Cotidiano

Novo golpe do falso gerente usa número real do banco para enganar clientes

Os criminosos utilizam dados privilegiados e urgência para induzir empréstimos; especialista explica que bancos podem ser responsabilizados

Giovanna Camiotto

Publicado em 15/01/2026 às 18:51

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O 'Golpe do Falso Gerente' se tornou uma das fraudes financeiras mais devastadoras / Pexels

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O "Golpe do Falso Gerente" se tornou uma das fraudes financeiras mais devastadoras no país. O crime chama a atenção pelo alto nível de sofisticação, no qual os golpistas utilizam o número de telefone real do gerente, que muitas vezes já está salvo nos contatos do cliente, e demonstram ter acesso a informações detalhadas sobre a conta bancária da vítima.

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De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), a engenharia social é o motor dessa fraude. Os criminosos utilizam dados verídicos, como agência, movimentações financeiras e dados cadastrais, para ganhar a confiança do correntista.

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"Os consumidores estão habituados a manter contato com seus gerentes e, por isso, não estranham a abordagem inicial", explica a Dra. Brunna Simon Vecchi, advogada especialista em golpes bancários.

Como funciona a abordagem de urgência

A tática principal é a criação de um cenário de pânico, onde o suposto gerente alega um ataque hacker e convence a vítima a realizar "procedimentos de segurança". Na verdade, esses passos consistem na contratação de empréstimos e na transferência imediata de valores para contas de "laranjas".

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"O que a vítima não sabe é que está transferindo seu próprio dinheiro, ou o valor de um empréstimo recém-contratado em seu nome, diretamente para os fraudadores", detalha a especialista. Segundo ela, a desinformação sobre os direitos do consumidor é o que mais impede a recuperação dos prejuízos.

O golpe do falso gerente usa o número real do banco e dados da sua conta para criar confiança. Os criminosos inventam ataques hackers para forçar transferências de segurança. Lembre-se: bancos jamais pedem Pix ou senhas por telefone/Pexels
O golpe do falso gerente usa o número real do banco e dados da sua conta para criar confiança. Os criminosos inventam ataques hackers para forçar transferências de segurança. Lembre-se: bancos jamais pedem Pix ou senhas por telefone/Pexels
Criminosos usam a engenharia social para aplicar o golpe do falso gerente, induzindo vítimas a contratar empréstimos. Se receber uma ligação suspeita, desligue e ligue você mesmo para o canal oficial da sua agência/Pexels
Criminosos usam a engenharia social para aplicar o golpe do falso gerente, induzindo vítimas a contratar empréstimos. Se receber uma ligação suspeita, desligue e ligue você mesmo para o canal oficial da sua agência/Pexels
Bancos podem ser responsabilizados por fraudes de terceiros devido a falhas na segurança dos dados. A Justiça entende que proteger o correntista é um risco inerente à atividade bancária, garantindo o direito à contestação/Pexels
Bancos podem ser responsabilizados por fraudes de terceiros devido a falhas na segurança dos dados. A Justiça entende que proteger o correntista é um risco inerente à atividade bancária, garantindo o direito à contestação/Pexels
Foi vítima de fraude bancária? O primeiro passo é ligar para o SAC do banco e registrar o Boletim de Ocorrência. É possível conseguir liminares na justiça para suspender cobranças de empréstimos feitos por golpistas/Pexels
Foi vítima de fraude bancária? O primeiro passo é ligar para o SAC do banco e registrar o Boletim de Ocorrência. É possível conseguir liminares na justiça para suspender cobranças de empréstimos feitos por golpistas/Pexels
A urgência é a maior arma dos golpistas. No golpe do falso gerente, eles pressionam para que você tome decisões rápidas sob medo. Desconfie de qualquer pedido de transferência imediata em nome da segurança da conta/Pexels
A urgência é a maior arma dos golpistas. No golpe do falso gerente, eles pressionam para que você tome decisões rápidas sob medo. Desconfie de qualquer pedido de transferência imediata em nome da segurança da conta/Pexels

A responsabilidade da instituição financeira

A Justiça brasileira tem um entendimento consolidado sobre o tema. A Súmula 479 do STJ determina que os bancos respondem objetivamente por fraudes cometidas por terceiros quando há falha na segurança. Isso é classificado como "fortuito interno", um risco inerente à atividade bancária.

Além disso, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) reforça que a violação do sigilo de dados, que permite ao golpista conhecer detalhes da conta, é uma falha grave do banco. Além do ressarcimento financeiro, o transtorno gerado pode configurar dano moral passível de indenização.

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Medidas de urgência e proteção jurídica

Para quem já foi vítima, é possível buscar uma tutela de urgência (liminar) na Justiça. Essa medida serve para suspender imediatamente as parcelas de empréstimos fraudulentos ou faturas de cartão de crédito enquanto o caso é julgado.

"Transações sequenciais, de valores elevados e em curto período, são alertas que um bom sistema de segurança deveria detectar. Se isso não ocorre, fica caracterizada a falha na prestação do serviço", pontua a Dra. Brunna Vecchi.

O que fazer se você for vítima de fraude financeira

  • Contate o Banco: Ligue imediatamente para contestar as operações, peça o bloqueio de valores e anote todos os protocolos.

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  • Boletim de Ocorrência: Registre o fato detalhadamente em uma delegacia eletrônica ou física.

  • Busque Especialistas: Reúna os documentos para que um advogado possa tomar as medidas judiciais cabíveis.

Atenção: O banco nunca solicita transferências para "desbloqueio de segurança" nem pede senhas ou tokens por telefone. Se receber uma ligação suspeita, desligue e ligue você mesmo para o canal oficial da sua agência.

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