Ao assumir a Prefeitura de Guarujá, o prefeito Valter Suman (PSB) recebeu, por imposição administrativa, a responsabilidade de renovar contratos de serviços que há muito vinham sendo questionados pela população: transporte, iluminação e saneamento básico – água e esgoto. Nos 84 anos de emancipação político-administrativa do Município, o Diário entrevista o prefeito para saber o que está sendo realizado para virar essas páginas. Confira os melhores trechos da entrevista:
Diário do Litoral – O projeto mais recente foi para a renovação do contrato da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Foi vantajosa?
Valter Suman – A proposta de convênio com a Sabesp vai garantir o perdão de parte da dívida da Administração em cerca de 80%, passando de R$ 88,2 para R$ 18,2 milhões, parcelados em 206 vezes sem juros. E acredito que vamos zerar. A empresa ainda terá que investir R$ 764 milhões em três décadas e garantir 4% de sua receita bruta (R$ 5,2 milhões por ano), deduzidos dos impostos a um fundo para obras complementares de saneamento. Será realizado um convênio de cinco anos que obriga a reposição asfáltica após as intervenções no Município e a redução das tarifas públicas em 25%. Também renegociaremos a parte da dívida que já se encontra na Justiça.
Diário – Isso gera reflexos ambientais, não?
Suman – Vamos lutar para que todas as nossas praias sejam, definitivamente, despoluídas. Também pela universalização do fornecimento de água e tratamento de esgoto no Município. Acredito que o investimento da Sabesp pode chegar a R$ 1 bilhão. Estamos mantendo um bom diálogo com a Sabesp, pois trocar a empresa poderia ser uma aventura, trazer desgastes jurídicos desnecessários e demora para melhorar os serviços à população
Diário – As negociações também envolveram a Cava da Pedreira, não é?
Suman – Sim. Serão investidos cerca de R$ 70 milhões na Cava da Pedreira, que poderá gerar um reservatório de 2,3 bilhões de litros de água. Poderemos aguentar 30 dias de pane seca e permitirá que Guarujá seja abastecido por longos períodos de estiagem. Quero aumentar a segurança hídrica da Cidade. A empresa pode ganhar dinheiro, mas a função social tem que ser cumprida e os serviços bem prestados.
Diário – O futuro contrato do transporte público também visa mudanças almejadas há anos?
Suman – Foi aprovado o Plano de Mobilidade Urbana, que vai dar suporte ao futuro contrato. Já conseguimos autorização da Câmara para abrir licitação, que deverá durar cerca de 90 dias, fora mais 60 dias para possíveis impugnações. Então, acredito que a nova empresa deverá iniciar operações em 2019. A empresa prevê um investimento de R$ 120 milhões em pavimentação asfáltica, porque não adianta colocar novos veículos para transitar por buracos e desníveis. A reforma da Rodoviária também está incluída. Também receberemos mais R$ 10 milhões do Governo do Estado para recapeamento. As ruas já estão até definidas.
Diário – Quando a administração pretende entregar o prolongamento da Avenida Dom Pedro?
Suman – Já está licitado. Será fundamental para a mobilidade urbana para acesso à região do Rabo do Dragão, entre a Enseada a balsa para Bertioga.
Diário – Iluminação pública. Quais melhorias serão realizadas?
Suman – A nova empresa contratada já trocou 2.500 pontos. Pegamos um sistema de iluminação pública completamente deteriorado. Foram 12 meses de licitação, três impugnações do Tribunal de Contas, 23 empresas participantes. A empresa está colocando lâmpadas leds em diversos pontos. Conseguimos recursos via Dade (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias) para iluminar as praias das Astúrias, Pitangueiras e Enseada. Vamos ter uma orla branca, bem iluminada e ganhar segurança.
Diário – Segurança passa por boa iluminação.
Suman – Sim. Além disso, estamos construindo, no Morro do Maluf, num imóvel da Prefeitura, uma central de monitoramento. Vamos armar a Guarda Municipal e criar uma muralha eletrônica de câmeras. Também construir o novo quartel do 21º Batalhão de Polícia Militar na Enseada, numa parceria com a Sobloco, que investirá R$ 4 milhões. A Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), que vai implantar a Faculdade de Medicina em Guarujá, também investirá R$ 1 milhão nesse projeto, além de recursos de empresas de habitação que estão chegando. Vamos fechar em R$ 6 milhões esse investimento.
Diário – A relação com a Câmara mudou. Isso ajudou o senhor?
Suman – Eu fui vereador e sofri com perseguições políticas. Embates políticos desnecessários só trazem prejuízos ao bem comum. Nossa relação é de respeito. Acredito que os vereadores perceberam o quanto é importante a harmonia com independência. A população é que ganha, no final de tudo.
Diário – Há desafios ainda?
Suman – Muitos. Temos 58 núcleos subnormais. Um déficit de 33 mil moradias. Cerca de 250 mil pessoas dependem da saúde pública em Guarujá e Vicente de Carvalho. Uma dívida ativa de R$ 5 bilhões e precatórios absorvem R$ 5 milhões mensais do orçamento. Mas temos que caminhar. Ganhamos paz política e segurança jurídica para avançar. Nossa grande obra é a somatória das pequenas obras.
