Cotidiano

O mapa de SP vai mudar: Mar está prestes a 'cortar' ilha e criar novo território no litoral

A situação é tão crítica que a Justiça deu um prazo de 45 dias para que o Governo de São Paulo apresente um plano de contingência

Ana Clara Durazzo

Publicado em 13/02/2026 às 10:15

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O oceano está prestes a romper a restinga, 'partindo' a Ilha do Cardoso ao meio e isolando um trecho de 6 quilômetros / Defensoria Pública do Estado de São Paulo

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O litoral sul paulista está diante de uma transformação geográfica histórica e irreversível. No Estreito do Melão, em Cananéia, uma faixa de terra que antes media 100 metros de largura foi reduzida a apenas 20 metros. O resultado? O oceano está prestes a romper a restinga, 'partindo' a Ilha do Cardoso ao meio e isolando um trecho de 6 quilômetros.

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A situação é tão crítica que a Justiça deu um prazo de 45 dias para que o Governo de São Paulo apresente um plano de contingência.

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O fenômeno: Por que a terra está sumindo?

Diferente de um surgimento vulcânico, esta 'nova ilha' nascerá do isolamento. A erosão acelerada no Canal do Ararapira está solapando a base da areia, agindo como um rio que força sua saída para o mar.

  • O 'Ponto de Ruptura': Especialistas apontam que o rompimento definitivo deve ocorrer entre 2032 e 2034.

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  • Precedente perigoso: Em 2018, um evento similar na Enseada da Baleia já alterou as correntes locais, acelerando o desgaste atual.

  • O veredito técnico: 'É inevitável', afirma o geólogo Rodolfo Angulo (UFPR), que monitora a área há 26 anos.

O impacto nas comunidades caiçaras

Não é apenas uma mudança no mapa; é uma crise social. Seis territórios tradicionais, incluindo Vila Mendonça e Nova Enseada da Baleia, estão na rota do isolamento.

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  1. Isolamento Terrestre: Já existe um canal de 170 metros de largura que impede o acesso a pé ou por veículos.

  2. Morte dos Manguezais: A entrada maciça de água salgada pode destruir o equilíbrio do estuário, afetando a pesca artesanal.

  3. Rotas de Navegação: Onde hoje é fundo, pode ficar raso, e vice-versa, invalidando os mapas náuticos usados pelos pescadores locais.

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A batalha judicial e as barreiras de pedra

O Ministério Público classifica a situação como crítica. Enquanto o governo estuda o uso de 'enrocamento' (barreiras de pedras), cientistas fazem um alerta: essas estruturas rígidas podem ser um 'tiro no pé', transferindo a erosão para outras praias vizinhas e agravando o desastre ambiental.

'A mudança da linha de costa é um fenômeno natural, mas intensificado pela elevação do nível do mar', afirma a Secretaria de Meio Ambiente de SP.

O Estado afirma estar utilizando drones e sensoriamento remoto para monitorar o avanço, enquanto desenha um plano de adaptação climática para os próximos 100 anos, prevendo a realocação segura das famílias.

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