Cotidiano
Fungo Cordyceps caloceroides infecta tarântula Theraphosa blondii e altera comportamento do animal na floresta
Após ser infectada, a aranha muda de comportamento e se enterra no solo da floresta / Reprodução/Redes Sociais
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Um vídeo que circula na internet mostra uma cena rara envolvendo dois organismos de espécies distintas na maior floresta do mundo: um “fungo zumbi” parasitando uma tarântula gigante da Amazônia.
No vídeo, é possível ver um organismo alongado e alaranjado que aparece saindo do corpo da aranha. Segundo especialistas, essa formação é a estrutura reprodutiva do fungo. Após ser infectada, a aranha muda de comportamento e se enterra no solo da floresta, que possui uma camada espessa de folhas e matéria orgânica. Esse comportamento aumenta as chances de o fungo liberar esporos e infectar novos hospedeiros.
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O nome científico do fungo é Cordyceps caloceroides, e a aranha infectada é uma tarântula da espécie Theraphosa blondii, encontrada na Reserva Adolpho Ducke, próxima a Manaus.
Veja o vídeo.
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De acordo com especialistas, o fungo “zumbi” não representa risco para humanos. Ele costuma infectar hospedeiros muito específicos, como insetos ou aracnídeos, e depende diretamente desses organismos para completar seu ciclo de vida.
Como a aranha é grande, o fungo tem energia suficiente para produzir essa estrutura comprida que projeta para fora do solo. Na ponta fica a região fértil, onde os esporos são produzidos e liberados para infectar um novo hospedeiro.
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Vale lembrar que, diariamente, as pessoas respiram milhares de esporos de diferentes fungos sem adoecer, graças ao sistema imunológico.
O exemplar encontrado está entre os mais bem preservados já registrados, o que permite comparações com fungos encontrados em outras regiões do Brasil e até em outros biomas.
O Brasil abriga mais de 10% da biodiversidade global, incluindo inúmeras espécies de fungos, muitas delas exclusivas do país.
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Cordyceps é um gênero de fungos que cresce principalmente em insetos e outros artrópodes. Existem aproximadamente 400 espécies conhecidas, e cada uma costuma ser especializada em um tipo específico de hospedeiro.
Esse tipo de fungo não atinge humanos. Ainda assim, cientistas seguem estudando o grupo para entender melhor sua diversidade e evolução.
Nos insetos infectados, o fungo pode alterar o comportamento do hospedeiro e utilizar seu corpo para completar o ciclo de vida. Após o desenvolvimento do parasita, o organismo infectado acaba morrendo.
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Também conhecida como aranha-golias-comedora-de-pássaros, a Theraphosa blondii é uma espécie de aranha caranguejeira considerada um dos maiores aracnídeos do mundo.
Endêmica do norte da Amazônia brasileira, pode se alimentar de roedores, répteis, anfíbios e até pequenos pássaros.
De acordo com especialistas, seu veneno não é considerado altamente perigoso para humanos, mas a picada pode provocar náuseas, transpiração excessiva e dor intensa. Isso ocorre porque suas quelíceras podem chegar a cerca de 3 centímetros de comprimento, capazes de perfurar a pele humana com facilidade.
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Como ocorre com diversos animais, essa aranha geralmente só ataca quando se sente ameaçada. Nessas situações, pode emitir um tipo de chiado graças a órgãos estriduladores presentes no abdômen — característica que muitas outras espécies de aranhas não possuem.
Embora seja venenosa, em muitos casos a picada não resulta na inoculação de veneno, o que os especialistas chamam de “mordida seca”.