de costa é um fenômeno natural, mas intensificado pela elevação do nÃvel do mar', afirma a Secretaria de Meio Ambiente de SP.
O Estado afirma estar utilizando drones e sensoriamento remoto para monitorar o avanço, enquanto desenha um plano de adaptação climática para os próximos 100 anos, prevendo a realocação segura das famÃlias.
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