Cotidiano
Gilberto Araújo da Silva desapareceu com sua aeronave no Pacífico sem emitir pedido de socorro, sem deixar vestígios e sem oferecer respostas à investigação internacional
Mais de 40 anos depois, o nome do comandante segue associado a um dos episódios mais intrigantes da aviação mundial / ImageFX
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Décadas antes de outros desaparecimentos que chocariam o mundo, um piloto brasileiro experiente entrou para a história da aviação mundial envolto em um silêncio inexplicável. Em 1979, o comandante de um cargueiro brasileiro desapareceu com sua aeronave no Pacífico sem emitir pedido de socorro, sem deixar vestígios e sem oferecer respostas à investigação internacional.
Mais de quatro décadas depois, o caso segue como um dos maiores enigmas da aviação — e o histórico do comandante é justamente o que torna o desaparecimento ainda mais difícil de explicar.
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No dia 30 de janeiro de 1979, um Boeing 707 cargueiro decolou de Tóquio com destino ao Rio de Janeiro, com escala programada em Los Angeles. À frente da aeronave estava um comandante amplamente respeitado, com anos de experiência internacional e reconhecido por sua atuação em situações críticas.
O piloto não era novato nem inexperiente. Em 1973, ele havia sido condecorado por autoridades francesas após realizar um pouso de emergência considerado exemplar, evitando uma tragédia em condições extremas. Esse episódio consolidou sua reputação como profissional altamente capacitado, meticuloso e preparado para lidar com imprevistos.
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Por isso, o que aconteceu naquela manhã de 1979 desafia qualquer explicação simples.
Cerca de 30 minutos após a decolagem, o contato com a aeronave foi perdido de forma repentina. Não houve chamada de emergência, alerta técnico ou qualquer comunicação anormal vinda da cabine — um detalhe que intriga especialistas até hoje.
Para investigadores, o silêncio absoluto contrasta diretamente com o perfil do comandante. Um piloto com esse nível de experiência, em tese, tentaria comunicar qualquer anomalia, mesmo diante de uma falha grave.
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O avião simplesmente desapareceu dos radares.
Após o sumiço, uma ampla operação de buscas foi realizada no Oceano Pacífico, com apoio internacional. Navios, aeronaves e equipes especializadas vasculharam áreas extensas por dias.
O resultado foi desconcertante: nenhum destroço, nenhum corpo e nenhum vestígio da aeronave ou da tripulação. Em relatório posterior, a própria companhia aérea confirmou que nenhuma evidência física foi localizada, encerrando oficialmente as buscas sem uma conclusão definitiva.
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Apesar das lacunas, alguns pontos são considerados oficiais:
Data: 30 de janeiro de 1979
Modelo: Boeing 707 cargueiro
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Tripulantes: 6 pessoas
Último contato: cerca de 30 minutos após a decolagem
Carga: mais de 50 obras de arte
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Valor estimado: US$ 1,2 milhão (à época)
Resultado das buscas: nenhum vestígio encontrado
Esses são os poucos fatos concretos em um caso marcado por incertezas.
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Diversas hipóteses foram levantadas ao longo dos anos para tentar explicar o desaparecimento:
Despressurização lenta, levando à inconsciência da tripulação
Voo em piloto automático até a queda por falta de combustível
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Sequestro da aeronave, motivado pela carga valiosa
Abatimento acidental, após violação de espaço aéreo
Transporte não declarado de material sensível
Embora tecnicamente possíveis, muitas dessas teorias esbarram em um ponto-chave: o comportamento esperado de um piloto com aquele histórico. Para especialistas, é difícil aceitar que nenhuma tentativa de comunicação tenha sido feita sem que algo extremamente grave e rápido tenha ocorrido.
A aeronave transportava mais de 50 obras do pintor Manabu Mabe, avaliadas em cerca de US$ 1,2 milhão em 1979. As obras nunca foram recuperadas, nunca surgiram em leilões e jamais apareceram em coleções privadas conhecidas.
Esse fato reforça suspeitas de crime internacional e levanta dúvidas sobre se o comandante e a tripulação teriam sido vítimas de uma ação deliberada.
O desaparecimento do avião brasileiro em 1979 não deixou rastros físicos, mas deixou uma pergunta central que resiste ao tempo: como um piloto tão experiente, reconhecido por sua frieza e preparo, pôde desaparecer sem deixar um único sinal de alerta?
Mais de 40 anos depois, o nome do comandante segue associado a um dos episódios mais intrigantes da aviação mundial — um lembrete de que, mesmo com tecnologia, experiência e investigação internacional, alguns voos jamais pousam no campo das respostas definitivas.