‘Nós não podemos perder essa janela’, diz Alberto Mourão

Presidente fala sobre comissão que discute propostas para estimular o desenvolvimento da Baixada Santista

O desenvolvimento da Baixada Santista e a geração de empregos foram alguns dos temas principais debatidos, ontem, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb). O evento foi realizado na sede da Associação Comercial e Industrial de Cubatão (ACIC).

Por iniciativa do Condesb, uma comissão especial está em formação para discutir propostas e ações para estimular o desenvolvimento e gerar empregos na região, em médio e longo prazos.

Na última semana, o prefeito de Praia Grande e presidente do Condesb, Alberto Mourão (PSDB), esteve com liderança de trabalhadores, empresários e do setor acadêmico. a ideia é que representantes desses setores, unidos com pessoas indicadas pelos prefeitos da região, formem o grupo responsável por apresentar um diagnóstico de como a crise afeta a Baixada Santista, e apontar alternativas e soluções.

Na visão de Mourão, a economia brasileira voltará a crescer e a região não pode perder a ­oportunidade.

“É óbvio que a janela de oportunidades vai se reabrir, o País vai voltar a crescer. Não há dúvida que, fazendo os grandes ajustes que serão feitos, o Brasil volta a crescer. Agora, precisa saber se nós vamos crescer tanto quanto o Brasil ou se vamos continuar patinando porque não estamos enfrentado alguns problemas regionais”, disse o presidente do Condesb.

O prefeito de Praia Grande ressaltou que uma análise conjuntural será feita e foi mais enfático ao dizer que a Baixada Santista não pode perder esta janela de oportunidade.

“Vamos fazer uma análise conjuntural. O que nós vamos criar de investimentos para destravar esse setor, tornar ele atrativo para, quando o capital vier ao Brasil, ele olhar a Baixada como solução para os seus problemas logísticos e de produtividade. Ele olhar e achar possível investir o capital. Se ele não tiver essa visibilidade, ele vai se afugentar para regiões onde tem porto como Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco. Assim como vai se afugentar para o interior onde tem aeroporto, que aqui não tem. Enfim, ele vai para outros locais e nós não podemos perder essa janela”, ­comentou Mourão.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Santos (Sintracomos) e membro do Fórum Cresce Baixada, Marcos Braz de Oliveira, o Macaé, ressaltou que é preciso o retorno dos investimentos para os empregos também voltarem.

“Hoje nós sofremos na região com mais de 50 mil desempregados. Nós precisamos fulminar isso e correr atrás dos investimentos. Ir até o Governo do Estado e até o próprio Governo Federal para tentarmos trazer investimentos para a região e o crescimento começar a fluir”, falou Macaé, que citou alguns setores que podem auxiliar na retomada do crescimento regional.

“Tem o Porto, que é o maior da América Latina, temos um grande polo industrial em Cubatão, que precisa dar uma aquecida. Muitas empresas fecharam as portas e tudo está parado. Precisa ter um planejamento para a própria Usiminas, que é a única siderúrgica do estado de São Paulo e emprega bastante. Fora o comércio, o pessoal de vestuário, o turismo na região. Isso atrai investimento para a cidade também se desenvolver”, finalizou o presidente do Sintracomos.

Prefeito de Praia Grande coloca Complexo Andaraguá como estratégico para a região

O prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, também comentou sobre o Complexo Empresarial Andaraguá. O empreendimento, que  seria implantado em uma área de 341,74 hectares, está no papel há mais de uma década e sofre entraves, principalmente, em relação a licença ambiental.

O projeto, orçado em R$ 1,4 bilhão, tinha a expectativa de gerar 15 mil postos de trabalho.

Para Mourão, o Andaraguá é estratégico para  a Baixada Santista.

“A gente entende que há uma sinergia entre os modais, e é fundamental em qualquer lugar.  Jornais de circulação nacinal citaram o crescimento do volume de carga em aeroportos em relação aos portos. Isso já estava em uma crescente quando a Prefeitura começou a fazer estudos em relação ao Andaraguá”, comentou o prefeito.
Segundo o chefe do Executivo, cargas como celulares e televisores, por exemplo, redurizam de peso o que facilita o investimento.

“Há uma redução do peso e um alto valor agregado, o que fez que fosse viável transportar equipamento por aviões. Depois, alguns setores precisam de agilidade. Uma indústria não pode ficar com linha de produção parada e opta por transporte do ferramental e de alguns produtos por vias aéreas”, disse Mourão, que comentou que a
região poderia ter, por exemplo, um grande centro de redistribuição de cargas de compras ­internacionais.
“Eu vejo como opção a interface entre porto e aeroporto para distribuir cargas. Ela chega em blocos pelo porto, em ferrovia chegar ao Andaragúa, e ali, por avião, distribuir para a América do Sul e pelo País. Essa sinergia tem que ser refeita”, ­avaliou o prefeito.

Projeto

O Complexo é composto por galpões que serão arrendados para empresas diversas que poderão escoar sua produção por meio do aeródromo que compõe o complexo empresarial.