Negociações entre israelenses e palestinos frustram chanceler brasileiro

O chanceler defendeu que a questão seja incluída na pauta de prioridades sobre a busca da paz no Oriente Médio.

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21 DEZ 201222h43

Sem avanços nas negociações de paz entre palestinos e isralenses, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse hoje (21) estar “frustrado” com a “paralisia” do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a “inoperância” do Quarteto (Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Nações Unidas) na condução do processo. O chanceler brasileiro defendeu que a questão seja incluída na pauta de prioridades sobre a busca da paz no Oriente Médio.

“Não vejo [infelizmente] movimentos encorajadores [da comunidade internacional]”, ressaltou o ministro em conversa com jornalistas responsáveis pela cobertura da área internacional. “É inaceitável que o Conselho de Segurança cuide da Somália e do Timor Leste neste momento e não cuide da questão de Israel e Palestina, que é um tema mais desestabilizador.”     

Patriota defendeu a revisão dos instrumentos responsáveis pelas negociações de paz no cenário internacional. “É preciso repensar os mecanismos de gestão de paz”, reiterou o chanceler. De acordo com ele, a Liga Árabe, formada por 22 nações, prepara uma série de sugestões destinadas à busca de uma solução para o impasse.

O chanceler disse que esteve com autoridades israelenses e palestinas, mas voltou pessimista da viagem ao Oriente Médio. “Não voltei otimista”, ressaltou Patriota. “O Quarteto não consegue chegar a um consenso sobre a questão dos assentamentos.”

Antonio Patriota disse estar “frustrado” com a “paralisia” do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Foto: Divulgação)

Nos últimos meses, o governo de Israel intensificou a construção de assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental – áreas ocupadas por palestinos, que as defendem como seus territórios. A construção acentuou o ambiente de tensão na área, aumentando os ataques de ambos os lados.

No entanto, enfatizou Patriota, a crise entre isralenses e palestinos consolida a convicção de que uma “solução militar” não é a melhor alternativa. “Têm crescido as percepções que uma solução militar teria êxito questionável” , disse ele. “[O ideal] é estabelecer um processo de paz negociado.”

Por várias ocasiões, a presidenta Dilma Rousseff criticou os assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Em seus discursos, ela defende o reconhecimento da Palestina como Estado independente e autônomo. Na conversa com os jornalistas, Patriota destacou a conquista pela Palestina do status de Estado observador na Organização das Nações Unidas (ONU), em novembro deste ano.