Número de casos de dengue sobe mais de 200% em Itanhaém

Aumento do número de casos da doença deixa moradores em alerta em alguns bairros da cidade

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30 MAI 2019Por Nayara Martins07h00
Pacientes com sintomas de dengue aguardam o atendimento na UPA de Itanhaém; prefeitura reforça fiscalização de criadourosFoto: Nayara Martins/DL

O aumento do número de pessoas com a dengue deixa moradores em alerta em alguns bairros de Itanhaém. Apesar de o município ter registrado, este ano, 150 casos de dengue e mais 290 pessoas que aguardam o resultado de exames, o secretário municipal de Saúde, o médico Fábio Crivellari Miranda, garante que as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti foram reforçadas e a cidade ainda não está em situação de epidemia.

"Mesmo com os números apontando para uma possível epidemia, tal situação não é considerada por enquanto, porém, a força empenhada no combate é de como se fosse um período epidemiológico para evitar que isso aconteça", esclareceu o secretário. O último ano epidemiológico na cidade ocorreu em 2015, com 4.874 mil casos registrados, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo.

O médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e vereador Alder Valadão também está bastante preocupado. Na sessão da Câmara do dia 13, ele afirmou "dos pacientes que atendo, na UPA de Itanhaém, por dia, 75% são casos suspeitos da doença". Segundo o vereador, a secretaria municipal de Saúde deve agir com mais rigor e ter um trabalho preventivo nas escolas e bairros.

A reportagem do Diário do Litoral esteve na unidade da UPA de Itanhaém, na última semana, e conversou com algumas pessoas que estavam com os sintomas da dengue.

Um deles é o morador Daniel da Silva Cardoso, autônomo, 45 anos, do bairro Jardim Marilu, a suspeita é de que ele esteja com a doença. "Comecei a sentir calafrios, febre alta e dores no corpo, desde o dia 17. Apesar de ser a primeira vez que sinto esses sintomas, acho que pode ser a dengue", explicou. Ele estava aguardando o atendimento médico, na UPA.

O pedreiro Tiago Souza da Silva, 36 anos, do Jardim Oásis, também estava na UPA para saber o resultado dos exames dele e da filha. Acompanhado de sua filha Ana Gabriela da Silva, de 15 anos, os dois sentiam os mesmo sintomas - dor nas juntas, dor de cabeça, náuseas, há três dias. "Meu bairro já deve estar com muitos focos do mosquito, tem muito lixo nas ruas e postos de material reciclável", completou.

Ações de controle

Na opinião do secretário de Saúde, o avanço da doença se deu devido aos altos índices pluviométricos registrados nos últimos meses. "Além disso, a população tende a relaxar com os cuidados a serem tomados constantemente para o combate do mosquito". Citou ainda os imóveis de veraneio fechados, cujos proprietários vêm somente na época de férias.

A coordenadora do Controle de Endemias da Vigilância Epidemiológica, da secretaria de Saúde, Marinês Cristina Adão, explicou que várias ações são realizadas para o combate aos focos do mosquito. Uma delas é o bloqueio de controle de criadouros e a nebulização. Em casos de suspeitos ou confirmados, os agentes passam na residência e retiram os possíveis criadouros e, em seguida, é feita a nebulização para diminuir a contaminação de mais pessoas.

Os mini mutirões estão acontecendo em alguns bairros. Neste sábado, 1º de junho, será a vez da segunda etapa no Nossa Senhora do Sion. São visitadas, em média, duas mil casas, conforme o bairro. As ações são sempre acompanhadas pelo Catatreco, um caminhão que recolhe materiais que acumulem água. Também é feita a nebulização nos bairros e em postos de materiais recicláveis.

Quatro mutirões já foram feitos nos bairros Suarão, Nossa Senhora do Sion, Jardim Oásis e no Jardim Tropical. No Jardim Laranjeiras, em abril, a ação aconteceu em parceria entre os agentes de endemias, os agentes de saúde e mais 20 estudantes de Medicina da Unilus.

Os bairros mais afetados são o Jardim Tropical, Suarão, Savoy e o Belas Artes. "Os agentes de endemias enfrentam resistência de alguns moradores, como no Tropical, ao não permitirem entrar nas casas. É preciso maior conscientização das pessoas", salientou Marinês.

Outra ação é a Semana Estadual de Recolhimento de Pneus, que vai até o dia 30 deste mês. O objetivo é recolher pneus usados e evitar que sirvam como criadouros. Todas as unidades básicas de saúde e as três regionais recebem os pneus, sendo dez pontos itinerantes.

O enfermeiro Carlos Rodrigues, da Vigilância Epidemiológica, afirmou que, este ano, houve ainda dois casos de zika, além de 148 já descartados. No ano passado, foram apenas seis casos de dengue, dois de chikungunya e três de zika confirmados.

Onde procurar

A recomendação é que as pessoas com os primeiros sintomas da doença procurem a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, para evitar a superlotação na UPA. Na UBS pode ser feito o exame de sorologia para confirmar a dengue. O resultado, porém, pode levar até um mês.

Quem souber de locais com lixo acumulado, entulhos, ou outros problemas pode denunciar. É só ligar para (13) 3422-1944, no setor de Controle de Endemias e a secretaria de Obras também pode ser acionada.

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