No coração do Porto, uma casa para o circo

É ali que um ‘bando’ de artistas circenses buscam ressignificar o canal ‘circo’ (5)

Um abrigo munido de instalações necessárias para o embarque e o desembarque de algo. Assim, usando o mesmo significado dado para a palavra ‘Porto’, é possível definir o galpão recém-reformado quase na esquina da Avenida Almirante Cochrane com a Avenida Mário Covas, no Estuário. É ali que um ‘bando’ de artistas circenses busca ressignificar o canal ‘circo’ (5) e promover um intercâmbio cultural a partir da instalação de uma escola: a ‘Porto Circense’.

Continua após a publicidade

O projeto é a extensão da oficina de circo inaugurada em 2012 na Vila do Teatro, ocupação cultural em um imóvel histórico no Centro de Santos que nasceu após o fechamento da Cadeia Velha. E como a origem de boa parte da arte local passa pela Cadeia, veio também dela o palhaço que encabeça a Porto Circense: Sidney Herzog.

“Fiz parte de um projeto de capacitação em circo na Cadeia Velha e todo o meu trabalho desde então foi pautado nessa formação que recebi lá atrás, em um projeto vivo e que deu bons resultados. Acredito que isso é fundamental: a continuidade do trabalho, seja para o aperfeiçoamento pessoal ou para gerar frutos e mudar realidades por meio da arte. A Porto Circense será inaugurada tendo em seu corpo técnico muitas pessoas que chegaram à Vila como alunos”, afirma.

Exemplo de quem teve a vida impactada pela arte é o jovem Pablo Bailloni, de 19 anos, que chegou ao circo, acompanhado de um amigo, aos 14. “Hoje a arte é mais do que uma paixão: é o meu sustento e por meio dela pude conhecer lugares e pessoas extraordinárias. Como comecei cedo, quando cheguei na idade de ter que ganhar dinheiro para viver eu já dominava o circo”, conta.

Continua após a publicidade

A Porto Circense será equipada com todos os instrumentos necessários para o aperfeiçoamento circense: do iniciante ao mais avançado. O custa das oficinas e dos materiais para manter o espaço será compartilhado, devendo não ultrapassar o teto de R$20.

O espaço foi construído e reformado pelo empresário Mario Silva que sempre imaginou ali um lugar de fomento e fruição de arte. “Me chamaram de louco quando quis construir esse prédio, que possui uma laje muito reforçada e suporta 500 kg por metro quadrado. Mas eu sempre sonhei em fazer deste prédio um espaço cultural. Na fundação, eu enterrei alguns objetos pessoais para dar força a esse sonho e quando conheci o pessoal, senti que mesmo sendo jovens artistas, a bagunça era organizada” conta Silva, proprietário da sede do Porto Circense.

A ponte desse encontro foi o produtor cultural Raphael Neves, que conheceu Mario e firmou a parceria, que consistia em encontrar um grupo de artistas para gerir o espaço. Neves já conhecia O Bando de trabalhos anteriores. O reencontro e o convite aconteceram durante um treino na Praça Rubens Martins. 

Continua após a publicidade

“O prédio tem dois andares, no piso térreo, um espaço pronto para realizar eventos nos mais variados formatos, ainda tem uma área no 2º andar, que é perfeita para atividades de acrobacia aérea e muito mais” explica Bailoni.

“Lutamos sim para que a arte pública tenha verba pública para se manter, mas até que alcancemos os resultados dessa luta precisamos existir enquanto artistas. Queremos envolver toda a comunidade do entorno do galpão e todos os artistas circenses que hoje não encontram outro espaço do gênero na região para trocas. Faremos isso de uma forma que seja acessível”, pontua Herzog.