Cotidiano

O fim do improviso: Empresas de infraestrutura adotam inteligência climática para blindar margens

Mais do que uma pauta vinculada ao ESG, a adaptação às mudanças do clima envolve gestão de riscos, governança, planejamento e proteção do negócio

Igor de Paiva

Publicado em 12/02/2026 às 20:20

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O primeiro passo é identificar quais riscos climáticos realmente impactam o negócio / Leitor/DL

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Eventos climáticos extremos já não pertencem ao campo das projeções futuras. Eles fazem parte do cotidiano das empresas e impactam diretamente a segurança, a continuidade das operações, os custos, os prazos e, consequentemente, a receita. Enchentes, estiagens prolongadas, ondas de calor e ventos intensos deixaram de ser exceção.

Mesmo assim, ainda há gestores que tratam a resiliência climática como um tema secundário, quando ela já ocupa posição central na estratégia empresarial.

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Mais do que uma pauta vinculada ao ESG, a adaptação às mudanças do clima envolve gestão de riscos, governança, planejamento e proteção do negócio.

Encarar esse tema apenas como despesa pode sair caro. Organizações que só investem depois de sofrer prejuízos operam no modo reativo. Já aquelas que se antecipam entendem a resiliência como uma forma de blindagem: um investimento feito antes que o cenário adverso comprometa resultados.

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Segmentos como energia, transporte, mineração, logística e infraestrutura, que dependem de ativos expostos ao ambiente, sentem esses efeitos de forma ainda mais direta. Nesses casos, considerar o clima como variável estratégica é questão de sobrevivência operacional. Para avançar nessa direção, algumas práticas são fundamentais.

O primeiro passo é identificar quais riscos climáticos realmente impactam o negócio. Cada atividade responde de maneira diferente a fatores como chuva intensa, calor excessivo ou ventos fortes. Sem esse diagnóstico, decisões continuam baseadas em percepção e improviso.

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Também é essencial incorporar informações climáticas ao planejamento rotineiro. Empresas mais preparadas usam previsões para organizar manutenção, ajustar cronogramas, planejar logística e reforçar protocolos de segurança. O clima deixa de ser surpresa e passa a orientar escolhas.

Outra medida estratégica é trabalhar com cenários. Simular diferentes condições permite reprogramar operações, redimensionar equipes e rever contratos antes que a situação se transforme em crise. Planejamento antecipado reduz paralisações e minimiza impactos financeiros.

Planos de contingência também precisam ser objetivos e acionáveis. Não basta ter documentos formais; é necessário definir critérios claros para interromper, reduzir ou retomar atividades com base em parâmetros climáticos específicos.

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Reduzir a dependência de respostas emergenciais é outro ponto-chave. A reação costuma ser mais cara, gera retrabalho e amplia riscos à segurança. Antecipar-se diminui perdas e melhora a eficiência operacional.

O uso de dados climáticos detalhados, ajustados à realidade de cada local, faz diferença significativa. Informações genéricas muitas vezes não captam a complexidade de ativos críticos. Dados mais precisos permitem decisões mais assertivas.

A integração entre áreas internas também é indispensável. Operação, manutenção, segurança e planejamento precisam atuar de forma coordenada. A resiliência climática não é responsabilidade isolada, mas resultado de alinhamento organizacional.

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Dar previsibilidade às equipes fortalece a cultura de segurança e reduz o estresse em momentos de instabilidade. Quando líderes trabalham com informações antecipadas, a tomada de decisão se torna mais consistente.

Além disso, é importante avaliar o impacto real dos eventos climáticos, e não apenas sua ocorrência. Entender como determinadas condições afetam produtividade, custos e prazos permite ajustes mais inteligentes.

Por fim, estratégias devem ser revisadas continuamente. O comportamento do clima é dinâmico, e os aprendizados operacionais precisam alimentar melhorias constantes nos protocolos adotados.

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A adaptação climática deixou de ser diferencial competitivo e passou a ser requisito básico para empresas que dependem de ativos físicos e operações complexas. Antecipar riscos significa reduzir o custo do inesperado e aumentar a previsibilidade. Em um ambiente cada vez mais instável, transformar dados climáticos em decisões estratégicas pode ser o que separa empresas vulneráveis daquelas preparadas para crescer mesmo diante da adversidade.

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