O 'Golpe do Falso Gerente' se tornou uma das fraudes financeiras mais devastadoras / Pexels
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O "Golpe do Falso Gerente" se tornou uma das fraudes financeiras mais devastadoras no país. O crime chama a atenção pelo alto nível de sofisticação, no qual os golpistas utilizam o número de telefone real do gerente, que muitas vezes já está salvo nos contatos do cliente, e demonstram ter acesso a informações detalhadas sobre a conta bancária da vítima.
De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), a engenharia social é o motor dessa fraude. Os criminosos utilizam dados verídicos, como agência, movimentações financeiras e dados cadastrais, para ganhar a confiança do correntista.
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"Os consumidores estão habituados a manter contato com seus gerentes e, por isso, não estranham a abordagem inicial", explica a Dra. Brunna Simon Vecchi, advogada especialista em golpes bancários.
A tática principal é a criação de um cenário de pânico, onde o suposto gerente alega um ataque hacker e convence a vítima a realizar "procedimentos de segurança". Na verdade, esses passos consistem na contratação de empréstimos e na transferência imediata de valores para contas de "laranjas".
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"O que a vítima não sabe é que está transferindo seu próprio dinheiro, ou o valor de um empréstimo recém-contratado em seu nome, diretamente para os fraudadores", detalha a especialista. Segundo ela, a desinformação sobre os direitos do consumidor é o que mais impede a recuperação dos prejuízos.
A Justiça brasileira tem um entendimento consolidado sobre o tema. A Súmula 479 do STJ determina que os bancos respondem objetivamente por fraudes cometidas por terceiros quando há falha na segurança. Isso é classificado como "fortuito interno", um risco inerente à atividade bancária.
Além disso, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) reforça que a violação do sigilo de dados, que permite ao golpista conhecer detalhes da conta, é uma falha grave do banco. Além do ressarcimento financeiro, o transtorno gerado pode configurar dano moral passível de indenização.
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Para quem já foi vítima, é possível buscar uma tutela de urgência (liminar) na Justiça. Essa medida serve para suspender imediatamente as parcelas de empréstimos fraudulentos ou faturas de cartão de crédito enquanto o caso é julgado.
"Transações sequenciais, de valores elevados e em curto período, são alertas que um bom sistema de segurança deveria detectar. Se isso não ocorre, fica caracterizada a falha na prestação do serviço", pontua a Dra. Brunna Vecchi.
Contate o Banco: Ligue imediatamente para contestar as operações, peça o bloqueio de valores e anote todos os protocolos.
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Boletim de Ocorrência: Registre o fato detalhadamente em uma delegacia eletrônica ou física.
Busque Especialistas: Reúna os documentos para que um advogado possa tomar as medidas judiciais cabíveis.
Atenção: O banco nunca solicita transferências para "desbloqueio de segurança" nem pede senhas ou tokens por telefone. Se receber uma ligação suspeita, desligue e ligue você mesmo para o canal oficial da sua agência.
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