Apesar do tropeço nos celulares, a Microsoft continua sendo uma das maiores empresas de tecnologia do mundo / Divulgação
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O ano era 2007 quando Steve Jobs subiu ao palco diante de 3 mil pessoas para apresentar o primeiro iPhone. O que parecia apenas mais um lançamento se tornaria uma revolução tecnológica. Mas, até um ano antes, quem dominava o mercado de smartphones era a Microsoft, com sua plataforma Windows Mobile.
Na época, o então CEO da empresa, Steve Ballmer, chegou a desdenhar do novo concorrente, afirmando que clientes corporativos sempre prefeririam teclados físicos e que o iPhone era “caro demais” para prosperar. O tempo, no entanto, mostrou o contrário: o foco da Apple na experiência do usuário mudou para sempre o rumo da indústria de celulares.
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A relação da Microsoft com os dispositivos móveis começou nos anos 1990, com o Pocket PC, um “Windows de bolso” para agendas digitais. Em 2003, evoluiu para o Windows Mobile, sistema usado por marcas como HTC, Motorola e Samsung.
O sucesso parecia garantido: só em 2007, a empresa vendeu 11 milhões de licenças e esperava crescer 50% nos anos seguintes. Mas, com a chegada do iOS e do Android, o sistema da Microsoft rapidamente ficou com cara de ultrapassado.
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Enquanto Apple e Google priorizavam conveniência, aplicativos e usabilidade, a Microsoft manteve foco em recursos técnicos para empresas — e perdeu espaço.
O Windows Phone 7, lançado em 2010, trouxe interface elogiada, mas pecava no essencial: um ecossistema robusto de aplicativos. O sistema tinha apenas 2 mil apps, contra 200 mil do Android e 300 mil do iOS. Faltavam nomes populares como Shazam, YouTube e Twitter.
A parceria com a Nokia, firmada em 2011, deu origem à linha Lumia, mas o sistema continuava limitado. Para piorar, a Microsoft tomou uma decisão fatal: não permitir a atualização dos aparelhos Windows Phone 7 para o Windows Phone 8, alienando os usuários mais fiéis.
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A fragmentação da base de clientes corroeu a confiança na marca. Em 2013, a empresa até tentou se recuperar ao comprar a divisão de celulares da Nokia por US$ 7,2 bilhões, mas a iniciativa não rendeu frutos.
Após anos de prejuízos, a Microsoft abandonou o mercado de smartphones em 2017, em um dos maiores fracassos de sua história. Mais tarde, o próprio Ballmer admitiu que a empresa perdeu tempo valioso por não ter integrado hardware e software com rapidez suficiente.
O episódio se tornou um case clássico no mundo da tecnologia: uma empresa dominante que despreza um concorrente emergente e acaba engolida pela falta de inovação.
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Enquanto a Microsoft focava em empresas, a Apple venceu ao colocar o usuário comum no centro. O resultado mostrou que, mais do que especificações técnicas, o sucesso de um produto depende da experiência oferecida ao consumidor.
Apesar do tropeço nos celulares, a Microsoft continua sendo uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Fundada em 1975 por Bill Gates e Paul Allen, a companhia construiu sua base no software, consolidou o Windows como sistema operacional dominante e diversificou para consoles de videogame (Xbox), serviços de nuvem (Azure) e inteligência artificial.
Hoje, o Windows é usado por mais de 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo, com participação de mercado superior a 88% nos desktops, segundo dados da Statcounter.
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