Negociação entre os Metalúrgicos e Usiminas não avança

Mesmo com esforços do Sindicato e da Prefeitura de Cubatão, siderúrgica mantém posição inicial de paralisação parcial da usina instalada na cidade

“A Usiminas não mudou uma vírgula do que anunciou”. A reclamação é do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista, Florência Resende de Sá, mais conhecido como Sassá, preocupado com a falta de negociação entre os trabalhadores e a empresa.

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Segundo ele, várias reuniões foram feitas entre os sindicatos, a Usiminas e o Ministério Público, mas o cenário é o mesmo: a produção de aço está paralisando, funcionários estão sendo demitidos e a empresa caminha para se transformar em área de apoio logístico.

“Nós fizemos já três reuniões junto ao Ministério Público e também reuniões com a empresa, inclusive ontem. A Usiminas mantém as demissões. A única coisa que ela fez foi fazer uma prorrogação de proposta que eles chamaram de ‘amenizar impactos’. Na nossa avaliação, não tem nenhuma forma de amenizar a demissão. Nós não estamos negociando com a Usiminas isso, nós só estamos ouvindo o que ela tem para falar”, comenta Sassá.

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Para o presidente sindical, se a empresa conseguir desativar as áreas primárias da empresa, assim como já está fazendo, ela vai transformar a usina em um pátio de contêineres. “Atualmente, ela está com uma dificuldade em função das atitudes tomadas pela Prefeitura de Cubatão, que reduziram em 50% as operações portuárias. Por enquanto. O objetivo da Usiminas vem sendo traçado não de agora. Desde 2011, ela vem trabalhando nisso. Não porque ela quer transformar, apenas, a operação portuária. Ela quer trabalhar um apoio logístico, dos quais ela já detém o poder (ferrovias, rodovias e espaço), e ai fazer uma operação casada onde ela tenha facilidade em manter os lucros sem investimentos.

Para manter as operações, a Usiminas teria que investir no mínimo R$ 6,5 milhões, segundo estudos feitos por técnicos da empresa. E é isso que ela não quer fazer”, explica.

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Além disso, Sassá, que trabalha na siderúrgica desde a extinta Cosipa, denuncia mais uma vez que a empresa não está em condições aptas de trabalho. “A usina está mais do que sucateada. Conversando com policiais e promotores públicos que fazem ocorrência lá dentro, nós tivemos informação de que ela está em um estágio que chega a fazer medo em andar nas dependências da empresa. Significa dizer que, há cinco anos, eles não investem em manutenção. Hoje não é só uma condição de risco operacional, é uma condição de risco se expor na área de produção da usina, principalmente no setor primário”.

O sindicato pretende se mobilizar mais uma vez contra a paralisação da usina de Cubatão, mas o presidente não revela quais os próximos passos. Segundo ele, um interdito proibitório multa em R$ 100 mil cada vez que a categoria se organiza em manifestação ou coloca uma faixa na portaria da empresa.

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Mesmo assim, Sassá garante que nada vai parar a luta dos trabalhadores para garantir seus empregos e evitar que a empresa atinja seus objetivos. “O interesse da Usiminas é desativar. Por isso, que eles programaram isso para começar a trabalhar com outra linha de exploração. É uma ação planejada que a Usiminas vem pensando desde 2011, quanto o Porto foi retirado do Porto Organizado. Com isso, eles reduzem o quadro de funcionários há 20% do número atual. Hoje, nós trabalhamos próximos a nove mil e vamos ficar com 1.700 trabalhadores”.

Usiminas

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Questionada pela Reportagem do Diário do Litoral, a empresa encaminhou posicionamento sobre a atual situação das negociações entre a empresa, o sindicatos e os entes públicos. “De acordo com o Instituto Aço Brasil, o consumo de aço no País deve cair 16% em 2015 na comparação com o ano passado. Para 2016, a previsão é ainda pior: queda do consumo de aço de 5% em relação a 2015. Diante dessas perspectivas, não resta alternativa para a Usiminas senão ajustar sua capacidade produtiva à realidade do mercado, processo já iniciado e que deverá ser concluído no final de janeiro de 2016. A Usiminas informa ainda que apresentou aos sindicatos locais uma proposta com medidas e benefícios para minimizar o impacto dos desligamentos de empregados”.

Manifestação

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Na manhã de ontem, a Prefeitura de Cubatão, juntamente com movimentos populares da Cidade, se reuniram em manifesto em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora da Lapa em prol dos trabalhadores da Usiminas e contra a paralisação da produção de aço na usina.

A prefeita Marcia Rosa não se fez presente, mas parte do secretariado do Executivo estava no local informando a população que acompanhava o ato sobre os problemas que a paralisação da Usiminas irá causar à Cidade. Vereadores, comerciantes, movimentos culturais e servidores públicos também participaram do manifesto.