Cotidiano

O chocolate baiano que está desbancando a Suíça: Conheça a revolução em Ilhéus

No sul da Bahia, a cidade que já foi sinônimo de riqueza no ciclo do cacau agora vive uma nova ambição: produzir e sustentar o título de melhor chocolate do mundo

Ana Clara Durazzo

Publicado em 01/03/2026 às 08:01

Atualizado em 01/03/2026 às 08:33

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O aroma intenso do cacau fresco invade as fazendas históricas de Ilhéus antes mesmo de o chocolate ganhar forma / Freepik

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O aroma intenso do cacau fresco invade as fazendas históricas de Ilhéus antes mesmo de o chocolate ganhar forma. No sul da Bahia, a cidade que já foi sinônimo de riqueza no ciclo do cacau agora vive uma nova ambição: produzir — e sustentar — o título de melhor chocolate do mundo.

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Depois de quase sucumbir à crise provocada pela vassoura-de-bruxa nos anos 1990, Ilhéus reinventou sua economia apostando no chocolate de origem. O modelo 'bean-to-bar', em que toda a produção acontece na própria fazenda, transformou antigos latifúndios em laboratórios de excelência gastronômica.

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Hoje, a Costa do Cacau reúne mais de 200 marcas artesanais. Algumas já acumulam prêmios no Salão do Chocolate de Paris e de Londres — vitrine global para produtores que disputam paladar, técnica e identidade territorial.

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Do quase colapso ao padrão internacional

No início do século XX, Ilhéus era a maior produtora de cacau do planeta. A riqueza financiou palacetes, teatros e inspirou romances de Jorge Amado. A monocultura, porém, deixou a região vulnerável. Quando a praga atingiu as lavouras, milhares de produtores faliram.

A resposta veio com qualidade em vez de volume. O sistema cabruca — cultivo sombreado sob a Mata Atlântica — preserva biodiversidade e melhora o perfil sensorial das amêndoas. O resultado são chocolates com notas frutadas, florais e amadeiradas, reconhecidos em competições internacionais.

Mais do que produzir, Ilhéus passou a contar histórias em cada barra: do terror úmido do litoral ao manejo sustentável que diferencia o cacau baiano no mercado premium.

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Mais do que produzir, Ilhéus passou a contar histórias em cada barra: do terror úmido do litoral ao manejo sustentável que diferencia o cacau baiano no mercado premium / ImageFX
Mais do que produzir, Ilhéus passou a contar histórias em cada barra: do terror úmido do litoral ao manejo sustentável que diferencia o cacau baiano no mercado premium / ImageFX
Mais do que produzir, Ilhéus passou a contar histórias em cada barra: do terror úmido do litoral ao manejo sustentável que diferencia o cacau baiano no mercado premium. ImageFX
Mais do que produzir, Ilhéus passou a contar histórias em cada barra: do terror úmido do litoral ao manejo sustentável que diferencia o cacau baiano no mercado premium. ImageFX
Mais do que produzir, Ilhéus passou a contar histórias em cada barra: do terroir úmido do litoral ao manejo sustentável que diferencia o cacau baiano no mercado premium. Freepik
Mais do que produzir, Ilhéus passou a contar histórias em cada barra: do terroir úmido do litoral ao manejo sustentável que diferencia o cacau baiano no mercado premium. Freepik
Mais do que produzir, Ilhéus passou a contar histórias em cada barra: do terror úmido do litoral ao manejo sustentável que diferencia o cacau baiano no mercado premium. Freepik
Mais do que produzir, Ilhéus passou a contar histórias em cada barra: do terror úmido do litoral ao manejo sustentável que diferencia o cacau baiano no mercado premium. Freepik

Estrada do Chocolate: experiência completa

Ao longo dos 43 quilômetros da Estrada do Chocolate, entre Ilhéus e Uruçuca, visitantes acompanham o processo do fruto ao tablete. Caminham entre cacaueiros centenários, provam mel de cacau direto da polpa e observam a torra e a conchagem que definem aroma e textura.

Fazendas como Yrerê, Riachuelo e Provisão abriram as porteiras ao turismo, apostando na experiência sensorial como diferencial competitivo. Degustações guiadas explicam porcentagem de cacau, tempo de fermentação e origem genética das amêndoas — detalhes que colocam o produto baiano na mesma prateleira de chocolates consagrados da Europa.

Chocolate com identidade brasileira

Enquanto a indústria internacional domina a produção em larga escala, Ilhéus aposta na singularidade. Pequenos lotes, rastreabilidade e controle artesanal permitem explorar características que variam de acordo com o solo e o clima tropical úmido.

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O mercado internacional começa a olhar para o sul da Bahia não apenas como fornecedor de matéria-prima, mas como produtor final de excelência. O cacau que antes era exportado cru agora retorna ao mundo como produto sofisticado e premiado.

Mais que doce, símbolo de reinvenção

Ilhéus não vende apenas chocolate. Vende superação. O fruto que quase levou a economia local ao colapso tornou-se emblema de inovação sustentável.

Entre praias extensas e casarões históricos, a cidade baiana constrói reputação que vai além do turismo literário e do litoral paradisíaco. Na disputa global pelo melhor chocolate do mundo, Ilhéus quer que o sabor do seu cacau fale mais alto — intenso, autêntico e com identidade própria.

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