Cotidiano

O fim do verão traz a 'ressaca' do desemprego e muda o mapa do trabalho na Baixada Santista

Com o encerramento dos contratos temporários, cidades da Baixada Santista registram alta na busca por empregos e auxílio-desemprego

Luna Almeida

Publicado em 16/04/2026 às 10:01

Atualizado em 16/04/2026 às 10:04

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Essa movimentação sazonal revela a fragilidade do emprego vinculado exclusivamente ao calendário / Imagem gerada por IA

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O fim da alta temporada de verão trouxe o esperado reflexo no mercado de trabalho da Baixada Santista: o encerramento dos contratos sazonais no turismo e comércio. Em abril, o cenário regional é de transição. 

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Enquanto cidades com forte apelo turístico, como Mongaguá e Guarujá, sentem a pressão nos pedidos de seguro-desemprego, polos industriais e de serviços como Santos e Cubatão tentam absorver a mão de obra disponível por meio de mutirões e demandas operacionais contínuas. 

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O desafio agora é transformar o trabalhador temporário em um profissional qualificado para os setores que mantêm a economia aquecida durante o inverno.

Essa movimentação sazonal revela a fragilidade do emprego vinculado exclusivamente ao calendário de férias e feriados. 

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Dados das prefeituras indicam que, enquanto uma pequena parcela dos contratos temporários consegue a efetivação, a maioria dos trabalhadores precisa buscar novas frentes de trabalho em um mercado que exige cada vez mais especialização. 

A migração para setores como a construção civil, o apoio logístico e o empreendedorismo individual surge como a principal estratégia de sobrevivência econômica na região até que os termômetros voltem a subir e o fluxo de turistas se normalize.

Santos

No maior hub logístico da região, a movimentação no Centro Público de Emprego e Trabalho (CPET) cresceu expressivamente. Em janeiro, foram captadas 286 vagas, número que saltou para 484 em março. 

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No início de abril, o volume de pedidos de seguro-desemprego manteve-se em 140 solicitações, dentro da média histórica. O setor de serviços continua sendo o pilar, com mais de 143 mil vínculos formais. 

Para facilitar a recolocação, a prefeitura realiza no dia 16 de abril um Mutirão de Emprego com 217 vagas em diversas funções, desde açougueiro a auxiliar de laboratório.

São Vicente

Mesmo com o fim do verão, o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) vicentino registrou um aumento de 30% na oferta de vagas entre janeiro (162) e março (210). 

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A prefeitura destaca que não houve um salto nos pedidos de seguro-desemprego e que o mercado local tem focado na construção civil e nos serviços para absorver quem saiu do comércio de praia. 

Para apoiar essa transição, a cidade mantém cursos mensais de requalificação em áreas como marketing digital e portaria.

Guarujá

A "Pérola do Atlântico" apresenta um cenário mais típico de pós-temporada. Em março, os atendimentos para seguro-desemprego (718) superaram os de janeiro (677), tendência que se confirmou nos primeiros dias de abril. 

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Por outro lado, a procura direta por emprego no PAT caiu, sugerindo uma mudança no perfil de busca dos profissionais. 

Já para absorver a mão de obra dispensada pelo setor de turismo e comércio, a cidade conta com iniciativas como o Feirão de Empregos, que tem sido uma chance de aproximar trabalhadores e empresas.

O refúgio dos trabalhadores tem sido a construção civil e a engenharia, que somaram mais de 130 vagas no primeiro trimestre em funções como pedreiro e eletricista, além do comércio atacadista.

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Cubatão

Diferente das vizinhas, Cubatão não segue a lógica do "esfriamento da orla". A economia local é movida pelo setor industrial e pelas paradas de manutenção das fábricas. 

Embora a oferta de vagas tenha caído em relação a 2025, a competitividade aumentou: em 2026, a relação é de 6,3 candidatos por vaga. 

Trabalhadores que buscam colocação encontram oportunidades na logística e em serviços técnicos industriais, que possuem baixa sazonalidade e mantêm a demanda estável durante todo o ano.

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Itanhaém

Em Itanhaém, o movimento no PAT subiu de 399 atendimentos em janeiro para 527 em março. 

A prefeitura ressalta que muitos trabalhadores estão optando pela formalização como MEI para atuar em serviços autônomos, como piscineiros e entregadores, fugindo da dependência exclusiva do turismo. 

O setor de serviços segue como a principal alternativa formal. Para qualificação, a cidade aposta na plataforma Qualifica SP, oferecendo capacitação contínua para evitar que o desemprego se prolongue.

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Mongaguá

A cidade registrou uma desaceleração na abertura de vagas em março e um aumento nítido na procura pelo seguro-desemprego em abril. A estimativa municipal é que apenas 10% a 20% dos contratos temporários de verão tenham sido convertidos em efetivos. 

Para combater esse desequilíbrio, a prefeitura planeja mutirões de emprego e cursos gratuitos via Sebrae. 

Os setores de logística, distribuição e serviços gerais (zeladoria e limpeza) são os principais destinos de quem deixou os quiosques e lojas de temporada.

Bertioga, Peruíbe e Praia Grande

Até o fechamento desta edição, as administrações municipais de Bertioga, Peruíbe e Praia Grande não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para que as prefeituras enviem seus posicionamentos, que serão prontamente integrados ao texto.

O caminho da requalificação para estabilidade

A cidade conta com iniciativas como o Feirão de Empregos, que tem sido uma chance de aproximar trabalhadores e empresasA cidade conta com iniciativas como o Feirão de Empregos, que tem sido uma chance de aproximar trabalhadores e empresas / Imagem gerada por IA

O atual cenário na Baixada Santista reforça que a solução para a instabilidade sazonal passa obrigatoriamente pela diversificação da economia e pelo investimento em capacitação técnica. 

O aumento na concorrência por vagas em polos industriais e de construção civil demonstra que, embora existam oportunidades, o mercado está mais exigente e menos tolerante ao amadorismo.

As prefeituras da região têm respondido a esse gargalo com a intensificação de mutirões e parcerias para cursos gratuitos, buscando garantir que a mão de obra que circula pela orla durante o verão consiga se sustentar com dignidade no restante do ano. 

O sucesso dessa transição dependerá da capacidade dos trabalhadores de se adaptarem às novas funções e do suporte contínuo dos órgãos públicos em fomentar frentes de trabalho menos dependentes do clima e da alta temporada.

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