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Navio misterioso revelado pela maré baixa pode ter encalhado em 1890; entenda a história

O movimento das marés tem revelado pedaços da estrutura naufragada ao longo dos últimos anos, mas raramente uma porção tão grande do navio como a que foi exposta desta vez

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22 JUL 2020Por Estadão Conteúdo17h40
A barca com três mastros e casco de ferro foi construída em 1868 nos estaleiros da empresa Thomas Royden & SonsFoto: Marcelo Martins/PMS

O recuo da maré expôs os destroços de um navio misterioso na faixa de areia da praia do Embaré, em Santos, litoral do Estado de São Paulo. Estavam à mostra na manhã desta quarta-feira (22) pedaços de madeira e restos de metal do que seria a estrutura do casco da embarcação, com mais de 50 m de extensão. O achado atraía a curiosidade de moradores e turistas. A prefeitura instalou fitas de isolamento e destacou servidores para monitorar o local, a fim de evitar acidentes.

De acordo com o município, o movimento das marés tem revelado pedaços da estrutura naufragada ao longo dos últimos anos, mas raramente uma porção tão grande do navio como a que foi exposta desta vez. Pesquisadores do Museu Marítimo de Santos acreditam que os destroços sejam do veleiro Nanny, que encalhou em Santos no dia 11 de maio de 1890.

A barca com três mastros e casco de ferro foi construída em 1868 nos estaleiros da empresa Thomas Royden & Sons, de Liverpool e trabalhou para uma companhia inglesa até 1885, quando foi comprada pela alemã J.W.Burmester, de Hamburgo. O veleiro Nanny possuía 52,50 m de comprimento, 8,70 de boca e 5,30 m de calado, pesando 612 toneladas.

No dia do encalhe, a barca vinha de Sunderland, na Inglaterra, com uma carga de carvão e entrava na barra de Santos, quando foi apanhada por uma tempestade. O navio foi jogado para a terra, encalhando de proa para São Vicente. Os 16 tripulantes dispararam tiros para pedir socorro. Os rebocadores que foram até o local não conseguiram se aproximar da embarcação, que acabou abandonada pela tripulação, “ficando a bordo apenas o capitão, o piloto e o dispenseiro”, segundo noticiário da época.

Quando a primeira lancha a vapor da Alfândega conseguiu se aproximar, o navio já estava enterrado na areia. Após o encalhe, a barca foi vendida em leilão público e o arrematante retirou grande parte da estrutura para reutilizar em outro navio ou vender como sucata. O relato do museu dá conta de que o cozinheiro da barca Nanny morreu durante o encalhe, tornando o local com fama de ‘mal assombrado’.