Cotidiano

O erro bilionário: quando a Microsoft riu do iPhone e perdeu o mercado de celulares

Do domínio com o Windows Mobile ao fracasso do Lumia, a empresa perdeu espaço por subestimar a experiência do usuário

Ana Clara Durazzo

Publicado em 24/09/2025 às 13:30

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Apesar do tropeço nos celulares, a Microsoft continua sendo uma das maiores empresas de tecnologia do mundo / Divulgação

Continua depois da publicidade

O ano era 2007 quando Steve Jobs subiu ao palco diante de 3 mil pessoas para apresentar o primeiro iPhone. O que parecia apenas mais um lançamento se tornaria uma revolução tecnológica. Mas, até um ano antes, quem dominava o mercado de smartphones era a Microsoft, com sua plataforma Windows Mobile.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Na época, o então CEO da empresa, Steve Ballmer, chegou a desdenhar do novo concorrente, afirmando que clientes corporativos sempre prefeririam teclados físicos e que o iPhone era “caro demais” para prosperar. O tempo, no entanto, mostrou o contrário: o foco da Apple na experiência do usuário mudou para sempre o rumo da indústria de celulares.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• IA da Microsoft acerta 4 vezes mais que médicos em diagnósticos complexos

• Com IA e videogames, Microsoft se consolida como maior do mundo após balanços

• Impulsionada por IA, Microsoft supera Apple e se torna empresa mais valiosa do mundo

De pioneira a defasada

A relação da Microsoft com os dispositivos móveis começou nos anos 1990, com o Pocket PC, um “Windows de bolso” para agendas digitais. Em 2003, evoluiu para o Windows Mobile, sistema usado por marcas como HTC, Motorola e Samsung.

O sucesso parecia garantido: só em 2007, a empresa vendeu 11 milhões de licenças e esperava crescer 50% nos anos seguintes. Mas, com a chegada do iOS e do Android, o sistema da Microsoft rapidamente ficou com cara de ultrapassado.

Continua depois da publicidade

Enquanto Apple e Google priorizavam conveniência, aplicativos e usabilidade, a Microsoft manteve foco em recursos técnicos para empresas — e perdeu espaço.

Resposta tardia

O Windows Phone 7, lançado em 2010, trouxe interface elogiada, mas pecava no essencial: um ecossistema robusto de aplicativos. O sistema tinha apenas 2 mil apps, contra 200 mil do Android e 300 mil do iOS. Faltavam nomes populares como Shazam, YouTube e Twitter.

A parceria com a Nokia, firmada em 2011, deu origem à linha Lumia, mas o sistema continuava limitado. Para piorar, a Microsoft tomou uma decisão fatal: não permitir a atualização dos aparelhos Windows Phone 7 para o Windows Phone 8, alienando os usuários mais fiéis.

Continua depois da publicidade

O fiasco das atualizações

A fragmentação da base de clientes corroeu a confiança na marca. Em 2013, a empresa até tentou se recuperar ao comprar a divisão de celulares da Nokia por US$ 7,2 bilhões, mas a iniciativa não rendeu frutos.

Após anos de prejuízos, a Microsoft abandonou o mercado de smartphones em 2017, em um dos maiores fracassos de sua história. Mais tarde, o próprio Ballmer admitiu que a empresa perdeu tempo valioso por não ter integrado hardware e software com rapidez suficiente.

Lições de mercado

O episódio se tornou um case clássico no mundo da tecnologia: uma empresa dominante que despreza um concorrente emergente e acaba engolida pela falta de inovação.

Continua depois da publicidade

Enquanto a Microsoft focava em empresas, a Apple venceu ao colocar o usuário comum no centro. O resultado mostrou que, mais do que especificações técnicas, o sucesso de um produto depende da experiência oferecida ao consumidor.

A gigante de Redmond segue viva

Apesar do tropeço nos celulares, a Microsoft continua sendo uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Fundada em 1975 por Bill Gates e Paul Allen, a companhia construiu sua base no software, consolidou o Windows como sistema operacional dominante e diversificou para consoles de videogame (Xbox), serviços de nuvem (Azure) e inteligência artificial.

Hoje, o Windows é usado por mais de 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo, com participação de mercado superior a 88% nos desktops, segundo dados da Statcounter.

Continua depois da publicidade

TAGS :

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software